HEROÍNAS E ESTRELAS DA HISTÓRIA DOS MUNDIAIS

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(Foto: Getty Image - FIFA)

 

Contagem regressiva para a grande final da Copa do Mundo de Futebol Feminino França 2019, neste domingo (7), às 12h, no Stade de Lyon. Com o status de principal candidata ao título, a seleção americana não decepcionou e cravou sua vaga na partida derradeira, pela quinta vez em oito disputas, pelo título. Novo triunfo será adicionado aos outros 3, em 1991, 1999 e 2005, e a transformará em pentacampeã da competição. 

A vitória por 2 x 1 dos EUA sobre a Inglaterra estabeleceu dois novos recordes no torneio, como a equipe invicta em 16 jogos, quebrando o recorde estabelecido pela Alemanha entre 2003 e 2007, e com mais vitória consecutivas, 11, ultrapassando a marca estabelecida pela Noruega entre 1995 e 1999.

Nove das jogadoras de Jill Ellis marcaram na França 2019 e são elas: Alex Morgan, Rose Lavelle, Lindsey Horan, Sam Mewis, Megan Rapinoe, Mall Pugh, Carli Lloyd, Julie Ertz e Christen Press. Definitivamente outro grande feito. 

A técnica Jill Ellis também entra nas estatísticas de uma final com as duas equipes oponentes comandadas por mulheres. No caso de Ellis, duas vezes, e a treinadora da Holanda, Sarina Wiegman faz sua estreia na lista. A Alemanha e a Suécia foram lideradas por Tina Theune-Meyer e Marika Domanski Lyfors, respectivamente, em 2003.

Ellis afirmou sua tranquilidade para o duelo, disse confiar plenamente em seu plantel e teceu elogios ao trabalho da seleção adversária, e, coletiva de imprensa, neste sábado (6).

"A Holanda é uma grande equipe, eles são campeões europeus, muitas jogadoras talentosas e uma técnica que sabe o que faz. Elas movem a bola muito bem e são disciplinadas”, comentou.  

Duas seleções disputam o título, mas não podemos esquecer as outras 22 participantes e que, através do seu futebol, contribuíram para abrilhantar o espetáculo em cada etapa. A edição do mundial de 2019 foi pontuada por grandiosa disputa entre elencos formados por exímias jogadoras, fato que corroborou o crescimento da qualidade do esporte.

Donas de uma força admirável, as atletas colaboraram na quebra de velhos paradigmas e deram continuidade ao trabalho feito por suas antecessoras, aquelas responsáveis por envergar a bandeira da equidade desde o ano de 1991.

Para ser mais exata, a luta iniciou em 1988, com o “Torneio Internacional de Futebol Feminino”, iniciativa de João Havelange, presidente da FIFA à época, com o intuito de testar a receptividade de uma competição da modalidade feminina. Com a participação de 12 seleções, entre elas Estados Unidos, Suécia e Brasil, a Noruega sagrou-se campeã e atraiu um público de 35 mil pessoas ao estádio, na partida final. 

Diante do sucesso, a FIFA tomou a decisão de promover a primeira edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino, a partir de 1991, tendo a China como país anfitrião e quatro cidades do país como sede para abrigar as 12 seleções de 6 continentes. De lá para cá, muitas coisas mudaram. Se hoje as delegações contam com uma estrutura mais profissional, grande apoio na cobertura da mídia especializada e atrai multidões aos estádios, nem sempre foi assim.

Faz-se necessária uma volta ao tempo para relembrar as finais de mundiais anteriores, fato marcante e jogadoras que deixaram para sempre seu nome na história do futebol mundial. 

A China foi escolhida como a anfitriã em 1991. A final foi entre a Noruega e os Estados Unidos, vencedor por 2 x 1, com dois gols marcados por Michelle Akers, a heroína da partida. A atleta fez 39 tentos em 26 jogos, um recorde. 

Em 1995, a Suécia abrigou o torneio e a final foi feita entre a Alemanha e a Noruega, desta vez a vitoriosa e campeã, por 2 x 0. A protagonista do confronto foi Hege Riise que, em campanha perfeita, abocanhou o prêmio Bola de Ouro. 

O país sede da edição de 1999, os Estados Unidos jogou a final contra a China, que pelo empate de 0 x 0, acabou na disputa de pênaltis. Brandi Chastain ganhou todo os holofotes em sua comemoração da penalidade máxima convertida, ao tirar a camisa como faz os atleta masculinos. A cena é relembrada até os dias atuais e a transformou num ícone. Mais de 90 mil pessoas estiveram no Rose Bowl para acompanhar a partida. 

Em 2003, os Estados Unidos voltaram a sediar o torneio, mas a final ficou entre a Alemanha, que venceu por 2 x 1 a Suécia. O grande nome desta edição foi Bettina Wiegmann, em seu último mundial, com atuações magníficas a cada jogo. Recebeu o prêmio de “Goal of the Year”. 

Em 2007, na China, a seleção brasileira viveu seu auge e foi apontada como favorita. Era tempo do poderio absoluto de Marta e Cristiane, que levaram o Brasil até a final. No entanto, a goleira alemã Nadine Angerer, estava no meio do caminho e fez defesas milagrosas, além de defender um pênalti cobrado pela rainha Marta. Placar final 2 x 0 para a Alemanha. 

O país germânico foi sede a edição de 2011 e a final foi disputada entre o Japão e os Estados Unidos. A japonesa Homare Sawa acabou com a possível festa americana ao marcar um dos maiores gols da história da Copa do Mundo Feminina. 

Carly Lloyd deixou seu nome na edição de 2015, no Canadá, com um hat-trick fabuloso, feito no primeiros 16 minutos, e teve um dos gol indicados ao prêmio Puskás do mesmo ano, concorrendo com Lionel Messi, Carlos Tevez e o eventual vencedor Wendell Lira. Novamente, as americanas são as campeãs. 

Graças a essas divas maravilhosa que fizeram história, o futebol feminino ganhou força e mesmo que ainda falte muito para alcançar a igualdade, elas percorreram com bravura grande parte da jornada.

Como diz a filósofa francesa Simone de Beauvoir:

“Que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância, já que viver é er livre.”

 

Carla Andrade