Eu não aguento mais levar gol de bola parada!

 

Um balde de água fria! Essa pode ser a definição do que significou a partida entre Sport e Grêmio para os torcedores do Tricolor que esperavam um bom resultado do time para encerrar o domingo de forma agradável. Ironicamente, estes mesmos torcedores devem ter encerrado o final de semana com a mesma preocupação de outras tantas tardes e noites ocorridas nesta temporada.

A bola chutada por Luan que teimosamente foi ao encontro da trave, ao invés de balançar as redes logo no primeiro minuto de jogo pareceu ser um presságio de que os gaúchos não sairiam felizes da Ilha do Retiro. Nesse momento não se sabia ao certo o que o time de Roger Machado seria capaz de apresentar, mas os primeiros minutos de jogo agradavam os gremistas ao ver seu time organizado, marcando alto a saída de bola do Sport e indo em busca do resultado que poderia lhe colocar na vice-liderança no fim da 15° rodada. Entretanto, foi ao pecar justamente em uma saída de bola que o Tricolor viu o Sport abrir o placar. Foi Douglas quem perdeu a bola, mas pode-se colocar a responsabilidade em Maicon que, a exemplo do restante da partida, se mostrou lento ao decidir para quem lançar, colocando o Camisa 10 em apuros.

Estava diante do time de Roger o desafio de correr atrás do placar contra um time que está na ponta de baixo da tabela mais uma vez. Só que poderia ficar pior. E ficou. Tenho plena certeza de que, atualmente, o torcedor gremista que acompanha a rotina do time sente uma insegurança enorme ao ver uma cobrança de escanteio adversária. No momento no qual isso acontece, a sensação é de que meio gol está feito, porque o Grêmio corre um risco extremo nesse quesito. E foi exatamente isso o que aconteceu em Recife. Foi em uma subida destacada de Diego Souza que vimos um placar de 2 a 0 para os donos da casa ainda no primeiro tempo.

 

Fonte: Marlon Costa / Pernambuco Press

 

Sinceramente, não sou capaz de encontrar uma razão pra um insucesso tão grande em um item como o que o Grêmio tem tido na bola parada. Há quem diga que esse é um dos fatores mais simples de se arrumar, outros afirmam ser total falta de concentração. O fato é que esse problema crônico do Tricolor já lhe custou alguns campeonatos no ano, e ressurge para tirar pontos importantes no Brasileirão.

A reação logo na volta do segundo tempo, com o empate alcançado graças a Geromel soou como uma esperança. Quem sabe na Ilha aconteceria mais uma recuperação marcante do Grêmio e a corrida pela liderança continuaria a todo vapor? Mas se nós temos consciência da nossa maior fraqueza, o Sport também tinha. Ao ver mais uma cobrança de escanteio se converter no terceiro gol do Leão, ficou difícil continuar acreditando em um resultado positivo para o nosso lado. Para fechar a infeliz viagem gremista ao Nordeste com chave de ouro, ainda vimos Marcelo Oliveira derrubar Éverton Felipe na área, dando a chance para Diego Souza marcar o quarto gol do Sport, o seu segundo na partida e acabar definitivamente com o ânimo da torcida que por tantas vezes comemorou os gols por ele marcados.

Diante da derrota, os mais diversos questionamentos tomam conta das conversas entre torcedores e nas manchetes lançadas pela imprensa. Alguns alegam que Marcelo Grohe é responsável por grande parte das falhas defensivas em momentos importantes. Outros trazem à tona o questionamento em relação aos critérios de tempo e nomes nas substituições feitas por Roger. Mesmo com o problema defensivo escancarado no time do Grêmio, algumas  críticas têm a direção da parte mais adiantada da equipe, cobrando da falta de precisão nas finalizações parte do prejuízo de 2016.

O Grêmio é um time muito organizado. Dessa forma, quando os problemas táticos ou de rendimento de uma certa posição ocorrem fica, de certa forma, fácil de identificar e resolver as deficiências pontuais. Isso seria um grande aval para um time que pretende brigar por um dos títulos nacionais que disputa esse ano. Entretanto, o que se pode adquirir positivamente disso vai por água abaixo em uma cobrança de escanteio, em uma cobrança de falta ou em um cruzamento despretensioso após um contra ataque adversário. Ver o Palmeiras mais distante e, ao mesmo tempo, o Santos encostar com um ponto de diferença no quarto lugar é um pouco do preço que o Grêmio ainda pode pagar no Brasileirão graças à sua teimosia em levar gols de bola parada nessa temporada. O Grêmio tem que arranjar uma forma de resolver o seu problema. O Grêmio precisa entender que o seu torcedor não aguenta mais ver seu time levar gols assim.

Cintia Menzomo