ESTANCADOS NA RESSACADA

 

E mais uma vez, um jogo pra ser esquecido, mesmo que o São Paulo tenha tentado mostrar um poder de reação. Reação?! Que reação?! Quando a gente pensa que a coisa vai andar, estanca.

Pontos preciosos para manter-se vivo no G4 foram perdidos... Dois jogos seguidos com atuações pífias. Chapecoense e Avaí, dois times que foram “pedras no caminho” do São Paulo, já que é incrível a capacidade que o Tricolor tem de perder pontos para times que estão brigando na parte de baixo da tabela.

Após um empate amargo com gosto de derrota para a Chapecoense, uma derrota totalmente indigesta para o Avaí. Por que o Tricolor não consegue manter uma regularidade?! Por que ficar contente com uma vitória, se não podemos esperar que o time saia vitorioso dos outros confrontos, ou pelo menos, se esforce em campo para que isso aconteça?! O futebol é imprevisível sim, e é esse um dos motivos que o tornam mais lindo. Mas imprevisibilidade demais causa intolerância.

Nesse domingo, 20 de setembro, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro, o São Paulo foi até Santa Catarina tentar, mais uma vez – e quantas vezes, diga-se de passagem! –, entrar no G4, que no sábado, teve sua 4ª vaga ocupada pelo Palmeiras, após vencer o Grêmio (que ocupa o 3º lugar, com 48 pontos) por 3x2 no Pacaembu.

O Professor Osório tinha alguns desfalques por contusão em sua lista, e de quebra, Luis Fabiano e Michel Bastos, talvez forçados, no jogo contra a Chapecoense, no Morumbi, levaram o terceiro cartão amarelo e não puderam ser relacionados para o jogo, tendo que cumprir a suspensão automática.

E quando a gente pensa que a coisa vai andar, estanca... Quando há solução para UM problema, aparecem DEZ problemas sem solução, mesmo que momentaneamente. Com problemas à vista, Osório tratou de relacionar e escalar boa parte dos reservas, e surpreendeu ao deixar Alexandre Pato e Thiago Mendes no banco. Duas peças fundamentais, seus queridinhos... decisão um tanto estranha, não?!

Antes do início da partida, a escalação. Com Ceni em recuperação e sendo poupado para atuar pela Copa do Brasil e pelo clássico Choque-Rei de domingo, pelo Brasileiro, Renan Ribeiro assumiu o gol. Lyanco e Matheus Reis pelas laterais, fazendo a linha de quatro zagueiros, juntamente com Rodrigo Caio e Lucão. Breno mais à frente como volante, mais próximo do meio-campo, que contava com Wesley e João Schmidt. No “ataque”, Carlinhos e Rogério pelas pontas, e João Paulo como centroavante.

O rodízio do Professor Osório foi visível, e diferente aos olhos, que estão acostumados a ver peças-chaves atuando. Pode-se dizer que a derrota para os catarinenses, na Ressacada, foi algo planejado pelo treinador, que poupou jogadores, já pensando no duelo de quarta-feira, contra o Vasco, pela Copa do Brasil.

O primeiro tempo até que foi razoável, com investidas pelos dois lados, mas também com muitos passes errados. E pra completar a tensão, a arbitragem novamente deixando a desejar – mas eu não vou ficar falando sobre isso aqui, porque os caras podem ler e dar pênalti pro líder do campeonato, ou um cartão amarelo pra mim por reclamação –, e dificultando ainda mais o jogo, já que a cada passe era uma falta marcada.

E justamente em uma cobrança de falta, aos 17 minutos da etapa inicial, Marquinhos bateu com muita categoria no canto esquerdo do goleiro Renan Ribeiro, marcando o 1º gol dos anfitriões. O São Paulo tentava mostrar uma reação e buscava o gol de empate, que saiu aos 43 minutos ainda da 1ª etapa, com o zagueiro Breno, que iniciou a jogada, deu uma arrancada pelo meio e depois marcou seu 1º tento após voltar para o time do Morumbi, num belo chute de pé esquerdo, por baixo das pernas do goleiro Vagner.

Mas faltava velocidade pro São Paulo (como em boa parte dos jogos), e no 2º tempo, Osório percebeu que era hora de colocar Alexandre Pato e Thiago Mendes, que entraram nos lugares de João Paulo e João Schmidt. O time ficou um pouco mais veloz e passou a trabalhar mais, porém de nada adiantou. O Professor ainda sacou Lyanco do time, e colocou Bruno.

Aos 26 minutos, Anderson Lopes, que tinha entrado um pouco antes, recebeu de Léo Gamalho na área e bateu. E mais uma vez, o chute foi no canto esquerdo do goleiro Renan. Gol deles. E sem esboçar mais nenhum poder de reação, sem conseguir envolver o time do Avaí, assim o São Paulo foi até o apito final do árbitro Jaílson Macedo Freitas. E os planos de Osório para o Tricolor foram por água abaixo... Estancados nos mesmos 42 pontos que começaram a rodada, viram o lugar no G4 ser ocupado pelo rival Palmeiras, que ganhou e está com 44 pontos, dois pontos a mais. O Avaí, com a vitória, subiu para a 15ª colocação, com 32 pontos e continua com o dever de se manter na série A.

Durante a semana, o Tricolor terá uma “força-tarefa” em busca de um título inédito, contra o Vasco, no jogo de ida pelas quartas de final da Copa do Brasil, e o que se sabe é que não será nada fácil, já que o cruzmaltino, mesmo ocupando a vice-lanterna do campeonato, vem embalado com vitórias que até o mais fiel torcedor não acredita que tenham acontecido. E domingo, 27 de setembro, pelo Campeonato Brasileiro, no gramado do Morumbi, o São Paulo estará mais uma vez diante de um de seus principais rivais, e que a derrota por 4x0 no Allianz Parque, pelo 1º turno do Brasileirão, possa ser digerida com uma vitória em nossa casa, mesmo essa sendo por 1x0. O confronto será uma briga direta pela vaga no G4. Um Choque-Rei que tem tudo para ser um verdadeiro espetáculo!

Com o duelo de ontem, deu pra observar que o Professor Osório resolveu “priorizar” a Copa do Brasil, e em sua entrevista após o jogo, isso só foi confirmado. Mas, priorizar uma competição trará a vitória?! Não se pode contar apenas com a sorte... É necessário que haja um planejamento, e treinamentos. E juntamente com isso, garra, raça, força de vontade, entrega. Priorizar uma competição não significa ter que perder um jogo importante que nos traria a vaga no G4. Se há treinamento, há como vencer ‘N’ partidas. O futebol é imprevisível sim, como já foi mencionado aqui, mas priorizar uma competição não significa não se esforçar, fazer corpo mole, não buscar resultados.

Mas há algo que precisa ser priorizado, muito mais que qualquer competição: o coletivo, a união. A partir do momento que o jogador entrar em campo como “TIME”, deixando o individualismo e o estrelismo de lado, aí sim ‘a coisa vai começar a andar, e daí vai surgir um time unido, cheio de vontade, que entra em campo pra vencer, que não precisará contar apenas com a sorte, e sempre lembrando que #JUNTOSSOMOSMAISFORTES!


 

Por Renata Chagas