Eu tinha 9 anos e estava prestes a ver meu time Campeão do Brasil...

 

Copa do Brasil, 2008, estádio Adelmar da Costa Carvalho, ilha do Retiro. O time que era composto por: Magrão; Durval, Igor e César; Luizinho Neto (Diogo), Daniel Paulista, Sandro Goiano (Everton), Romerito (Kássio e Luciano Henrique) e Dutra; Carlinhos Bala e Leandro Machado (Enílton ou Roger). Técnico: Nelsinho Baptista.

 

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Foto: Fonte desconhecida/Final Copa do Brasil 2008


 

TRAJETÓRIA DO SPORT

PRIMEIRA FASE:

Imperatriz 2x2 Sport (jogo de ida) Sport 4x1 Imperatriz (jogo de volta)

SEGUNDA FASE:

Brasiliense 1x2 Sport (jogo de ida) Sport 4x1 Brasiliense (jogo de volta)

OITAVAS DE FINAIS:

Palmeiras 0x0 Sport (jogo de ida) Sport 4x1 Palmeiras (jogo de volta)

QUARTAS DE FINAIS:

Internacional 1x0 Sport (jogo de ida) Sport 3x1 Internacional (jogo de volta)

SEMIFINAIS:

Sport 2x0 Vasco (jogo de ida) Vasco 2x0 Sport (4x5 pênaltis) (jogo de volta)

FINAL

Corinthians 3x1 (jogo de ida) Sport 2x0 Corinthians (jogo de volta)

 

Meu nome é Millena Santos, tenho 18 anos e começo a contar essa experiência inesquecível com minha paixão. Minha paixão pelo Sport começou em 2005, quando eu tinha 5 anos. Quem me levava (e leva até hoje) aos jogos era meu pai, o meu companheiro de ilha. A gente sempre ficava no setor Social (portão 3), nenhum outro setor nos interessava. Lembro-me bem que eu tinha um padrão de roupas e acessórios para ir aos jogos: Camisa amarela (maior que eu) do Sport, calça vermelha, boné e carregava uma inseparável mochila de leão nos braços.

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Arquivo pessoal/2008/Copa do Brasil

Em 2008 eu tinha uma maratona divertidíssima para ir, segundo meu pai; Eram as decisões da Copa do Brasil de 2008. Fomos para todos os jogos daquelas decisões, sempre comprando o ingresso com antecedência.

No último jogo, a final, meu pai não conseguia comprar ingresso, pois havia esgotado. Lembro-me como se fosse ontem, eu e ele andando em frente a ilha do Retiro nas vésperas do jogo procurando cambistas para conseguir ingressos. É, eu me encontrava numa tristeza terrível, pois minha maratona de jogos havia sido interrompida. O 11 de junho de 2008 chegou e eu decidi pedir ao meu pai, que fôssemos assistir ao jogo na sede, já que não íamos estar nas arquibancadas. Ele concordou. Chegamos umas 4 horas antes de o jogo começar. Jantamos no Bar da Piscina, dentro do clube. - eu me lembro de tudo mesmo - depois, fomos para sede onde estava localizado o telão que iria transmitir a partida.

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Foto: Fonte desconhecida/Final Copa do Brasil 2008

 

Eu nunca tinha visto a ilha daquele jeito, comecei a ficar com um frio na barriga e com uma vontade de entrar no campo. Eu pensava: ‘’O que essa galera toda ta fazendo aqui? Há algo de muito bom pra acontecer com o Sport hoje e eu não quero assistir por telões.’’ As horas passavam e a sede começou a se entupir cada vez mais de torcedores. Fui agarrando meu pai pela cintura e ele olhou nos meus olhos e disse: ‘’Caramba, não acredito que vamos perder isso.’’ 30 minutos antes da bola rolar eu comecei a chorar e a desesperadamente, implorar meu pai para que fossemos atrás de ingresso. Ele me disse ‘’Não tem mais. Pare de chorar.’’ Eu me soltei dele e fui no meio daquela multidão, sozinha, atrás de ingresso na bilheteria das sociais. Estava tudo fechado e tinha muita gente naquele espaço, eu me perdi do meu pai e fiquei mais desesperada ainda. Resolvi voltar para onde meu pai estava. No caminho esbarrei em um senhor de idade, com cabelos brancos e bem alto. Sem saber o porquê até hoje, eu perguntei: ‘’O senhor tem ingresso?’’ Ele respondeu: ‘’Sim, dois.’’ Eu corri, corri muito, encontrei meu pai e disse: ‘’Encontrei os ingressos.’’ Ele acreditou em mim no mesmo instante (creio que pela emoção que ele via em meu rosto) meu pai me seguiu e fomos de encontro ao senhor. Os ingressos custaram 25R$ cada. Era um anjo ou não? Claramente que sim! Os problemas ainda não terminaram. Tinha eu, meu pai, minha irmã e minha mãe para entrar. Eu fui a primeira a entrar pois, criança não pagava naquela época. Meu pai mandou minha irmã e mãe passarem juntas na catraca, apenas com 1 ingresso. E ele com o outro. Não deu, minha irmã passou, meu pai, e minha mãe ficou. O homem que ficava na catraca era um senhor de cabelos brancos. Ele sempre nos via na ilha. Minha mãe o implorou para que ela entrasse. Ele deixou. UFA! Entramos! Meu pai me colocou na corcunda, e entramos no portão 3. Eu não enxergava nada, não dava pra passar de tanta gente que tinha ali. Eu só via fumaça e uma banda de colégio tocando o hino nacional. Era muita fumaça, meus olhos brilhavam, tudo aquilo me fascinava e eu não entendia o porquê de tanta emoção. A corneta tocou, o cazá começou, eu tinha 9 anos e estava prestes a ver meu time Campeão do Brasil.  

 

 

O JOGO

O primeiro jogo, que aconteceu em São Paulo, deixou o time Pernambucano numa baita desvantagem. O resultado de Corinthians 3x1 Sport garantiu a todos que NÃO eram rubro-negros, que a Copa do Brasil já tinha dono e era o time paulista. Mas do lado de cá, tinha um elemento que fazia a diferença e deixava os rubro-negros com uma esperança gigante de saírem campeões; a Ilha do Retiro.

 

Precisávamos de dois gols de diferenças, o tempo passava e nos primeiros 33 minutos o jogo estava morno. Até que aos 34’ o atacante Carlinhos bala recebeu um lindo passe de Luciano Henrique e abriu o placar para o time leonino.  Três minutos depois, Diogo cobrou um escanteio e a bola sobrou para Luciano Henrique, que mandou um chutaço da entrada da grande área. 2x0. Era ele, o resultado que o Sport precisava para erguer a inédita taça. A ilha do Retiro estava inflamada, não parávamos de cantar um só minuto. O time recebeu a energia de mais de 30.000 torcedores que estavam na arquibancada e segurou o placar até os 48 minutos do segundo tempo. Com gritos entoando o ‘’É campeão’’ a linda trajetória do Sport na Copa do Brasil chegava ao fim com uma coroação mais que merecida.

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Foto: Fonte desconhecida/Final Copa do Brasil 2008

 

Naquele ano de 2008, o Brasil, em especial o Corinthians recebeu a lição de que sair com vitória da terra do frevo, da imbatível ilha do Retiro era uma missão impossível.

Millena dos Santos