HÁ 105 ANOS FAZENDO HISTÓRIA NO RN

 

Eis que chegamos aos 105 anos de história do Orgulho do RN e como bem aludido nas entrelinhas do seu cântico principal: “Meu coração vibra nas suas cores”. Do inicial azul e branco ao atual vermelho e branco, nós colorimos leste, oeste, norte e sul. E somos, além do seu maior patrimônio, o seu principal patrocinador.

 

(Foto: América FC Natal)

 

Neste ano, trago a proposta de rever alguns fatos históricos do futebol potiguar que poucos abordam. Nos últimos tempos, a produção de teses, dissertações, artigos científicos ou pesquisas específicas relacionadas ao futebol têm sido temáticas recorrentes. Isso nos leva a enfatizar o recente trabalho realizado por dois torcedores do América de Natal.

 

Ao longo da história do Clube, como citado na pesquisa de Renan Mateus e Ernesto Teixeira, foram 17 competições oficiais disputadas que vão do âmbito estadual (Campeonato Estadual do RN, Copa Rio Grande do Norte, Taça Cidade do Natal, Torneio Municipal de Natal), regional (Copa do Norte-Nordeste, Copa do Nordeste, Torneio Norte-Nordeste de 1976), nacional (Campeonato Brasileiro da Série A, Série B, Série C, Série D, Taça Brasil, Copa do Brasil, Copa União, Copa João Havelange) e internacional (Copa Conmebol), além das seletivas classificatórias regionais e nacionais.

 

Este trabalho reuniu dados coletados em diversos materiais, além da contribuição do historiador Marcos Trindade, a partir de um recorte temporal de 1944-2020, com o intuito de listar e evidenciar os maiores artilheiros alvirrubros. A justificativa para tal decorre da escassez de material nos anos anteriores.

 

E falando em anos anteriores...

Henrique Araujo, do blog Curiozzzo, escreveu uma matéria sobre a chegada do futebol ao Rio Grande do Norte, do qual separei alguns pontos importantes.

 

O primeiro deles é o apontamento de que os irmãos Fabrício e Fernando Pedroza trouxeram a primeira bola ao RN em 1903. Eles, assim como o precursor Charles Miller, eram estudantes que conheceram o futebol em terras inglesas e o trouxeram ao Brasil. Além disso, ao que tudo indica, eles também criaram o primeiro clube do estado, em 12 de outubro de 1904, o Sport Club Natalense.

 

Aqui no estado, como relatado por Henrique Araujo, os jogos aconteciam em terrenos descampados, mais precisamente onde hoje estão localizadas as praças André de Albuquerque e Pedro Velho. No entanto, o respeito às regras do esporte tardou, em virtude do desconhecimento, e o amadorismo se estendeu até 1915.

 

Em 1915 foram fundados os três primeiros clubes da capital natalense: nosso rival, em junho; o Orgulho do RN, em julho; e o Alecrim, em agosto. 

 

(Foto: América FC Natal)

 

Nas palavras de Sidney Barbosa da Silva, do portal Campeões do Futebol, a primeira partida oficial ocorreu no mesmo ano em que "a Federação Norteriograndense de Futebol (FNF) foi fundada, em 14 de julho de 1918, com o nome de Liga de Desportos Terrestres do Rio Grande do Norte - sucessora da Liga de Esportes Terrestres (fundada em 1916). O seu primeiro presidente foi o líder do movimento dos escoteiros no Rio Grande do Norte, Luiz Soares de Araujo. A Federação já foi também chamada de Associação Riograndense de Atletismo, e também de Federação Norteriograndense de Desportos (FND). Os clubes fundadores foram o ABC, o América e o Centro Esportivo Natalense, de acordo com o estatuto da própria FNF."

