LEMBREI QUE EU NÃO TAVA COM SAUDADES DO FUTEBOL

 

 

Longe de casa e com uma das sensações mais estranhas que já senti na vida, Internacional e Grêmio se enfrentaram após mais de 100 dias de paralisação. O greNAL que "ninguém queria" marcou o retorno da dupla aos gramados. Pelo lado do Internacional aparentemente retornamos a 2019 e só Victor Cuesta lembra como é jogar futebol.

 

Foto: Ricardo Duarte

 

Primeiramente a prefeitura de Porto Alegre achou que seria uma decisão muito mais inteligente e responsável tirar duas delegações originárias da cidade e enviá-las a qualquer outra cidade do estado para a partida. Achou mais seguro tirar a partida do cenário mais bem equipado do estado e obrigar o jogo a ocorrer num local bem abaixo em qualidade. Após vetarem o clássico no Beira Rio, o Internacional levou a partida para o Centenário, em Caxias do Sul. 2020, depois de o primeiro greNAL da Libertadores, também protagonizou o primeiro clássico sem torcida da história.

Com erros bobos e já previstos para ambos os lados, após tanto tempo fora de campo, ainda assim o jogo surpreendeu em ritmo e velocidade, pelo menos no primeiro tempo. Mesmo com bastante imposição física e correria, o Inter deixou a desejar no ponto mais importante, a finalização.

Existem coisas que nem uma pandemia modifica, mais certo que as cenas lamentáveis é o momento que o Musto vai levar amarelo e gerar um lance que comprometa o jogo, no clássico 425 o lance foi aos 31', numa atitude de virgem ele derruba Kannemann na área e o juiz marcou penalidade.

Se de um lado temos o Musto pra fazer cagada, do outro temos o Lomba pegando o pênalti do Cebolinha. O goleiro teria dito na saída de campo “aos torcedores atrás da goleira”: "Cebolinha, só do tempero verde." 

Se na primeira etapa o Colorado tinha intensidade e pecava na finalização, no retorno para o segundo tempo não voltou nenhum dos dois. Com a qualidade de um rachão pós férias, o jogo me fez questionar a saudade do futebol. 

Assim como a marca registrada da Cervejaria Polar são as três cores da bandeira riograndense na lata, a marca da derrota seria um baita gol "cagado", aos 17" Jean Pyerre bateu falta na entrada da área, a bola desviou ridiculamente na barreira e morreu no fundo da rede. Neste momento verifiquei o calendário pra ter certeza que não estávamos em 2016.

Na data que se comemora 5 anos da canelada maldita do Geferson, bobo era o Colorado que esperava um resultado positivo, mesmo com as expectativas baixas vai meu parabéns a esta bela porcaria apresentada.

 

É gurizada, o Internacional voltou!

 

por Jéssica Salini


 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Mulheres em Campo.