Há exatos 106 anos, nascia o campeão

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Aos fundadores,  nossa  eterna gratidão

Foto: Guarani Futebol Clube

Prazer, eu sou o Guarani Futebol Clube, mas pode me chamar de Bugre também. Estou localizado na Avenida Princesa D’Oeste e no coração de meus fanáticos torcedores. Muitos me conhecem por ser o único campeão brasileiro do interior e agora vou contar um pouco de minha história.

Sou respeitado por onde passo desde minha fundação em 1911 quando aqueles doze jovens se reuniram na Praça Carlos Gomes. Vicente Matallo, Pompeu de Vito, Hernani Matallo, José Trani, Romeu de Vito, Alfredo Seiffert, Luiz Bertoni, Antônio de Lucca, José Giardini, Ângelo Panattoni, Miguel Grecco, Julio Palmieri. Naquela reunião, meu nome foi decidido. A ideia de José Trani de que fosse Guarany Foot-ball Club foi aprovada em homenagem à obra de Carlos Gomes. Minhas cores, ó quão belas são, foram escolhidas em alusão ao verde da praça e à luz do dia que iluminava, sugestão de mais um dos meus guerreiros, Romeo de Vito.

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Praça Carlos Gomes, marco da fundação do Guarani Futebol Clube

Foto: Extraída da internet
 

Hoje, completo mais um ano de minha gloriosa história. Nesta longa caminhada, altos e baixos me assombraram, más gestões quase me destruíram, mas meu torcedor nunca desistiu de mim. Ele que está sempre ao meu lado, principalmente quando mais preciso, não cansa de dizer que sou o grande amor da vida dele. É nele em que posso confiar, é com ele que posso contar, porque ele sim tem o sangue verde e branco correndo nas veias.

“Meu amor ao Guarani é de família, vem de minha saudosa mãe, de meu irmão, de meus tios. Nasci e cresci bugrino. Acompanhei o clube em todos os estádios de São Paulo, do interior, do país e da América do Sul. O presente de Deus veio em 1978, quando jovem, trabalhando como setorista de esportes do Correio Popular, cobri a campanha do Guarani Campeão Brasileiro de Futebol. No ano seguinte acompanhei a brilhante jornada na Libertadores de América. Fiquei amigo de Carlos Alberto Silva, de Zé Carlos, Neneca, e vi nascer craques como Renato, Zenon, Careca que se tornariam ídolos eternos dessa cor verde que corre em minhas veias até os dias de hoje. Graças a Deus. Eu sou Campeão!” – Odair Alonso, jornalista.

“Fui diretor do departamento social, representei o Guarani nos jogos abertos e regionais, o defendi em três modalidades (judô, vôlei e futebol), participei de inúmeros campeonatos internos de futebol, dei aula de Judô, organizei o primeiro e único campeonato masculino de vôlei do clube, fui conselheiro em várias oportunidades e atualmente sou responsável pelo Memorial do Guarani, local esse que abriga nossas conquistas, abriga nossa história. Lá, iniciei a recuperação dos troféus e organizei com a ajuda de vários bugrinos.” – Renato Squarizi, criador do Memorial.

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Acervo do emblemático título de 1978

Foto: Fernanda Martins

Meu estádio ainda resiste, é de concreto e aconchegante. Todos querem conhecê-lo. É um monumento, cartão postal da minha cidade.

Ao longo dos meus 106 anos, gerações passaram pelas minhas arquibancadas. Nelas, dei alegrias e tristezas, mas é incrível como meus torcedores sempre saem vestindo minha camisa com orgulho e abraçando minha bandeira. Quando estou em campo, faço com que aqueles que ali estão, esqueçam os problemas externos, faço com que o foco só esteja em mim. Em minha casa, o desconhecido parceiro de arquibancada vira melhor amigo no momento do gol. Momento esse que faz o tobogã estremecer. E como estremece.

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Pastinho, em 1948

Foto: Guarani Futebol Clube

Eu sou produto da genialidade de Jorge Mendonça, da ousadia de André, da segurança de Amaral e da liderança de Zé Carlos.

Eu sou a maior goleada em dérbis.

Sou o recorde de público de Campinas.

Sou terceiro colocado na Libertadores. Aliás, sou o único time da minha cidade a participar de uma.

Meu estádio foi o único de Campinas a receber a seleção brasileira.

Sou o gol de Careca na final do Brasileiro.

Eu sou o ataque de risos que venceu o Internacional no Beira Rio.

Sou a eternidade de Carlos Alberto Silva.

Eu sou palco de grandes craques.

Sou a raça de Joca. Sou a garra sem fim de Flamarion. Sou o equilíbrio de Zenon. Sou os gols de Zuza e Nenê. Sou o exemplo de amor à camisa de Fumagalli. Sou o talento de Careca.

Sou os jogos incontáveis de Edson. Sou o gol de placa de Lola em 73 contra o Botafogo-RJ e de Zenon em 78 contra o Inter. Sou as defesas milagrosas de Waldir Perez, Neneca, Paulo Martorano, Tobias, Sérgio Neri e Narciso. Sou a honra de muitos que envergaram meu manto com orgulho.

Sou aquele que você vem de longe para me ver jogar, abraçar e cuidar.

Sou o amor e a paixão de muitos. Também sou aquele que muitos respeitam, temem e invejam.

Eu sou o Guarani! O Maior Clube de Campinas, que completa hoje 106 anos de glórias, lutas e conquistas.

E é justamente para você meu torcedor que, nesta data tão especial, só posso fazer um agradecimento singelo: OBRIGADO!

 

Alguns me viram nascer, muitos me viram crescer, mas ninguém há de me ver morrer. Porque sou eterno, sou índio bravo guerreiro, sou pioneiro, sou único, sou campeão.

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Estádio Brinco de Ouro da Princesa

Foto: Extraída de internet



Por Fernanda Martins.