GIOVANNI, O MESSIAS DA VILA.

Existem jogadores que ficam marcados na memória dos torcedores e na história de uma equipe, as vezes, pela identificação com o clube, o diferencial dele dentro e fora de campo, um título conquistado, ou aquela partida marcante que o jogador se sobressaiu e que a torcida faz questão de recordar depois de muitos anos e passar para as gerações seguintes. Giovanni se encaixa em cada uma dessas opções.

Faço parte de uma geração de santistas que cresceu ouvindo falar de 95 e do jogador do cabelo vermelho que fez toda a diferença naquele ano, que fez o torcedor santista voltar a sentir alegria em torcer. Cresci querendo ter uma oportunidade de poder um dia ir ao estádio e poder vê-lo vestindo a camisa do meu time... E eu vi.

Hoje terei a honra de contar um pouco mais da história de um meio campista que fez história em três passagens vestindo a camisa alvinegra e conquistou gerações, afinal, também sou uma TESTEMUNHA DE GIOVANNI.

Foto: Reprodução Internet

O COMEÇO

Giovanni Silva de Oliveira, nasceu no dia 4 de fevereiro de 1972, na cidade de Abaetetuba, no Pará. Começou a carreira de jogador no time de base da Tuna Luso em 1990, e logo se destacou na equipe. Ainda no Pará passou pelas equipes do  Remo e Paysandu, até ser contratado pelo Sãocarlense – SP, onde teve boas atuações chamando  a atenção das diretorias de Palmeiras e Santos. Sim, torcedor, por pouco nosso Messias não vestiu a camisa de um dos nossos rivais. Sendo assim, o jogador chegou a equipe santista em 1994.

O jogador estreiou na equipe santista em 22 de outubro de 1994, contra o Botafogo, na Vila Belmiro, sob olhares desconfiados da torcida, Giovanni entrou como titular na partida, depois de 3 meses de treinamento e sem espaço na equipe, deu assistência para Guga durante o jogo que resultou no primeiro gol da vitória santista por 2x0 naquela ocasião. Segundo a imprensa, naquela partida o meia-atacante foi um dos melhores em campo. E aos poucos, foi ganhando a confiança e o carinho da torcida.

Em 1995, Giovanni conquistou seu espaço e se tornou titular absoluto na equipe. Sem dúvida alguma, este ano foi o mais marcante da carreira do atleta no Santos, que fez com que ele entrasse na historia do clube e se tornasse ídolo pelas partidas memoráveis que o jogador protagonizou durante o Brasileiro de 95 levando a equipe até a fase final.

Entre essas partidas marcantes estão os jogos das semifinais e finais do campeonato brasileiro daquele ano.

A primeira partida da semifinal foi realizada no Maracanã, no dia 7 de dezembro de 1995. A equipe do Fluminense aplicou uma goleada de virada na equipe santista por 4x1, e o único gol da equipe santista foi marcado por ele:  Giovanni. No final da partida, mesmo com o resultado ruim, os jogadores santistas se mostravam confiantes, principalmente ele,  Giovanni, nosso Messias que ainda disse uma frase profética sobre a segunda partida:

“- Nós vamos vencer e eu vou fazer dois gols!”

Foto:Uol Esportes

E vencemos! A equipe santista precisava ganhar por 3 gols de diferença para garantir uma vaga para a final, algo que nenhum outro time naquela época havia conseguido fazer contra o Fluminense durante aquele campeonato. O Santos precisaria de um milagre, de uma tarde completamente inspirada de Giovanni e companhia, algo que muitos não acreditavam que aconteceria. E nosso camisa 10 brilhou, foi o maior destaque da equipe na partida, cumpriu a promessa de fazer 2 gols, deu assistências, protagonizou um dos momentos mais lindos e emocionantes para o torcedor santista: a permanência da equipe no gramado durante o intervalo... E por fim, garantimos a vaga na final por 5x2 e disputaríamos o título com o Botafogo.

Chegou então o dia da primeira partida da decisão  contra o Botafogo no Maracanã em 14 de dezembro de 1995. Um duelo de alvinegros, no qual o alvinegro carioca saiu na frente com Wilson Gottardo. O Santos foi pra cima empatando a partida com Giovanni aos 38 minutos, e aos 44 minutos Túlio Maravilha voltou a deixar a equipe botafoguense na frente. Segunda etapa sem gols. Fim de jogo, 2x1. Já a segunda partida, foi marcada por um grande erro de arbitragem, que tirou o título da equipe santista. A partida terminou em 1x1, ambos os gols feitos de forma irregular, que o juiz considerou legal, e o único gol válido da equipe santista no fim do jogo, o árbitro anulou. Título que poderia ter coroado o belo campeonato feito pela equipe santista e por Giovanni que se tornou ídolo mesmo sem a conquista do título.

