FOI COM MUITA RAÇA, MUITA INSISTÊNCIA E MUITO AMOR!

Foi estranho saber que estaríamos partindo rumo a São Paulo, para assistir uma disputa de quartas de final. Nós, o time que ninguém esperava. A quinta força do Campeonato. O patinho feio.

Mas foi assim, foi assim que aconteceu.

… Quando me dei conta, estávamos classificados para as quartas de final do Campeonato mais difícil do Brasil. Tivemos uma trajetória complicada, com mudanças de técnicos, um elenco não tão forte se comparado com os  “grandes”, mas chegamos.

Ainda pela primeira partida em Campinas, mesmo com a vantagem de jogar em casa, a equipe da baixada era favorita. Mas a Macaca mostrou sua força diante da sua torcida. Foi superior e manteve o domínio de bola. Pottker foi o nome do jogo. Foi dos pés do artilheiro que saiu o gol da vitória alvinegra. A Macaca saía de Campinas com a vantagem, podendo empatar ou perder por diferença de um gol e levar a decisão para os pênaltis.

Começava então uma semana interminável. Em 29 anos de Majestoso, nunca tinha vivido tão de perto uma decisão, nunca estive tão presente. Lembro-me que em 2008 quando perdemos para o Palmeiras na final, eu com 24 anos, assisti praticamente aos jogos de casa, papai não liberava. A sensação que se eu estivesse lá meu time ganharia, não saía do meu pensamento. Lembro-me também de 2013, todos os jogos da Sulamericana, em Campinas, em São Paulo, em Mogi Mirim, no Pacaembu. Ah aquela parcela do décimo terceiro que não saiu a tempo de comprar a passagem e embarcar rumo à Argentina.

Mas ainda assim, tudo era diferente. O título parecia estar bem mais perto.

Os dias pareciam ter setenta e duas horas. Os grupos de whatsapp tinham conversas e resenhas vinte e quatro horas por dia. A imprensa que sempre nos via como o pequeno, passava a nos especular, queriam entrevistas, nos colocavam no pedestal.

Tudo combinado era só esperar. Mas ainda tinha um problema – eu trabalhava até as 22h40. Como faria para ir ao jogo? Na sexta-feira, às 19h00 fui conversar com a minha gerente. A resposta não era a que eu esperava – Li, você está em experiência, não pode trocar de horário.

Naquele momento parecia que alguém tinha tirado de mim alguma coisa muito preciosa. Com o celular em mãos, só chorava enquanto escrevia uma mensagem para o Lucas, avisando que poderia colocar alguém no meu lugar no carro. Eu não iria pro Pacaembu assistir o jogo. Foi quando antes mesmo de apertar o enviar, uma ligação me surpreendia – Li acerte com a Karlinha, troque seu horário com ela e vá assistir sua Ponte Preta. Graças a Deus ela sabia o quanto essa macaca é importante pra mim.

Tudo trocado, ingressos em mãos, mas ainda teríamos que esperar até a segunda-feira. O sábado não tinha fim, o domingo foi intenso. Dormir? Já nem sabia mais o que era isso.

Fui trabalhar na segunda passando mal. Não comi e o estômago doía. Mas que coisa era aquela, que só essa macaca safada podia fazer comigo. Estou para dizer que nem em véspera das minhas cesáreas, eu ficava tão nervosa assim, porque sabia que no dia seguinte eu estaria comemorando o nascimento dos meus meninos, mas com a Ponte é sempre uma incógnita.

Naquele dia saí às 16h00, encontrei meus amigos, meu pai e meu irmão. Partimos rumo ao Pacaembu. Numa parada básica pro lanche, encontramos na estrada vários torcedores do Santos. Naquele momento a ficha parecia cair.

 

Fonte: Gazeta Press

Chegamos tranquilamente no Pacaembu. A Chuva começou a cair e foi apertando. Parecia que até São Pedro estava abençoando a noite. Parecia que a chuva caía pra nos avisar que Ele estava lavando nossa alma com antecedência e nos avisava que o sofrimento duraria apenas alguns minutos.

Quando finalmente entramos, eu já não sentia as pernas. Elas tremiam mais que vara verde. O coração batia numa velocidade que parecia que ia saltar do peito e sair pela boca. O Pacaembu lotado me trazia mais uma vez a lembrança da final da Sulamericana, nosso Macacaembu estava lotado, estava lindo.  Mas dessa vez era a torcida adversária que fazia a festa.

Sem nenhuma novidade o time entrou para se defender. Puta que la merda, o sofrimento seria pior do que eu imaginava.

Um a zero pro Santos ainda no primeiro tempo, meu coração não ia agüentar. Só os reservas que estavam no banco, seriam suficiente pra montar outra equipe tão boa quanto a equipe titular.

O juiz – ah que juiz caseiro. Eram faltinhas pequenas que aos poucos levavam o time adversário cada vez mais perto do nosso gol. Mas ele estava lá, debaixo de muitas vaias, Aranha mostrava por que no final, seria o goleiro do Campeonato. Último minuto de jogo falta pra Macaca cobrar. Seria nossa chance de não deixar o jogo ir para os pênaltis. A frase “se não fosse sofrido não seria Ponte Preta” nunca se encaixou tanto como aquele dia. Mas ele apitou o final da partida. Sim, vamos para os pênaltis.

A sensação de que aquela partida poderia ser a última do Paulista, tomava conta da minha mente. Vanderlei sempre foi um bom pegador de pênalti.

O lado foi escolhido, os pênaltis seriam cobrados onde nossa torcida estava.

O Santos abriu o placar. Na seqüência Ravanelli marcou para a macaca – Primeira rodada 1 x 1

Nossas esperanças estavam nas mãos de Aranha e ele não nos decepcionou, na seqüência David Brás cobrou e ele defendeu. Naquele momento uma ponta de luz surgia no final do túnel.  Yago cobrou e marcou – Segunda rodada 1 x 2. E assim as cobranças seguiram. A última seria nossa e a classificação estava mais uma vez nos pés dele, nosso artilheiro Willian Pottker.

Fonte: Gazeta Press

Naquele momento assim como nas cobranças anteriores, eu não dava conta de olhar. Eu só queria escutar o grito da torcida e poder finalmente gozar da nossa tão esperada classificação.

As vaias da torcida do Santos eram insuportáveis. Só não era mais insuportável que o silêncio da nossa torcida.

De costas eu escutei o árbitro autorizar, de costas eu pude escutar um Pacaembu silenciar. De costas ouvi minha torcida comemorar e senti a mão daquele que esteve presente comigo durante todo o sofrimento, tocar minhas costas e me abraçar. Choramos juntos, ali abraçados. Alexandre, seu Célio e eu!! Pai estamos classificados.

Arquivo Pessoal

Jogadores e comissão técnica cantavam e comemoravam aquele momento junto com a torcida. Aos poucos íamos acreditando no que aconteceu diante dos olhos dos pouco mais de 1.900 pontepretanos que estavam ali.

 

 

Foi sem dúvida nenhuma, um dos jogos mais marcantes da minha vida. Um dos jogos que um dia poderei contar para os meus netos, porque já dizia a frase  “a história vivida é muito melhor que a história contada” Estar ali com quem eu mais amo na vida, quem me apresentou toda essa paixão. Poder abraçar, comemorar e chorar junto essa emoção, é algo que ninguém jamais poderá tirar de mim.

Não iremos desistir jamais de você, nossa eterna e amada Ponte Preta.

 

Li Zancheta - Ponte Preta gigante raça de Campeão