JOGADA DE MESTRE!

Com inteligência e estratégia, o Verdão vence mais uma e se isola na liderança!

      

 

Fonte: Palmeiras Oficial

Magistral.

Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa, tudo aquilo que é: "relativo ao mestre, imperioso, que tem a marca da superioridade, da excelência...”.

Essa é, sem dúvida, a palavra que define a vitória do Palmeiras para cima do Figueirense, pela trigésima primeira rodada do Brasileirão, ontem no Orlando Scarpelli.

Magistral, não por ter sido uma partida de encher os olhos, longe disso. A maestria se deu em transformar um jogo que começou duro e estéreo, em um terreno de possibilidades criativas. Isso é uma tarefa árdua, que exige inteligência e pensamento estratégico.

O professor Cuca e seus jogadores fizeram a partida parecer um jogo de xadrez, onde é preciso observação minuciosa do adversário, para saber exatamente o que fazer no próximo lance.

O primeiro tempo foi marcado pela dificuldade de criar jogadas efetivas. O Palmeiras, que tentava sair para o jogo pelas laterais, sentiu a forte marcação adversária. O Figueira, por sua vez, apesar do esquema bem montado, não conseguia passar do meio de campo.

O jogo foi ganhando aquela cara feia que ninguém gosta de ver. Truncado e sem fluidez.

A primeira tentativa do Verdão, veio dos pés do profeta. Moisés lançou Jesus, na cara do gol. Ele conseguiu dominar, girar e chutar, mas o chute não teve força para ameaçar o gol de Gatito Fernandez. Faltou um pouco mais de poder para a dupla bíblica.

Em seguida, aos vinte e quatro minutos, mais um bom lance, que quase abriu o placar em Santa Catarina. O capitão Dudu, tocou para Egídio e dele para Jean. O camisa dezessete bateu forte, mas a redonda esbarrou em Josa. Moisés aproveitou a sobra e bombardeou o gol, mas novamente Josa estava no lance e impediu que a bola seguisse o seu destino.

Os donos da casa só chegaram com perigo aos trinta e seis minutos de partida, quando Vitor Hugo cometeu uma falta perto da área. Ayrton cobrou muito bem, a redonda sofreu um desvio, após tocar no zagueiro Mina e quase enganou o goleiro Jailson, mas o nosso gigante mostrou que tem reflexo para dar e vender, fazendo uma defesa espetacular e impedindo o gol que já estava quase sendo comemorado.

No final da primeira etapa a pressão alviverde aumentou um pouco.

Dudu cobrou um escanteio, colocando a bola na cabeça de Vitor Hugo, que gosta de fazer gols assim. Mas a bola subiu muito e saiu em linha de fundo.

Aos quarenta e cinco, mais uma vez Dudu, sempre ele, fez boa tabela com Fabiano, que cruzou para Gabriel Jesus. Ele chutou para o gol, mas novamente um chute fraco e sem efetividade.

E aí veio o intervalo. E foi nesse momento que tudo começou a mudar.

Enquanto alguns torcedores conversavam nas arquibancadas, preocupados como resultado e a turma do amendoim destilava as suas críticas infundadas, um plano era traçado dentro do vestiário, destinado aos espectadores.

Cuca e o seu elenco tiveram apenas quinze minutos para estudar o jogo. Mas foi o suficiente.

O Palmeiras que entrou em campo para o segundo tempo era outro time. Estava entrando para ganhar. E mostrou isso nos primeiros instantes.

Trinta segundos para ser mais exata. Dudu protagonizou um lance individual, batendo cruzado, mas a bola saiu, tirando tinta da trave esquerda.

Aos quatro minutos, Moisés cobrou um lateral daquele jeito, que só ele sabe fazer, colocando a bola dentro da área, a defesa tirou, mas o rebote sobrou para Jean, que bateu certeiro, a bola foi tirada para escanteio.

No campo, o domínio era alviverde e os adversários sulistas mal conseguiam respirar com tanta pressão.

A chegada do gol parecia ser apenas uma questão de tempo. Pouco tempo. Foram apenas sete minutos.

O menino Jesus, se infiltrou rapidamente para entrada da área e tentava dominar uma bola, quando Bruno Alves, enfiou o braço na cara do camisa trinta e três e o derrubou. E queda dentro da área tem um nome, certo meus amigos? Chama-se penalidade máxima, mas conhecida como pênalti.

Enquanto os jogadores arrumavam a bola para Jean bater, a torcida que já estava enlouquecida com o lance ficou mais agitada ainda, porque o radinho de pilha acabara de anunciar o gol do Flamengo contra o Internacional.

Segundos que pareceram uma eternidade. Naquele momento o rival direto assumia a liderança. Agora, mais que nunca, Jean precisava converter.

Todos os corações palmeirenses estavam com ele e ninguém conseguiu respirar, até ver a bola balançar a rede. Um gol para abrir o placar e colocar os Porcos no seu devido lugar novamente.

Festa no chiqueiro!

Fonte: Palmeiras Oficial

O Verdão continuou pressionando o adversário e tentando criar chances para o segundo.

Cuca substituiu Guedes por Allione. O Palmeiras era todo ataque.

O xerife da defesa, quase fez o seu, após escanteio batido por Dudu, porém o goleiro Figueirense estava no lance.

Mas a tarde era de Jean e de mais ninguém.

Aos trinta e nove minutos, o lateral/ meio de campo improvisado/ batedor de primeira/ goleador, aproveitou uma bola que havia sido rebatida por Bruno Alves e disparou uma bomba sobre o gol de Gatito. A bonita entrou no canto esquerdo. Indefensável. Um golaço para ampliar o placar e fazer o torcedor ficar um pouco mais aliviado.

 

Fonte: Palmeiras Oficial

Bem, nem tanto... Porque quando o relógio marcava quarenta e dois minutos, o time da casa diminuiu. Um erro grotesco da defesa e do nosso goleirão. Após escanteio batido da direita, Jailson não achou e Rafael Silva, que estava sozinho, livre de marcação, enfiou a bola de cabeça.

Palmeiras 2x1 Figueirense.

No finalzinho, Cuca substituiu Dudu e Tchê Tchê por Thiago Santos e Fabrício.

O adversário não estava morto e com o gol, partiu para cima para tentar o empate. Os últimos minutos de partida foram eletrizantes e digamos, um tanto quanto nervoso. Coisa que só o Palmeiras faz por você.

Quando o juiz apitou o fim da partida, a sensação não era só de alegria por mais uma vitória tão importante. E nem só de euforia, pela permanência na liderança, agora com vantagem ampliada.

O sentimento do torcedor, espalhado pelo mundo, era também de segurança.

Cuca e o seus liderados, não só cresceram durante a competição, como adquiriram habilidades essenciais para um time que quer ser campeão. Maturidade, inteligência, capacidade de ler o jogo e principalmente, rapidez na correção de erros. Se antes o Palmeiras se abatia ao tomar um gol e isso já representava instabilidade que se estendia para os próximos jogos, hoje o time tem condições de entender o problema com uma boa conversa de vestiário e resolvê-lo.

Habilidade fina. Sofisticada. Que fala em nome de um espírito estratégico, capaz de fazer emergir o que há de melhor para aquele momento. A incrível capacidade de se reinventar!

É bonito ver esse time jogar. Ver o mestre e os seus alunos, construindo uma trajetória sólida e bem fundamentada, onde todas as peças conhecem muito bem o tabuleiro e se movimentam de forma precisa, mudando as posições se isso for preciso.

Um time que agora, sabe dar o xeque mate na hora certa e de forma magistral.

Alê Moitas