Em 1996 então, veio o primeiro título de Giovanni com a camisa do Peixe, o Torneio de Verão, conquistado em cima do Corinthians em plena Vila Belmiro, onde o  jogador mais uma vez fez uma bela atuação e até aplicou um chapéu em Marcelinho Carioca, que o desnorteou e foi substituído logo em seguida.

Neste mesmo ano, o atleta foi transferido para o Barcelona onde permaneceu por 3 anos e conquistou títulos como o Campeonato Espanhol (1997/98, 1998/99), a Copa do Rei (1996/97, 1998/99), a Supercopa da Espanha (1996), a Recopa Europeia (1997) e a Supercopa Europeia (1997). Foi convocado para a Seleção Brasileira e lá conquistou a Copa América de 1997 e o vice-campeonato mundial da França em 1998.

Foto: Terceiro Tempo

Em 1999, Giovanni saiu do Barcelona e foi para o Olympiakos-GRE, onde se tornou um dos melhores jogadores do time grego, onde jogou até 2005, quando acertou seu retorno ao Santos, equipe que o projetou.

O RETORNO - 2005/2006

Giovanni retornou a equipe santista em 2005, teve belas atuações durante a temporada, porém, este foi o ano no qual o campeonato nacional teve alguns jogos anulados e suspeita de fraude para beneficiar a equipe do Corinthians na competição. E foi esses dois jogos que marcaram de certa forma essa segunda passagem do atleta. Um dos jogos anulados no campeonato foi Santos 4x2 Corinthians, onde Giovanni fez uma bela atuação marcando dois gols. Houve uma nova partida, na qual houve erros de arbitragem que favoreceram a equipe corinthiana e lances muito polêmicos, e o Santos perdeu por 3x2.

Em forma de protesto, cansado por ver seu time sendo sempre prejudicado por arbitragem, Giovanni na saída de jogo chutou a bola para a arquibancada, para expressar sua revolta.

Já no ano de 2006, o jogador foi aproveitado pelo clube apenas em uma partida e foi dispensado pelo técnico Vanderlei Luxemburgo.

Entre 2006 até 2009, Giovanni atuou em equipes da Arábia Saudita, Grécia e Brasil (Sport e Mogi Mirim), mas não obteve tanto destaque como na equipe santista.
 

UM BOM FILHO, A CASA TORNA.

Em 2010, com a mudança de diretoria da equipe santista, Giovanni retornou ao Santos, com a esperança de conquistar títulos pelo clube, já que muitos dizem que o Torneio de Verão não seria contado como um título. 

O retorno do jogador foi muito comemorado pela torcida santista, que reestreiou no dia 17 de janeiro de 2010, contra o Rio Branco, atendendo aos pedidos da torcida alvinegra, Dorival Jr, técnica da equipe naquele momento, colocou Giovanni em campo no lugar de André.

O primeiro e único gol da terceira passagem na equipe alvinegra aconteceu no dia 14 de fevereiro de 2010, contra o Rio Claro. A partida estava empatada em 1x1, e aos 44 minutos do segundo tempo, Giovanni marcou para a equipe santista.

Apesar de ter feito apenas um gol nessa terceira passagem, o jogador fez parte da equipe campeã paulista e campeã da Copa do Brasil em 2010. Coroando enfim, a carreira do grande jogador que merecia ter em sua galeria de títulos conquistas pelo seu time do coração, o Santos Futebol Clube.

Foto: Reprodução Internet

Giovanni sempre deixou claro o seu amor pela equipe santista e sua gratidão pela torcida alvinegra, em suas redes sociais é possível ver declarações apaixonadas ao alvinegro praiano. Um jogador que sem dúvidas, honrou nossa camisa e mesmo fora dos gramados será sempre lembrado com carinho por toda a nação alvinegra.

Tive a oportunidade de vê-lo em campo apenas uma vez contra o Naviraiense na Copa do Brasil em 2010, e como torcedora, senti uma emoção imensa de ver um jogador que cresci ouvindo grande histórias, dentro de campo e eu poder estar tão perto dele, afinal, eu também sempre quis ser uma testemunha do belo futebol que Giovanni sempre jogou.

Ao todo, em suas três passagens, disputou com a camisa alvinegra 138 jogos e marcou 73 gols. Porém, marcou seu nome na história santista, pelo seu espírito guerreiro e vencedor além do amor a camisa e identificação com o clube.

Ele não teve uma despedida como deveria, mas hoje faço questão de aproveitar este espaço e agradecê-lo por tudo que fez pelo Santos Futebol Clube. Em nome de toda a nação alvinegra, MUITO OBRIGADA, G10, NOSSO ETERNO MESSIAS.

Carolina Ribeiro