Homofobia no futebol, até quando?


 

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Reprodução A homofobia reina no futebol


 

Como todos sabem, futebol é um dos esportes mais populares em todo o mundo. Envolve vários sentimentos, quem é amante do mesmo sabe do que estou falando. Você vai do inferno ao paraíso, o gol do seu time te faz ir à loucura. Mas infelizmente, esse esporte tão amado tem situações a parte e entre elas está a homofobia.

 

Quando a gente fala de homofobia no futebol, muitos dizem que é a geração nutella e que na geração raiz não tinha nada disso. Que antigamente tudo era aceitável, não existia tal “mimimi”. Que a geração 7-1 (fazendo referência a goleada que a seleção alemã aplicou na brasileira) está estragando o futebol e que tudo isso não passa apenas de uma brincadeira. Bom, até onde eu sei, a maioria das brincadeiras precisam ser saudáveis, colocar apelido nos outros e até mesmo reprimir por ser homossexual e gostar de futebol, está bem longe disso. Não tem nenhum decreto onde diz que somente héteros podem participar desse mundo! Todos podem acompanhar e torcer, então pra que ofender o outro? É uma coisa difícil de se entender.

 

A prova viva de que o cenário futebolístico é na maioria das vezes homofóbico, é o que aconteceu com o jogador Richarlyson. Desde a época de São Paulo, o atleta relata que todos os jogadores tinham o nome gritado pela torcida e ele não. Após ser contratado pelo Guarani de Campinas para disputar a série B do Campeonato Brasileiro, o jogador mais uma vez foi oprimido e recebido com bombas, muitos foram em suas redes sociais ofendê-lo e ainda houveram os torcedores rivais, que usaram tais coisas para fazer piadas com o atleta, o que é extremamente retrógrado e triste.

 

Voltando a falar da Copa do Mundo de 2014, a mesma foi o maior evento futebolístico que nós brasileiros vivenciamos nos últimos anos. Quem gosta do esporte, teve a oportunidade de acompanhar dias recheados de futebol! Mas infelizmente, a competição deixou um legado o tanto quanto repugnante. Começou com os mexicanos que puxavam o grito de “puto”, toda vez que o goleiro adversário cobrava o tiro de meta e isso acabou se popularizando por aqui. O “puto” foi substituído por “bicha” (foi aí que fomos rebaixados de vez no ranking do respeito e subimos no ranking da arrogância). Toda vez que o goleiro adversário cobra o tiro de meta, a torcida grita “ôôô bicha” em forma de ofensa, uma das coisas mais toscas que se pode presenciar! Com tantas atitudes assim, parece que ser homossexual e torcer para um time de futebol é uma aberração.

 

Aí vem o questionamento, homossexual não pode ser jogador? Não pode torcer? Até quando vão achar isso extremamente normal? Até quando vão chamar de chatos os que estão tentando combater isso? Infelizmente, para essas perguntas não existem respostas concretas, muita gente ainda acha isso certo e esse é o nosso cenário. Além de ter um cunho totalmente homofóbico, ainda existe o machismo... ainda há homens que acham que mulheres só acompanham futebol por ser “maria chuteira” ou até mesmo por achar tal jogador “bonitinho”. Toda mulher que gosta de futebol, com certeza já ouviu “Você gosta de futebol, é? Então me diz o que é impedimento? Me diz a escalação do seu time de 1971”, essas são perguntas constantes.

 

Perante a tudo isso, eu só quero saber até quando vamos ser sujeitos a isso? Até quando esse tipo de ofensa e preconceito serão levados como se fossem meras brincadeiras? Quando vamos poder ir ao estádio sem nos sentirmos incomodados? Quando todos vão poder torcer e vibrar do seu jeito, independente de suas crenças, sua etnia, sua orientação sexual? Eu como amante de futebol e torcedora apaixonada, só quero saber: quando o respeito ao próximo, vai vir acima de tudo?

 

FUTEBOL É SIM, UM LUGAR PARA TODOS!

 

Por Eduarda Moreira.