Foi sofrido, mas foi Corinthians!

Em um jogo daqueles que testam a eficiência cardíaca do torcedor, contra o Coritiba, Timão conquista a quarta vitória seguida e termina a rodada líder do campeonato.

Nem o mais sonhador dos corinthianos poderia prever o que aconteceu na Arena Corinthians na noite de sábado. Há tempos não se via um jogo com tanta “cara de Corinthians” como o visto nessa sexta rodada do Brasileirão 2016.

Com a escalação sendo escondida até os últimos minutos, o time acabou entrando em campo com apenas duas mudanças: Pedro Henrique no lugar de Vilson e Marlone, muito pedido pela torcida, no lugar de Vilson.

Apesar da troca de jogadores, á princípio, nada mudou no modo de jogo adotado nas ultimas partidas: Bom toque de bola, bem fechado e buscando o gol. Isso, perceptivelmente, fez o adversário se fechar, buscando oportunidades através do contra-ataque.

Mesmo com um jogo coletivo visivelmente melhor, o Timão demorou pra ter chances claras de gol. A primeira veio só aos 17 minutos. O Coritiba seguiu se defendendo e teria levado o primeiro gol aos 32 minutos, não fosse a falha de Luciano na cara do gol.

O contra-ataque adotado pela equipa paranaense deu resultado: Aos 46 do primeiro tempo, Negueba abriu o placar em um chute cruzado que não deu nem chances de defesa ao goleiro Walter. Começava então o desespero da Fiel.

Seriam 45 minutos para tentar salvar uma boa sequencia de um time que vinha se acertando, agradando boa parte da torcida e que, naquele momento, poderia ter toda a confiança que vinha sendo construída, perdida.

49 minutos de Corinthians

Há quem diga que a Arena Corinthians fez parte da emoção de torcer para o Corinthians ser perdida. Muitos torcedores dizem de boca cheia que “O Pacaembu é que era o lugar do Corinthians, a Arena moderna é fria, sem emoção”, alguns até acham que depois da Libertadores as coisas ficaram fáceis demais para o Corinthians e que o torcedor ficou mal acostumado.

Pois bem, o segundo tempo de Corinthians x Coritiba foi escrito para desmistificar muitos mitos e testar, não só corações, como também paixões. Debaixo de chuva, na noite de sábado, estar ali era um atestado de louco. “Louco por ti, Corinthians!”

Tite, um dos grandes responsáveis pela noite Corinthiana (Daniel Augusto Jr./Ag Corinthians)

Logo de cara, Tite fez algo que não costuma fazer: Ainda no intervalo sacou Marlone para a entrada de Giovanni Augusto e, aos dez minutos, Cristian foi substituído por Danilo. Em sua primeira jogada em campo, o camisa 20 mostrou que não estava para brincadeira: Após um corte em um defensor do Coritiba, a bola acabou sobrando em cima do goleiro.

O Coxa, porém, seguiu vivo no jogo. Apesar de estar ganhando, continuou indo pra cima dos donos da casa e tentou ao máximo ampliar o resultado, dando certo trabalho ao goleiro Walter.

Em outra atitude pouco costumeira para o treinador Corinthiano, Tite fez o inesperado: Tirou Pedro Henrique, zagueiro, para a entrada de um atacante: André. Conhecido pela retranca e pelo jogo de segurar resultado e, em caso de derrota parcial, evitar maiores catástrofes, professor Tite ativou o modo ataque, como quem entoa o mais apaixonado grito do Corinthiano. “Vai, Corinthians!”

Aos 40 minutos, quando o jogo já parecia perdido, alguns torcedores começaram a se retirar do estádio, perdendo então uma das maiores delicias de ser Corinthians: O sofrimento.

Foi aos 44 do segundo tempo, em um chute cruzado de Uendel que André, muito desacreditado pela Fiel Torcida, ralou a bunda no chão em um carrinho, sujou o uniforme e fez o gol de empate. Talvez os segundos entre o cruzamento de Uendel e a finalização de André fossem os segundos mais eternos da partida, não fosse a surpresa que ainda era reservada ao Corinthiano que ficou até o final da partida para fazer seu papel com maestria. “Eu nunca vou te abandonar, porque eu te amo. Eu sou Corinthians!”

Então, aos 49 minutos, no último suspiro, a magica de ser Corinthians aconteceu: De novo em uma jogada entre André e Uendel, dessa vez em um cruzamento do atacante para o lateral marcar de cabeça do meio da área.

Quem foi embora, se arrependeu. Quem ficou, sentiu o poder da Arena Corinthians, o poder da Fiel Torcida e o poder de “ser Corinthians”, sofrer pelo Corinthians e sentir o alivio após o sofrimento. Só quem vive e sente, sabe.

Jogadores comemoram a incrível virada após gol de Uendel (Daniel Augusto JR. Ag Corinthians)

2x1 na raça, com garra, no sofrimento e com cara de Corinthians. A quarta vitória seguida, o 27º jogo invicto na nossa casa, a partida que, por critérios de desempate, nos deixou dormir até a próxima rodada no confortável posto de líder do campeonato e sonhando um pouco mais com o hepta. Não deixando de dar méritos ao professor Tite que, surpreendentemente, ousou em suas substituições que foram fundamentais, abriu mão do jogo defensivo e foi contemplado com os frutos de um trabalho bem feito.

Que não falte raça e entrega. Apoio certamente não faltará.

“Eu sou Corinthiano, maloqueiro, SOFREDOR GRAÇAS A DEUS!”

Rumo ao Hepta!

Vai, Corinthians!

Por Victória Monteiro - Maloqueira e sofredora, graças a Deus!