GUARANI EM 1986: O TÍTULO QUE NÃO VEIO POR UM MINUTO.

 

 

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Fonte: Retrato na parede

 

O Campeonato Brasileiro de 1986 foi uma piada de mau gosto, assim como a maioria dos Campeonatos Brasileiros do nosso futebol, até começar a Era dos pontos corridos.

 

Ele foi disputado por 44 equipes na primeira fase, divididas em 4 grupos de 11 times cada, que deveriam jogar entre si, em turno único, e decidir os seis primeiros classificados para a próxima etapa. No entanto, como é praxe no nosso país, houve confusão quanto aos classificados e o Vasco, insatisfeito por ter ficado de fora, entrou na Justiça para impugnar a classificação do Joinville, que por sua vez, entrou na Justiça para garantir a vaga. No fim, a CBF classificou os dois, mas iria deixar a Portuguesa de fora (sempre ela), que no apagar das luzes, entrou na Justiça e garantiu sua vaga. Para não ficar com um número ímpar de times na segunda fase e ter dificuldades em montar a tabela, a CBF teve a “grande ideia” de promover mais três clubes. Ganharam a vaga, literalmente, os pernambucanos do Santa Cruz e do Náutico, e os brasilienses do Sobradinho.

 

Na segunda fase, os clubes foram separados, novamente, em 4 grupos, agora com 9 clubes em cada, jogando entre si em turno e returno, se classificando os quatro primeiros de cada um deles para as oitavas-de-final. O Guarani, que tinha um timaço na época, se classificou com tranquilidade nas duas primeiras etapas. Na primeira fase foi o segundo colocado do grupo C, ficando atrás apenas do Bahia (outro timaço), e na segunda foi o líder do grupo J, fazendo gigantes do futebol, como Fluminense, Flamengo e Grêmio comerem poeira e o restante ter de bater continência para o melhor time da segunda fase, no geral.

 

Com isso, o Guarani teve a vantagem de decidir todos os mata-matas em casa. Nas oitavas, pegou o reclamão Vasco e deu duas sapatadas, que fizeram, certamente, a equipe cruzmaltina ter se arrependido de ter recorrido ao Tapetão para passar da primeira fase: foram 3 a 0 para o time campineiro fora de casa e 2 a 0 em casa. Nas quartas, o adversário foi o Bahia e a dificuldade se mostrou maior. No primeiro jogo, fora, um empate em 2 a 2, disputadíssimo. Já no retorno, em Campinas, um 1 a 0, magrinho, levou o alviverde para as semifinais. Lá, encarou o Atlético-MG e, assim como na fase anterior, empatou fora, desta vez por 0 a 0 e em casa fez 2 a 1, para passar à final, contra o São Paulo.

 

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Fonte: Imortais do futebol

 

A FINAL

 

No primeiro jogo, no Morumbi, o placar foi de 1 a 1, repetindo a sina das duas fases anteriores, onde o time empatou o primeiro jogo, fora de casa. Na segunda partida, no Brinco de Ouro da Princesa, estádio do Guarani, um dos jogos mais épicos da história do futebol brasileiro, que imortalizou uma edição do Brasileirão que tinha tudo para passar como um fiasco, por sua falta de organização.

 

Em um estádio lotado, com 37.370 pagantes, o Guarani abriu o placar logo aos dois minutos de jogo, com um gol contra do lateral-esquerdo são-paulino, Nelsinho. Porém, sete minutos depois, Bernardo deixou tudo igual para o São Paulo. No segundo tempo, ponto negativo para o lance do final do 2º tempo, no qual o Guarani tem um pênalti escandaloso não marcado. A igualdade não saiu do placar e a partida acabou indo para a prorrogação, conforme previa o regulamento. Assim como no tempo normal, logo aos dois minutos da prorrogação, o São Paulo virou o placar, com Pita. E assim como no tempo normal, pouco depois, aos sete minutos, Boiadeiro deixou tudo igual novamente.

 

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Fonte: Terceiro Tempo Uol

 

No segundo tempo da prorrogação, o negócio ficou ainda mais sério para quem gosta de uma emoção: aos 5 minutos, João Paulo fez 3 a 2 para o Guarani. Como ironia do destino, no penúltimo minuto, ou seja, aos 14 do segundo tempo da prorrogação, Careca empatou mais uma vez e fez o jogo ir para os pênaltis. Os Deuses do Futebol, fanfarrões que estavam naquele dia, fizeram o favor de que dois dos artilheiros do dia, João Paulo, do Guarani, e Careca, do São Paulo, errassem suas cobranças. Apenas Tosin, Valdir Carioca e Evair converteram para o Guarani. No São Paulo, Darío Pereyra, Fonseca, Rômulo e Wagner Basílio balançaram as redes e deram o bi para o São Paulo...

 

Escalação do Guarani: Sérgio Nery; Marco Antônio, Ricardo Rocha, Valdir Carioca e Zé Mário; Tosin, Tite (Vagner) e Boiadeiro; Catatau (Chiquinho Carioca), Evair e João Paulo. Técnico: Carlos Gainete.

 

Escalação do São Paulo: Gilmar; Fonseca, Wagner Basílio, Darío Pereyra e Nelsinho; Bernardo, Silas (Manu) e Pita; Müller, Careca e Sidnei (Rômulo). Técnico: Pepe.

 

Guarani Futebol Clube, o campeão moral de 1986.

 

Fernanda Martins, bugrina de coração.