HORA DE DISCUTIR A RELAÇÃO!

Sem os principais titulares em campo, o Palmeiras não consegue impor a sua identidade e empata em casa.

A 14ª rodada do Brasileirão não foi aquilo que a torcida palmeirense esperava. Com um público recorde, mais de 40 mil ingressos vendidos, o torcedor alviverde encheu a sua casa de energia e vibração. Era o cenário perfeito para comemorar mais uma vitória. Mas o Palmeiras, que entrou em campo com o elenco titular desfalcado, não conseguiu sair do empate.

(Foto: Verdazzo)

Apesar do resultado, o Verdão continua na liderança do campeonato, mas agora a vantagem é de apenas um ponto do segundo lugar.

A ausência de Gabriel Jesus e Roger Guedes foi sentida de forma impactante, o time perdeu a cara que vem mostrando na sua trajetória de jogos. O que se agravou, com a saída de Moisés no início do primeiro tempo. Cuca esperou até o último minuto, pela recuperação dele e de Tchê Tchê, machucados no último combate.

Nos dez minutos em que ficou em campo, o profeta do Verdão jogou bem, fazendo dupla com Matheus Sales, os volantes davam conta do recado. No comando do ataque, estava Lucas Barrios, fazendo ligação direta com o garçom Dudu e com Tchê Tchê e Erik.

O time de Cuca começou de forma muito cautelosa, recuando um pouco e com isso, a posse de bola ficava com o adversário, que estava visivelmente nervoso, não conseguindo criar as famosas jogadas de velocidade, que impõem perigo.

Jogo truncado.

Apesar disso, o Verdão abriu o placar muito cedo. Aos seis minutos, após cobrança de escanteio, Dudu bateu no primeiro pau, Mina desviou a bola e aproveitou a falha da defesa adversária. Cabeceou livremente no canto direito do goleiro santista. Gol indefensável! O primeiro do zagueiro vestindo o manto sagrado.

Explosão nas arquibancadas. A torcida gritava o nome do colombiano. E a Arena Palmeiras cantou e vibrou.

A resposta do Santos veio dez minutos depois, Lucas Lima cobrou uma falta  rápida, tocando para Vitor Bueno, que estava livre para chutar da entrada da área. Foi por um triz.

O jogo seguiu amarrado e com poucas chances reais. Os dois times sentiam a pressão do clássico e as bolas eram desperdiçadas no meio do campo. Os  goleiros podiam dormir, se quisessem.

Não se pode dizer que o Palmeiras estava jogando mal, porque havia sim uma tentativa da equipe em manter o seu ritmo de jogo. Mas o ataque sem o garoto iluminado e sem o garoto prodígio, como já está sendo chamado, perdeu a ofensividade e a fluidez.

O autor do gol palmeirense sofreu uma contusão muscular e mesmo estando nos acréscimos, precisou ser substituído por Edu Dracena, para desespero dele e da torcida.

O Santos ainda teve uma chance no finalzinho, com um cruzamento de Gabriel para Lucas Lima, mas a bola não entrou.

Com a saída precoce de Moisés e agora de Mina, o comandante do Verdão teve que mexer no esquema tático mais uma vez. Cuca tinha quarenta e cinco minutos para criar uma estratégia, que fizesse o time chegar à vitória. De fato, o que se viu nos primeiros minutos da segunda etapa, foi um Palmeiras um pouco mais robusto.

Num dos primeiros lances, Dudu encontrou Erik e o lançou dentro da área, ele tentou bater, mas sofreu a marcação santista. Finalizou com um chute fraco, fácil para defesa de Vanderlei. O Palmeiras ganhou o escanteio e Edu Dracena cabeceou certeiro, mas agora, o goleiro alvinegro, fez uma boa defesa, impedindo o que seria o segundo gol do Verdão.

O Palestra não conseguiu dar continuidade à pressão dos primeiros minutos e o adversário ganhou um pouco de força, que foi premiada com o gol de empate. Gabriel aproveitou uma sobra de bola e chutou, sem muita pretensão, tanto que a bola parecia está nos domínios Prass, mas para o nosso azar e sorte deles, ela desviou no xerife da defesa, Vitor Hugo e entrou no canto direito do gol.

Tudo igual no placar.

Apesar de ter sido um gol "achado", o placar era justo para o que acontecia dentro de campo, já que o Palmeiras não conseguia oferecer perigo concreto.

Leandro Pereira, reestreante no Verdão, entrou no lugar de Barrios, mas o time estava tão desarticulado, que ele não conseguiu fazer diferença efetiva.

Os dois times seguiam com algumas poucas jogadas interessantes, mas nenhuma terminou em gol.

A arbitragem, para variar, também não foi feliz e errou feio contra o Palmeiras. O juiz não deu um pênalti claro, quando Zeca defendeu uma bola com o braço. Pênalti indiscutível. Juiz incompetente.

O Palmeiras ainda teve uma chance de bola parada aos 30 minutos, mas bateu muito mal, estourando a barreira. O Santos saiu num contra-ataque rápido e Vitor Ferraz cruzou por baixo para Gabriel, que não conseguiu finalizar, Thiago Maia tentou com a sobra de bola, mas a redonda saiu por cima do gol de Prass.

No final do jogo, a grande chance da vitória se desenhou. Dudu enfiou uma bola perfeita na área, Erik apoiou e Leandro Pereira empurrou para o gol. A torcida já havia se levantado para comemorar, mas o goleiro praiano estava muito atento. Pena. A jogada merecia terminar com a bola na rede.

Como na vida, parece que derrotas e empates, ensinam mais que a vitória. Talvez porque esta, nos deixa tão eufóricos e inebriados, que é impossível pensar, que dirá aprender alguma lição. Portanto, o Palmeiras tem a grande missão de responder à pergunta incômoda, que está no ar desde que o juiz apitou o fim da partida: É possível construir um elenco, onde todas as peças estejam preparadas para dar conta do recado? Ou a relação de dependência com alguns jogadores é inevitável?

Porque além de desfalquem que sempre acontecerão, todos já sabem quem foram os relacionados para a seleção olímpica... É PRECISO DISCUTIR ESSA RELAÇÃO.

Alê Moitas