FUTEBOL, A ESPERANÇA DO POVO


 

Gabriel Jesus, camisa 9 da Seleção Brasileira e um dos símbolos da geração que busca o hexa na Rússia

(Foto por: Agencia Getty Images)

 

Faltando poucos dias para a Copa do Mundo, as redes sociais voltam a ser inundadas por discursos contra a Copa do Mundo e o argumento é sempre o mesmo: “O futebol é o ópio do povo”. Millôr Fernandes ainda complementa a frase dizendo que “O futebol é o ópio do povo e o narcotráfico da mídia”.

Lembro de ter ouvido a simbólica frase pela primeira vez em uma aula de língua portuguesa da sexta ou sétima série em um texto de José Rodrigues Alves Bonfim, trazido pelo professor para discussão em sala. A proposta era ler o texto e elaborar outro, discordando ou concordando da argumentação proposta pelo autor. Bem.... Já sendo uma fã de futebol, na época, contra argumentei e discordei completamente do texto base. Nem preciso dizer que minha nota não foi das melhores.

Com o país em meio a uma de suas maiores crises políticas, que começou a dar seus primeiros sinais ainda na última Copa do Mundo, realizada no Brasil, há quem acredite que a competição seja suficiente para mascarar e desviar do cenário político as atenções da massa.

O fato é que, embora ao longo dos anos a Copa do Mundo tenha perdido parte da sua magia, ainda é, assim como as olimpíadas, um evento que une povos e celebra o agente tão importante e transformador que é o esporte. Ver os atletas vencendo a competição, é como recuperar um pouco da autoestima e ver, do sofá da própria sala, um exemplo claro de que o brasileiro ainda tem capacidade de vencer na vida.

O futebol tem papel importante na vida de muitas crianças brasileiras e, enquanto a classe política segue fechando os olhos, é ele quem dá esperança, vida, educação e disciplina para tantas crianças e jovens que têm como destino certo as margens da sociedade. Um exemplo claro disso é o atacante Gabriel Jesus, que hoje aos 21 anos é o camisa 9 da Seleção Brasileira, mas há 4 anos atrás, com o Mundial acontecendo no país dele, na cidade dele, viu a competição pela TV e ajudou a decorar as ruas da comunidade onde morava, na periferia de São Paulo.

É fato que, com a “sorte” de Gabriel, são poucos. Mas ver o exemplo dele, assim como ele possivelmente viu Ronaldo, Adriano, Ronaldinho, anos atrás, faz os próximos Gabriéis não desistirem tanto de serem jogadores de futebol, como de serem médicos, engenheiros, advogados e o que mais quiserem, mesmo que a realidade seja dura e o futebol tenha que ser uma válvula de escape.

 

 

Gabriel Jesus, há quatro anos atrás.

(Foto: Redes oficiais do jogador )

 

Desde o futebol, a novela, a música, passando pela aspirina e por drogas lícitas, todos nós temos nosso próprio ópio. O mundo seria muito melhor se todos eles tivessem como maior dano uma dor de garganta por tanto gritar pelo time do coração na arquibancada ou mãos vermelhas de tanto se apertar durante uma partida da Seleção Brasileira, ou ainda se todos os ópios tivessem o poder de mudar a vida de tantas pessoas, sejam elas atletas ou torcedoras, assim como o futebol faz.

Política não é futebol e não deve ser tratada como Fla-Flu e jogo de extremismos. Dá para acompanhar a Copa e se indignar com a situação do país e até sonhar que o Brasil repita, como país, o desempenho dos campos e seja 5 estrelas também na saúde, na educação, na moradia e no social. O brasileiro que sofre todo dia com a desigualdade social não vai deixar de sofrer, mas merece ter um respiro, uma faísca de esperança e a chance de ter pelo que comemorar. O futebol não é o ópio do povo, é a esperança dele.

 

Por Victória Monteiro.