Fluminense é campeão da Taça Guanabara

Com atuações impecáveis a equipe Tricolor mostrou garra, muita alma e personalidade para bater o rival!

 

Foto de Antonio Scorza

Ao ver o time do meu Fluminense entrar em campo com a camisa “Ame o Rio”, meus olhos marejaram. Foi impossível conter a emoção de uma das melhores lembranças que guardo na memória: a conquista do Campeonato Carioca de 1995, com o gol de barriga de Renato Gaúcho. A mesma camisa foi usada naquela ocasião e isso me pareceu um aviso do destino ao que eu ainda veria acontecer.

As lágrimas me acompanharam durante toda a partida. Foi, sem sombra de dúvidas, um jogo que fez o coração palpitar e a emoção tomar conta.

O primeiro gol saiu logo aos cinco minutos numa arrancada perfeita de Wellington Silva, que pegou a bola no meio de campo e partiu em disparada e só parou quando a bola entrou no gol do Flamengo, sem condições de defesa para Muralha. Agradeço ao escorregão do Pará.

Wellington Silva abriu o placar. Foto de Nelson Perez

 

O empate deles veio na sequência. Aos sete minutos, William Arão aproveitou a sobra da cobrança de falta de Mancuello e marcou. Houve aí uma saída antecipada do Júlio César e uma tentativa louvável de Henrique Dourado, que chegou a tirar a bola do gol.

O juiz marcou um tiro livre indireto, fato raro em jogos, a favor do Fluminense, aos 15 minutos. Sornoza cobrou e a bola bateu na barreira do adversário. E seguia a partida cheia de jogadas, um verdadeiro lá e cá de possibilidades de gols. Ambos os times mostravam muita garra em campo. Até que, aos 22, uma dessas chances favoreceu a equipe do Flamengo e Everton fez o segundo deles. Uma nova falha de Júlio César que ao invés de segurar, colocou a bola na cabeça do jogador adversário. Henrique até estava no lance, mas nada pôde fazer.

O empate tricolor veio em forma de pênalti cometido por conta do desvio na mão de Guerreiro, que imediatamente percebeu a mancada e colocou a mão no rosto a lamentar. E quem bateu foi ele, o nosso Ceifador. 2 x 2.

Trinta minutos e quatro gols. Isso só corroborou a qualidade técnica dos elencos, fato que abrilhantou mais ainda o jogo. Vi excelentes jogadas a gol; poucas faltas; poucos erros nos passes e muita criatividade. Destaco a tabelinha Richarlison – Henrique Dourado. Eles criaram muito e mostraram no campo como vale a pena ensaiar as jogadas nos treinos com o comandante Abel. Léo também merece destaque pela partida perfeita que disputou. Ele abusou de suas jogadas pela lateral esquerda.

A virada tricolor não tardou. E o gol foi bem parecido com o primeiro. Desta vez o passe foi de Wellington Silva, um gigante em campo, para Lucas que correu e aproveitou a falha na marcação do rival. Fluminense faz o seu terceiro.

O segundo tempo começou tão frenético quanto o primeiro e logo nos primeiro minutos, Sornoza bateu um escanteio com perfeição e colocou a bola nos pés do Ceifador, que fez belo giro para chutar a gol. Infelizmente a bola foi no canto e Muralha a defendeu.

Com o placar favorável, o time tricolor se posicionou mais retrancado e passou a marcar com mais vigor, desarmando as possíveis jogadas rubro negras Era possível ver o time todo recuado e apenas Henrique Dourado na frente. E a vantagem do Flu deixou os jogadores do Flamengo bastante nervosos e isso foi demonstrado na forma violenta como passaram a marcar. Teve cotovelada, pernada, chute e Orejuela e Sornoza foram alvos constantes. Sem deixar de citar o Richarlison, que já estava em campo usando uma touquinha de natação, por conta do tranco que levou no primeiro tempo. Antijogo.

Abel decidiu fazer duas mudanças no segundo tempo. Tirou Henrique Dourado e apostou na velocidade de Marcos Júnior e, em seguida, colocou Marquinhos Calazans na vaga de Wellington Silva e Marquinho no lugar de Sornoza.

O Fluminense segurou o placar até os 39 minutos, quando o juiz marcou uma falta perigosa. Na verdade, perigosa foi pouco, a falta foi fatal e batida com perfeição e pelo lado de fora da barreira por Guerrero. O goleiro tricolor nem saiu do lugar, e que todo tricolor temia aconteceu: o empate que levaria a decisão para os pênaltis. E assim o foi.

Que nervoso! Que sensação horrível sentir a Taça Guanabara se esvair por entre os dedos. Culpei o Júlio César pelas falhas. Culpei Abel pelas substituições e me perguntei quem bateria as penalidades máximas. Confesso ter dito o nome do arqueiro Diego Cavalieri mil vezes e isso tudo aos prantos, com a sensação de que aquela cobrança tiraria o título do meu Tricolor.

Assistir pênaltis é para os fortes. Tremia inteira. E Lucas bateu o primeiro. Henrique o segundo. Até que foi a vez de Júlio César defender a cobrança de Réver, para meu completo espanto. Coração na boca, mãos trêmulas, suor no rosto. Foi a vez de Marcos Júnior garantir o que todo Tricolor sonhava: o título de Campeão da Taça Guanabara e a entrada direta na final do Campeonato Carioca de 2017.

 

Foto: Nelson Perez

Ah, quero agradecer ao Botafogo que tanto fez para evitar que o jogo tivesse a presença das duas torcidas. Foram 27.549 torcedores presentes. O terceiro maior público do estádio, que eles acham que é deles, no ano. Quero também agradecer ao Júlio César por ter compensado suas falhas com a defesa maravilhosa que fez. No final da partida, visivelmente emocionado, o goleiro agradeceu a Deus : “Louvado seja o Senhor Jesus”, disse ele.


A Benção João de Deus!!!!!!