Fluminense conquista mais um clássico

 

 

Equipe se recupera de um primeiro tempo desastroso e vence de virada por 3 x 2

 
 

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Fluminense vence mais um clássico.

Foto: Nelson Perez

 

 

Foi um jogo em dois atos distintos. Dois tempos onde a equipe tricolor levou seu torcedor do inferno ao céu. Um primeiro tempo que despertou incredulidade a raiva e um segundo que ocasionou o delírio da arquibancada.

 

Com vinte e cinco minutos, o Botafogo abriu dois gols de vantagem, marcados por Roger, e ambos resultantes de equívocos abusivos da defesa. Falhas inadmissíveis para quem defende a camisa Tricolor. E não foi só hoje, elas se repetem jogo após jogo e parece que não adianta muito mudar os nomes dos zagueiros, pois elas se mantêm. Além disso, enorme deficiência nas tentativas de finalizações e um festival de passes errados. Parecia que o time nem estava em campo. Um elenco apático, sem garra, sem vontade que ficou a observar o alvinegro jogar, quase sempre em cima dos desacertos do Fluminense.

 

O Botafogo fez tudo o que o Tricolor deixou de fazer. Teve volume de jogo, movimentação, velocidade e uma penca de oportunidades de gol. E do lado de fora do campo, Abel Braga assistia ao espetáculo de mau gosto com uma expressão que parecia dizer: “não acredito no que vejo”. E não esqueçam que o técnico foi zagueiro na época de jogador. Acredito que em muitas vezes nesta noite, ele teve vontade de entrar em campo para ensinar como se faz.

 

No final do primeiro tempo me veio a pergunta: O Botafogo fez um partidão ou o Fluminense deixou de apresentar em campo tudo o que sabe?

 

E eis que começou o segundo tempo. E logo de cara duas mudanças, que foram imprescindíveis ao longo da partida. Um inoperante Luis Antônio saiu para a entrada de Wendel; e a troca de um irreconhecível Henrique Dourado por Pedro, com toda a sua habilidade.

 

Os dois meninos fizeram a diferença e, logo, o Tricolor reencontrou seu futebol. E a virada começou. Primeiro veio um pênalti e depois mais dois gols. E todos eles tiveram o pé do melhor em campo. Um salve para Richarlison, que bateu a penalidade máxima, fez o segundo com bela jogada e, para completar, ainda foi o responsável pelo passe perfeito que deu para Renato Chaves fazer o gol da vitória. O zagueiro pode até ter tentado se redimir com isso, no entanto, nada vai apagar o festival de lambanças que fez durante os noventa minutos.

 

Para meu temor, Richarlison precisou ser substituído por conta de fortes câimbras e advinha quem Abel convidou para jogar? Marquinho. Não sei lidar com esse jogador, muito menos entendo tamanha insistência do comandante em usá-lo. Tínhamos Marquinhos Calazans, que vem se destacando, no banco como opção. A sorte e que faltavam apenas dez minutos para o término da partida e o jeito foi torcer para que ele não mudasse o rumo da história.

 

Pouco antes do final do jogo, Guilherme, jogador do Botafogo simulou um pênalti e levou uma chamada e um cartão amarelo do árbitro. Descontente com essa não marcação, o técnico do Botafogo se alterou e foi para a beira do gramado reclamar. O resultado foi que acabou expulso. Minutos depois, o juiz encerra a partida e a torcida das três cores pôde celebrar com euforia a vitória de virada em seu “salão de festas”.

 

Visivelmente exausto, Abel Braga concedeu entrevista depois do jogo e foi aí que pude entender o motivo real desta mudança de comportamento do elenco. Ele comeu cada um deles na bronca.

 

 

O Botafogo pressionou e fez os gols no contra ataque, coisa que nós teríamos que ter feito. Não criamos nada no primeiro tempo. Faltava recuperar a bola. Aproveitei o intervalo para chamar a atenção deles sim. A gente tem que dar na cara deles mesmo. Não uso meu intervalo para conversar com juiz. Apelei mesmo, mandei para aquele lugar. Gritei tanto que fiquei sem voz. E no final do jogo disse a eles que não tiraria uma palavra do que havia dito. Perguntei a eles: será que mudamos tanto pelas alterações que fiz, colocando Pedro e Wendel? Claro que não, o time é o mesmo”, revelou.

 

 

Mas não foi só da reprimenda que ele comentou na coletiva. O comandante destacou dois dos seus jogadores.

 

 

Richarlison é um jogador raro de se encontrar no Brasil. Sabe jogar pelas costas do volante do adversário e acompanha a bola até o final. Assim como o Wendel, que fez uma partida incrível e mudou completamente o ritmo do jogo no segundo tempo”, afirmou.

 

 

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Richarlison fez partida perfeita.

Foto: Nelson Perez


 

E eles também receberam elogios de Jair Ventura, técnico do Botafogo.

 

 

Eles desequilibraram, fizeram uma partida perfeita e levaram o jogo. São muito difíceis de marcar. Só tenho que parabenizar”, disse ele.

 

 

E assim, o Fluminense venceu todos os clássicos que disputou na competição. Um presente para a sua torcida.

 

 

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Time saúda a torcida ao final da partida.

Foto: Nelson Perez



Carla Andrade