 

Curiosamente, o primeiro título do América foi o estadual de 1919 e o último conquistado até o momento foi o estadual de 2019. A pandemia da Covid-19 fez com que as atividades fossem paralisadas desde março e com isso, ainda não temos o campeão estadual do corrente ano. Situação semelhante a de 1918, quando o primeiro campeonato estadual foi paralisado em razão da Influenza (gripe espanhola). Conforme narrado por Ícaro Carvalho, em matéria publicada no Tribuna do Norte, em média 27% da população mundial foi afetada, inclusive o presidente eleito da época, Rodrigues Alves, que sucumbiu à doença.

 

Avançando um pouco até outro momento histórico, encontrei no sítio Tok de História, o texto de Rostand Medeiros, sobre o primeiro jogo internacional de futebol em solo potiguar. O América, campeão estadual de 1930 era considerado o melhor time do estado, portanto, jogaria contra os ingleses do cruzador H.M.S. Dauntless, recém chegado ao porto de Natal. O duelo ocorreu no Estádio Juvenal Lamartine, em 30 de agosto de 1931, e o resultado foi favorável ao Alvirrubro de Natal, que venceu os ingleses por 4 a 2.

 

(Foto: Tok de História)

 

Mas falar de história americana sem citar que, dos clubes potiguares, é o único com participações na Série A do Campeonato Brasileiro e o único a ser Campeão do Nordeste, garantindo vaga do na Copa Conmebol, é omitir nossa grandeza. Como bem frisado pelo portal Acervo da Bola, nos anos 70 oficializou-se como o Orgulho Potiguar. De lá para cá, acumula grandes momentos que não serão apagados jamais. Dentre eles, consagrou-se Campeão Centenário em 2015, sob o comando do técnico Roberto Fernandes que agora, em 2020, retornou ao Mecão.

 

O futebol potiguar tem muita história para ser explorada e conhecer suas raízes é de extrema importância para entender o atual cenário em que vivemos. Cada detalhe do passado foi determinante para construir o nosso presente. Então, falar de América também é falar do Rio Grande do Norte e vice-versa.

 

Para finalizar, fatos mais recentes marcam a nossa história para gerações seguintes. Na lista de artilheiros dos alvirrubros Renan Mateus e Ernesto Teixeira, dentre tantos, consta o nome de  Max Brendon - o Homem de Pedra (78 gols), Lúcio Curió (48 gols), Adriano Pardal (44 gols), Cascata (33 gols) e Rodrigo Pimpão (26 gols). E o que há de comum entre eles? Fizeram história da qual eu pude presenciar.

 

Parabenizo o meu América Futebol Clube por toda sua rica contribuição na história do futebol potiguar. E que a próxima geração possa olhar para o passado e enxergar a nossa superação. Fazemos parte de uma torcida fiel, notadamente, recordista de público na Arena das Dunas, ficando atrás apenas dos jogos da Copa do Mundo. Uma torcida compromissada que em plena pandemia adquiriu ingressos solidários para auxiliar nas despesas da intertemporada, totalizando R$ 25.670,00. E uma torcida extremamente apaixonada que transmite força aos atletas, sem nunca abandonar. Novamente, em referência ao nosso hino: “eu sou América e tenho ORGULHO DE SER, porque o América em tudo é o melhor”.

 

Por Amanda Oleinik

 

*Esclarecemos que os texto trazidos nesta coluna não representam, necessariamente, a opinião do Blog Mulheres em Campo.

 

Referências

 

“Os maiores artilheiros da história do América-RN”. Renan Mateus e Ernesto Teixeira.

 

https://curiozzzo.com/2017/05/06/como-o-futebol-comecou-no-rio-grande-do-norte/

 

https://www.campeoesdofutebol.com.br/historico_rgnorte.html

 

https://www.tribunadonorte.com.br/noticia/hista-ria-se-repete-ha-100-anos-epidemia-parou-campeonato-potiguar/475417

 

https://tokdehistoria.com.br/2011/10/04/a-historia-do-primeiro-jogo-de-futebol-internacional-no-rio-grande-do-norte/

 

https://www.acervodabola.com.br/america-rn/

 

https://anotandofutbol.blogspot.com/2016/12/america-de-natal-parte-1.html?m=1