Garçom: Põe mais três na conta, por favor!

Dudu serviu aperitivo, prato principal e sobremesa! E o Palmeiras garantiu a invencibilidade, chegou à liderança e mostrou muita consistência em campo.

 

Foto: Palmeiras Oficial

 

A vitória do Palmeiras ontem pra cima do Santa Cruz teve um sabor especial. Não sobrou tempero para a tarde de sábado.

Era o jogo de número cinquenta na nova Arena. Além disso, a invencibilidade em casa e a busca pela liderança estavam em jogo. Elementos, que prometiam encher a partida de muita emoção.

O que o torcedor viu em campo, há muito não se via. O Palmeiras mostrou muita consistência. Tudo funcionou bem. Muito bem, diga-se de passagem. Toque de bola, passes cirúrgicos, tabelas e até jogada ensaiada. O time de Cuca deu um show de bola.

Festa nas arquibancadas e na beira do campo também. O técnico, conhecido por assistir a tudo com olhos bem atentos, aprovou o desempenho da equipe, que confirma o seu trabalho. "Estamos no caminho certo", disse o treinador.

Os primeiros momentos da partida foram truncados. O time de Pernambuco optou por se defender, para “não tomar goleada do time da casa”, nas palavras de um dos jogadores do tricolor nordestino, no intervalo do jogo. Postura que de fato, evita a goleada, mas geralmente, não traz possibilidade de criação. O Santa Cruz se limitou a colocar todos os seus jogadores na defesa.

Apesar do jogo fechado, proposto pelo adversário, o Alviverde se encheu de ofensividade e foi pra cima. Teve dificuldade de avançar, mas logo no começo da primeira etapa, já mostrava domínio do jogo.

As primeiras chances vieram aos doze e aos dezessete minutos, ambas de faltas cobradas. Mas o goleiro adversário estava atento e impediu que o Verdão abrisse o placar.

O Palmeiras, que a essas alturas mantinha a posse de bola, continuou pressionando e aos vinte e dois minutos, mais uma chance e mais um "quase". Roger Guedes conseguiu disparar um chute, que foi espalmado por Tiago Cardoso.

Em seguida, foi a vez do menino Jesus tentar. Depois do lançamento preciso de Moisés, ele encheu o pé. Mais uma boa defesa do goleiro pernambucano.

Só dava verde. E o gol parecia estar chegando.

Chegou, no momento seguinte. O "profeta", excelente em campo e conhecido pela força com que lança a bola na lateral, colocou a redonda dentro da área, nos pés de Cleiton Xavier. Depois de dividir com o goleiro adversário, a bola sobrou novamente nos seus pés dele e dele para o oportunista Dudu, que não perdoou e estourou a rede.

O time de Cuca parece estar aprendendo uma lição importante e que se configurava como um dos maiores erros da equipe: a acomodação depois do gol. Ontem isso não aconteceu. O Verdão manteve a força ofensiva e continuou inteiro no ataque. Atitude que geralmente é premiada no placar.

Se os deuses do futebol punem quem não se posiciona em campo, eles gostam de presentear aqueles que "comem a bola". E não importa se o relógio já anunciou os acréscimos... Tudo pode mudar a qualquer segundo! Mas isso todo mundo já sabe.

E foi aí que aos quarenta e sete, uma falta na boca da área aconteceu. Os jogadores se decidiram por uma jogada ensaiada. Egídio tocou para Cleiton Xavier e ele ajeitou bonito para Jean, que bateu no canto esquerdo do gol adversário. Um belíssimo gol. Assinado pelo volante. “Cantado” pelo professor. E comemorado por todos nós.

O segundo tempo mal havia começado, quando o Santa Cruz marcou o seu gol. Grafite cabeceou um cruzamento de João Paulo, sem defesa para Prass. O gol estava impedido. Mas evidenciou uma falha da defesa do Palmeiras, que deixou o atacante livre de marcação para subir e cabecear.

No minuto seguinte, mais um susto, o bom jogador Keno, não tomou conhecimento do time da casa e disparou um chute que tinha endereço certo, passando bem perto do gol de Prass.

Não havia dúvidas de que o adversário tinha voltado de outra forma e que possivelmente viria para cima.

Mas para felicidade absoluta da torcida e do comandante, o Verdão não mudou sua postura e com muita inteligência fez a leitura do jogo, não permitindo que a melhora do adversário, se configurasse em ameaça. A troca de passes e a criação de jogadas continuaram funcionando bem.

Gabriel Jesus, que estava apagado no jogo, recebeu uma dura de Cuca. “Está tudo bem com você Gabriel?” “Sim” respondeu o garoto do Verdão. “Então entra no jogo”, disparou Cuca.

Ele entrou. E entrou pra valer. Aos vinte minutos, arrancou com a bola pela direita e viu Dudu, sempre ele, muito bem posicionado. O menino cruzou para os pés de craque do número sete, que só teve o trabalho de tocar a gorduchinha pra dentro. 3x1 e uma explosão de alegria na Arena que estava vestida de verde e branco. A torcida entoou o seu glorioso hino e ovacionou o nome de Dudu. Mais um gol, mais um dele!

O baixinho cheio de personalidade devolveu o presente do menino Jesus, dois minutos depois, fazendo um passe que deixou o camisa trinta e três na cara a cara com o arqueiro adversário. Mas ele não conseguiu transformar a boa jogada em gol.

O Santa Cruz ainda esboçou reação, mas faltou a sorte, que também acompanha o futebol. Passava dos trinta minutos, quando o time visitante fez uma jogada muito perigosa, obrigando Fernando Prass a fazer uma defesa à queima roupa. A bola escapou, mas bateu na trave.

A entrada de Cristaldo animou a torcida, que chamava pelo seu nome. Thiago Santos e Fabrício também entraram. Mas apenas tiveram o trabalho de administrar o resultado positivo.

Os palmeirenses foram dormir felizes da vida, líderes do campeonato e se sentindo invencíveis em casa. Mas o mais importante foi ver que o casamento entre o técnico Cuca e o elenco, está indo bem.

A paixão do início deu lugar a um relacionamento sólido e estável. Dizem as boas línguas que isso se chama amor e que pode durar.

Que assim seja. Amém.


por Ale Moitas