Eu Nunca vou te abandonar

O amor por um clube de futebol é algo incomparável, vai além do amor pelo namorado, do amor pelo doce favorito ou do amor pelo sapato alto. O Amor por um clube é algo incondicional, sabe aqueles dizeres do padre? Até que a morte os separe ou então na alegria e na dor? Pois é, um amor por um time vai além

A gente torce, sofre, chora, vive o momento de êxtase de um título ou a dor de um rebaixamento, mas diferente dos outros amores, não há como se deixar de amar, não existe maneira de “se trocar” de time.

Cresci no meio de homens e por ser a mais nova, não havia meninas para brincar comigo, então para não ficar só, passei a assistir e a jogar futebol. Descalça, na rua e muitas vezes contra a vontade deles, lá estava eu. Nos dias de jogos eles reunidos na sala, lá estava eu. Sempre aguentando os comentários de que aquilo não era coisa de mulher ou de que minhas perguntas sobre o jogo eram chatas ou irrelevantes, lá estava eu. Mas em 2003, campeonato paulista, final no Morumbi, minha casa lotada de torcedores corintianos, lá estava eu…foi nesse momento, do sofrimento do 3x2, que eu encontrei o amor da minha vida: o Sport Clube Corinthians Paulista.

Foi identificação ao primeiro sofrimento! A cada dia mais o sentimento crescia e quanto mais eu assitia, mais amava o clube e a minha nação. Era mais do que amar, era como dizem os torcedores: minha religião. Perder os jogos? Nem pensar!

O Corinthians não ia tão bem contra os rivais da capital e eu tinha de aguentar as chacotas. O título Brasileiro de 2005, mesmo com o incrível e eterno 7x1 sobre o Santos, era motivo de piadas do chamado “apito amigo”. Nas resenhas de futebol do colégio, passei a ser figurinha carimbada, inicialmente sobre o olhar desconfiado dos meninos e depois como alguém que realmente entende do assunto.

Até então toda e qualquer piada era irrelevante, até o fatídico ano de 2007. O Corinthians vinha mal afundando em dívidas deixadas pela MSI e pela gestão do presidente Dualib. Contratações ridículas e que até hoje são motivos de piadas entre os torcedores e escândalos de lavagem de dinheiro, ditavam o ritmo do clube. Foi nesse ano, após um jogo contra o Grêmio, a primeira vez que eu chorei pelo Corinthians.

Doeu…muito. Meus olhos não acreditavam, pra todo o lado que eu olhava havia corintianos ajoelhados chorando. Naquele dia, recebi milhares de mensagens dos meus amigos palmeirenses e são paulinos, sempre com a piada de que só falariam comigo às segundas-feiras. Mas a torcida, fiel como sempre, disse: Eu nunca vou te abandonar!

O Corinthians no ano seguinte conseguiu ressurgir, com a torcida lotando os estádios e sempre empurrando o time ao som de “Eu nunca vou te abandonar”. Sobe o comando de uma diretoria e de uma comissão técnica, que realmente se preocupavam com o clube, a campanha na série b foi tranquila. Dali pra frente, o clube veio em ascensão, mas como tudo para o corintiano é sofrido em 2011, veio outro vexame. Eliminação para o Tolima, pela pré-libertadores. Mal, nós corintianos sabíamos de que após mais este tropeço, viriam glórias e mais glórias.

No dia seguinte à eliminação, o presidente Andrés, confirmou: o Tite, fica. Lembro-me de ficar indignada, pois como um cara com Ronaldo em campo, consegue ser eliminado para um desconhecido? Eu estava errada.

O time arrancou, ganhou o brasileiro e veio a vaga pra Libertadores de 2012. O clube foi jogo a jogo crescendo na competição continental. Táchira, Nacional, Cruz Azul, Emelec, Vasco, Santos e Boca Júniors, esses foram os adversários.

Partimos de um gol de cabeça do Ralf no finalzinho do jogo contra o Táchira, por jogos sofridos contra o Cruz Azul. No jogo de volta contra o Táchira, algo raro em nossa campanha baseada na marcação: 6x0 e a liderança do grupo garantida. Veio o Emelec e mais sofrimento com a expulsão do Jorge Henrique, mas conseguimos segurar o 0x0. Passamos e veio o Vasco, depois de outro 0x0, o jogo do Pacaembu, foi sem dúvidas um dos mais emocionantes da minha vida. Quando o Alessandro errou aquela bola e o Diego souza partiu sozinho, eu congelei! O Coração pulsando fortemente, o olhar divido entre o céu e a TV….silêncio...o coração quase saindo pela boca, tudo em segundos...Cássiooooooooooooooooooooooooooooooooooooo! Um clima de final de campeonato! Uma defesa com a ponta dos dedos, que me fez crer ainda mais ainda no título. Mais um degrau alcançado, que venha o Santos.

Com um golaço de Emerson na Vila, chegamos a final contra o temido Boca Juniors.

2 jogos para a liberdade, primeiro em La Bombonera e a decisão seria no velho Pacaembu. La Bombonera, um caldeirão e a estrela de um menino brilhou: Romarinho. Um Golaço levava a decisão pro Pacaembu.

Era um 4 de julho, dia da independência dos Estados Unidos? Não, dia da glória corintiana, a glória de Emerson Sheik! Com dois gols dele o velho Paca explodiu, era a nossa libertação, o dia em que as piadas que eu ouvia desde menina, acabavam.

Dali pra frente, tudo foi consequência, o mundial contra o Chelsea, a Recopa contra o São Paulo, a nossa sonhada casa. Da dor de um rebaixamento a glória do Mundo no Japão, mas sempre cantando: Eu nunca vou te abandonar!

O amor pelo Corinthians só cresce, com o nosso lema: Lealdade, humildade e procedimento. Tenho uma identificação com o clube, a questão do sofrimento, de pro corintiano tudo ser mais difícil, me encanta, me faz ainda mais fanática. A cada jogo, a cada ponto eu anto até ficar rouca, eu canto pra te empurrar, porque? Eu nunca vou te abandonar,

 


Mariana Alves, Corintiana e sofredora, Graças a Deus!