FAZENDO HISTÓRIA NO CARNAVAL

 

Já virou tradição o Flamengo jogar em algum dia do Carnaval. Geralmente era semifinal de Taça Guanabara, mas ontem (5), em plena terça carnavalesca, o rubro-negro fez sua estreia na Libertadores contra o San José. O time foi para a Bolívia e jogou a 3.750m acima do nível do mar. Haja fôlego pra aguentar dentro de campo, e haja coração pra quem estava torcendo.

 

Se pensássemos em retrospecto, era até sofrível só de lembrar. A equipe só ganhou uma vez em cinco jogos, e nunca tinha tido uma vitória em estreia fora de casa na Liberta. Nada parecia estar ao nosso favor.

 

(Foto: Alexandre Vidal/ Flamengo)

 

Tivemos algumas baixas: Rhodolfo nem chegou a viajar, e Berrío sentiu dores musculares na preleção. Não tínhamos nenhum zagueiro reserva, algo que não entendi. Mas graças ao bom Deus, cosmos ou qualquer coisa que você acredite, a zaga não deu pane. Éverton Ribeiro, que voltava de lesão, ficou no banco por opção do Abel, que colocou Arrascaeta começando. Bem, estamos procurando ele até agora, porque ele não fez nada. Parecia que jogamos a primeira etapa com um a menos. Nada dava certo, o time parecia desajustado. A gente sentiu a altitude, e por incrível que pareça, os donos da casa também. Eles pareciam nem jogar lá, porque não usaram a tal vantagem da altitude.

 

Quem conseguiu driblar esse obstáculo foi Bruno Henrique, que correu como se não faltasse ar, e deu o passe para o gol da vitória. Foi um dos melhores da partida, ao lado de Rodrigo Caio que defendeu a nossa pequena área como um soldado. Léo Duarte também foi preciso. Porém, o nome do jogo foi Diego Alves, que fechou o gol de todas as formas possíveis, e sua habilidade lhe rendeu o título de melhor atleta da partida. Muito merecido! Claro que a substituição de Arrascaeta por Ribeiro mudou a história do confronto.

 

Quando o camisa 7 entrou, com seu fôlego novo mostrou o porquê de ser o dono da posição. Sua precisão nos passes deu tranquilidade a uma equipe que errava passes bobos, além de ter dado organização. O lado direito sofreu muito com Pará na lateral e enquanto Arrascaeta estava em campo, foi o lado do pânico. Ainda bem que os adversários não aproveitaram tanto e Renê foi mais requerido, e foi bem.

 

O capitão Diego esteve apagado a maior parte do jogo. A dupla Bruno Henrique e Gabriel Barbosa deu certo novamente, e a bola da partida saiu deles. Sem dúvidas, ainda vão brilhar bastante. E quase que Gabi Gol marcou o segundo. Quem também entrou bem foi Vitinho, que foi cuidadoso e preciso.

 

(Foto: Alexandre Vidal/ Flamengo)

 

Outro destaque, que no caso foi negativo, foi o arbítrio Néstor Pitana, argentino que apitou a última final da Copa do Mundo na Rússia. Tinha tudo para ter sido uma boa atuação, se não tivesse pipocado no segundo tempo. Numa entrada dura, sem bola e sem motivo, Alessandrini derrubou Cuellar dentro da área rubro-negra e o juiz não deu cartão algum, sendo que no mínimo deveria ter levado o amarelo. O mesmo jogador levou um amarelo na parte final por mais uma entrada dura, o que teria levado a expulsão do mesmo. Fora que deixou o time boliviano mais frouxo do que deveria, enquanto amarelou os nossos: Diego, Bruno Henrique, Léo Duarte e Diego Alves. Todos merecidos, mas ele não usou o mesmo critério para o lado oposto. Deixou a desejar, o cara que tinha tudo para mostrar o seu valor.

 

O Flamengo pecou bastante em não impor sua qualidade técnica na partida. A altitude pesou, mas não justifica a pressão sofrida já que o time local era muito inferior. Tanto que quando a equipe da Gávea colocava um pouco de ritmo, conseguiu levar algum perigo. A primeira etapa pareceu uma pelada de tantos erros de ambos os lados. Já a segunda melhorou substancialmente e os visitantes conseguiram trabalhar a bola, e levando mais susto, conseguiu balançar a rede. Os dois goleiros trabalharam mais, porém o camisa 1 rubro-negro compensou bastante.

 

(Foto: David Mercado/ Reuters)

 

A estreia com vitória foi maravilhosa, ainda mais do jeito que foi. Quebrar paradigmas é muito bom, e superação foi o adjetivo do jogo. Num grupo com três campeões, vencer o único que não foi, era primordial. Vencer fora de casa é lucro, ainda mais na altitude.

 

Bem, ainda teremos mais uma partida nas alturas em Quito. Não sei quem permite dois times lá de cima num mesmo grupo. É sorteio, eu sei, mas bom senso também não cairia mal.

 

Enfim, esse desafio deu certo. O próximo confronto no torneio será em casa, na próxima quarta (13) diante da torcida. Por favor, não dêem zebra! As próximas três partidas seguidas da Libertadores serão no Maracanã, é nossa chance de aproveitar, essa tabela maluca. Só continua Mengão! Porém antes, pela Taça Rio, teremos clássico num sábado (9), quase uma tradição, contra o Vasco, no Maraca, com mando de campo deles, às 19h. Então vamos Flamengo!

 

Paula Barcellos