Fla x Flu: a final dos sonhos na Taça Guanabara

 

“O Fla-Flu não tem começo. O Fla-Flu não tem fim. O Fla-Flu começou quarenta minutos antes do nada. E aí então as multidões despertaram.”

 

A frase do ilustre Tricolor Nelson Rodrigues sempre me vem à cabeça em véspera de clássico. Inexplicável, intraduzível, único é este jogo. E hoje, a noite será longa para Tricolor em toda a terra. Dizem que a ansiedade vem acompanhada da insônia e não posso discordar. E enquanto não chegar as quatro horas da tarde de amanhã, domingo (5), e o árbitro apitar o início da partida no estádio Nilson Nelson, o frio na barriga insistirá em permanecer.

E nosso elenco treinou forte pela manhã deste sábado (4) e nosso comandante Abel Braga cuidou da parte técnica, tática, das jogadas de bola parada e, claro sem esquecer, das penalidades máximas afinal, em caso de empate, o título será disputado nos pênaltis.

Foto: Nelson Perez

 

No entanto, o grupo tem como meta vencer e conquistar a primeira taça da temporada, a Taça Guanabara. Invictos, mostram confiança e muita concentração para o duelo. E o que nosso técnico acha disso?

“Tem tudo para ser um grande jogo. Eu fiz um coletivo muito bom. Meu time está otimista e, provavelmente, será bastante ofensivo, com três volantes”, comentou.

E é só isso que ele revela sobre a escalação para a final. Abel não deu pistas a respeito do substituto do volante Douglas, suspenso por cartão no último jogo, muito menos se o craque Gustavo Scarpa está em condições de entrar em campo (ele levou aquela entrada feia no jogo contra o Madureira e se recupera da pancada no tornozelo direito).

Só posso dizer que o time está animado e focado. Não vou antecipar a escalação, ninguém me deu essa moleza”, argumentou.

Sobre o rival e adversário ele faz questão de mostrar respeito e destacar qualidades:

“O Flamengo é um time forte e que treina e joga junto a um ano. Vamos tentar neutralizá-lo. Nós temos nossas forças e armas. Podemos explorar as fraquezas deles, assim como o Zé Ricardo tentará fazer com alguns pontos da nossa equipe”, comentou Abel.

A realização deste clássico envolveu uma série de pontos, até então inéditos no futebol, como o caso de ambos os clubes entrarem com pedido no TJD-RJ para que ele fosse realizado com os portões fechados. Tudo por conta da liminar que pediu a torcida única, por conta da violência ocorrida nos últimos confrontos entre os grandes, e que só foi derrubada na tarde desta sexta-feira (3), pelo Desembargador Gilberto Clóvis.

 

Foto: Extraída da Internet

A conquista foi possível através de uma parceria entre os clubes finalistas. E na manhã deste sábado (4), os presidentes do Fluminense, Pedro Abad, e do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, concederam entrevista coletiva na sala da presidência do clube Tricolor. Ambos exaltaram a vitória e a presença das duas torcidas na partida e pediram o comparecimento de suas torcidas, sem deixar de clamar pela paz no estádio.

“Estamos contentes com o desfecho. Tivemos atitudes no limite para a torcida ir ao jogo. Isso não é exclusivo ao Fluminense e ao Flamengo, mas a todos os clubes. É para manter a tradição de ter as torcidas cantando nos estádios. Isso deve ser preservado. Espero que isso seja constante daqui para frente. Foi um trabalho conjunto com o Flamengo, temos de agradecer ainda ao Eurico e ao Rubens Lopes que nos ajudaram. Agora cabe aos torcedores darem um bom exemplo. Mostrarem o futebol em clima de paz. Ao se encontrarem nos arredores do estádio, ao invés de olharem feio um pro outro, por que não um desejo de bom jogo, boa sorte? É o futebol que queremos”, disse o presidente tricolor.

A questão da segurança é assunto mais do que relevante neste caso. Para evitar possíveis confrontos e brigas entre as torcidas houve um consenso. Representantes do Fluminense, Flamengo, Botafogo, FERJ e órgãos de segurança do Rio de Janeiro assinaram um plano que prevê 160 policiais do GEPE, 220 homens da Polícia Militar (incluindo Cavalaria, Batalhão de Choque e Batalhão de Ações com cães), além de 300 seguranças particulares. O efetivo também contará com 138 guardas municipais e 12 policiais civis.

Com todo o esquema preparado, resta que o jogo não tarde a chegar e que vença o melhor, de preferência aquele que tem na camisa as três cores que traduzem tradição.


Carla Andrade