Guerrero... Herói ou vilão?

 

 

 

Com status de atacante decisivo, uma Copa Libertadores e um Mundial no currículo, assim foi a chegada de Jose Paolo Guerrero Gonzáles no Flamengo. Atacante de 33 anos, ídolo e capitão da seleção Peruana.

Contratado em 2015, logo em sua primeira partida já foi consagrado com um gol e deu assistência ao segundo, na vitória rubro-negra, em partida contra o colorado gaúcho, na casa do adversário. Vitória que deu ânimo à torcida flamenguista, já que o time não “andava” muito bem no Campeonato Brasileiro daquele ano. Na partida seguinte, em que fez a sua estreia pelo time carioca no Maracanã, Guerrero sagrou a vitória do Flamengo com o único gol da partida, sobre outro gaúcho, dessa vez a vítima era o Grêmio. Gol que fez a torcida entoar de ponta a ponta a mesma música:

 

 

“acabou o caô...

O Guerrero chegou...

O Guerrero chegou...

Ô... Ô... Ô...”

 

 

Pronto, estava ali batizado e consagrado como um possível novo ídolo do clube, mas não foi bem assim. Apesar do apelido de “el matador”, Guerrero nunca foi conhecido como o atacante artilheiro e sim, o atacante decisivo, deixando isso bem claro quando amargou cinco meses sem marcar gols e voltando a balançar as redes só em janeiro de 2016.

 

 

Torcedores.com

 

 

Ahhh 2016... Ano em que teve suas glórias! Guerrero foi um dos principais nomes do clube na briga pelo titulo brasileiro, que acabou escapando das “mãos” cariocas nas últimas rodadas. Grandes participações em gols decisivos, mostrou que é bom em fazer pivô, um grande dominador de bola, podendo dar excelentes assistências à seus colegas de equipe e marcando o seu ano como artilheiro do time. 18 gols pelo Flamengo, maior artilheiro estrangeiro do clube, ficando atrás apenas do ídolo da nova geração: Petkovic.

Mas isso ainda não lhe garantia o status de ídolo de um dos maiores clubes do Brasil. Precisava de mais, precisava provar mais, precisava levantar um caneco e a torcida esperava um título daquele “hombre”, ou melhor: O TÍTULO. E assim iniciou 2017, ano de expectativas, ano de euforia por parte de nós torcedores, fanáticos e apaixonados pelo Clube de Regatas do Flamengo. O ano anterior tinha batido na trave e como diria nossos rivais, ficamos só no “cheirinho”. Competições não nos faltaram naquele ano, pelo menos algum caneco importante ele levantaria para se sagrar um novo ídolo. Na lista de disputas tínhamos: Carioca, Primeira Liga, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e a tão sonhada Libertadores, que todos nós da nova geração, esperamos ter a glória de vivenciar. Ter a alegria dos nossos pais e avós que gozaram de uma Libertadores e um Mundial.

Começamos o ano bem, ou melhor, Paolo Guerrero começou o ano bem! Se destacou como artilheiro, melhor início de temporada da sua carreira e foi o nome do título carioca. Passou a assumir a liderança da equipe, já que o meia Diego se lesionou na Libertadores.

 

 

Flamengo Resenha/Staff Images

 

 

Mas a euforia de vivenciarmos o ano mágico de 81 foi por água abaixo, ou melhor, o ano do possível ídolo foi um grande revés. O Flamengo acabou encerrando a sua participação, ainda na fase de grupos na Copa Libertadores e foi eliminado da Primeira Liga.

Ídolo em seu país e titular absoluto da sua seleção peruana, Guerrero ainda iria amargar o gosto de mais uma derrota: o doping. O exame que deu positivo foi realizado após o confronto da sua seleção contra a Argentina, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, em outubro. Jornais anunciavam que o metabólito encontrado no teste de Guerrero era compatível com cocaína. Enquanto o Flamengo tratava de dar explicações e atribuir a substância encontrada a um chá de coca para diminuir efeitos da altitude, o atacante permanecia em silêncio. A torcida nas redes sociais se dividia em defender, acusar ou zombar. Críticos e comentaristas davam sua pena máxima como certa e sua carreira dada com um ponto final, já que o atleta tem 34 anos. E o silêncio dado por ele continuava a incomodar.

Enquanto isso o veredito da FIFA ia sendo anunciado e declarada à condenação de um ano de suspensão. Após o anúncio da federação, o atleta resolveu se pronunciar à TV, declarando a sua inocência e a sua decisão por recorrer à sentença dada a ele.

Em meio a tudo isso, Guerrero teve seu vínculo de atleta do clube carioca ameaçado e correu o risco da não renovação de seu contrato. Guerrero ainda viu o rubro-negro carioca assinar com um dos artilheiros da temporada passada e o seu posto de titular após uma possível volta, ficar distante.

Além disso, assistiu de longe a classificação de sua seleção para a Copa do Mundo, feito histórico já que faziam 35 anos que o Peru não participava da competição. Contudo, seus companheiros não deixaram de o homenagear em cada jogo.

Conseguindo em dezembro reduzir a sua pena pela metade, após entrar com um recurso junto à Comissão de Apelação da FIFA, assinou um novo contrato com o Flamengo com algumas cláusulas e teve seu nome lembrado pela torcida na fase de entrosamento de Henrique Dourado.

 

 

Marcondes Brito

 

 

E chegamos hoje (03), a mais um capítulo dessa história e a mais um julgamento para saber se Guerrero defenderá sua seleção e o Clube de Regatas do Flamengo ou se será condenado e esquecido pela nação rubro-negra.

 

 

Por Rayane Almeida