MAIS UM BAHÊA: ORIGEM E TRAJETÓRIA DO TIME FEMININO

 

A torcida do Bahia já vinha cobrando há tempos um time feminino, porém era um assunto que não passava de projetos. Mas em 2018, a obrigatoriedade imposta aos clubes brasileiros de se adequarem às normas do Profut, fez com que a equipe tricolor formasse uma equipe feminina.

Proftut é o programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro que entrou vigor em 2015, para instituir um parcelamento especial aos clubes de futebol para recuperação de dívidas com o governo federal. O órgão fiscalizará as obrigações dos clubes aderentes e estabelecerá princípios e práticas de responsabilidade fiscal e gestão transparente e profissional. O descumprimento da regra poderia gerar a exclusão do Bahia do acordo firmado na Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte – LRFE, que visa renegociar as dívidas dos clubes com o Governo, pagamento dos débitos tributários e de FGTS de maneira parcelada.

Para que os clubes possam se beneficiar do parcelamento de dívidas, o Profut requer a apresentação do estatuto social, demonstrativos financeiro e contábil e a relação de operações de receitas antecipadas. Ainda, precisa comprometer-se com vários itens sendo que um deles é “viii) Fazer a manutenção de investimentos na formação das categorias de base e do futebol feminino”.

Com essa exigência, o Bahia formou uma parceria com a equipe Lusaca, que tem pouco mais de 10 anos de fundação, na cidade de Dias D’ávila. Foi assim que em novembro de 2018, o Bahia finalmente anunciou para sua torcida: Bahia Lusaca. A união das duas entidades incluiu três categorias para disputas, sub-17, sub-20 e futebol profissional para as competições em 2019. O Esquadrão investiu nas meninas, incentivando os treinos e chamando a torcida para apoiar as garotas, que puderam compartilhar com os demais atletas  os treinos no fazendão e tiveram toda atenção para um time “que nasceu pra vencer”. Elas iniciaram o treinamento visando o Baianão e o Brasileiro feminino da série A2.

(Foto: Felipe Oliveira  / ECBahia)

Após um ano, o Bahia anunciou o fim da parceria com o Lusaca, assumiu o time profissional e o Lusaca ficou com as divisões de base. De acordo com o vice-presidente do Bahia, Vitor Ferraz, desde que o tricolor soube que precisaria manter ao menos uma equipe feminina, tinha interesse em administrar o núcleo. 

"A gente não tinha essa expertise com o futebol feminino e procuramos o Lusaca para dar um apoio para que a gente pudesse abreviar esse caminho. A parceria teve sua relevância, mas tivemos alguns percalços, por assim dizer. As circunstâncias não foram da forma que a gente tinha imaginado. Diante disso, para melhorar a estrutura e acolher as atletas de uma forma mais satisfatória, com o padrão de qualidade que o Bahia está acostumado, a gente está conversando para internalizar essa estrutura o mais rapidamente possível”.

Brasileiro Feminino da Série A-2, em 2019

 

Com a equipe organizada, o Bahia chegou para disputar o Campeonato Brasileiro A2 (correspondente a segunda divisão) de 2019. As meninas começaram bem a competição, ficando na liderança do seu grupo com 13 pontos, com quatro triunfos e um empate. O time marcou 20 gols e sofreu apenas 3. Na competição ainda cravaram uma histórica goleada em cima da equipe Canindé de Sergipe, com o placar de 11x0. A torcida se empolgou com o desempenho das garotas, mas nas oitavas de final o time perdeu para o América-MG, por 2x1 em Minas e 2x0, em casa, sendo eliminadas da competição.

 

Baianão

 

Em novembro de 2019, começou o Baianão. As meninas fizeram uma bela campanha, sendo que em 09 jogos foram 09 triunfos. A final foi contra o Juventude, e na partida de ida o Bahia venceu por 3x1, e no jogo do título, na Arena Fonte Nova, venceu por 5x1. Diante da sua torcida, veio o primeiro título das Meninas de Aço.

(Foto: Felipe Oliveira  / ECBahia)

 

Meninas de Aço

 

A diretoria do tricolor fez ótimas contratações e abriu uma ala exclusiva para as garotas na Cidade Tricolor, no centro de treinamento em Dias D'Ávila. Vitor Ferraz explicou que a equipe feminina, assim como a masculina e as categorias de base, irão treinar lá. A iniciativa do Bahia em assumir a gestão do futebol feminino é ótima e necessária. Com os clubes abraçando o futebol feminino, a modalidade só tem a crescer e a competição nacional também se fortalece. É preciso avançar e oferecer para as mulheres as mesmas oportunidades dadas aos homens. Só assim o desenvolvimento acontecerá. Igualdade!!!

 

(Foto: Felipe Oliveira  / ECBahia)

 

Brasileiro Feminino da Série A-2, em 2020

 

A equipe feminina já começou embalada na competição de 2020. Estreou dia 15 de março, em casa, diante de sua torcida, e aplicou uma goleada de 8x0 contra o UDA, de Alagoas.

 

Infelizmente, devido à pandemia do Coronavírus, a competição foi suspensa pela CBF, sem data prevista para retorno. O Esporte Clube Bahia dispensou seus atletas, feminino e masculino, e de todas categorias, para cumprirem quarentena em casa. Porém, todos atletas estão treinando em casa, com supervisão do preparador físico. 

Para entreter a torcida, a equipe de marketing posta os treinos e a rotina dos e das atletas. Criaram até um “Big Bróder Bahea”, que acontecerá através de lives, no estilo do Big Brother Brasil, com participações de atletas, funcionários e torcida, e mostrará a vida dos atletas, promovendo desafios entre eles.

Divisão das equipes na 1ª live:

Time 1: Eddie, Edson e Gilberto

Time 2: Gadu, Caio Mello e élber

Time 3: Vi, Gustavo e Flávio

 

Mais uma vez, Ninguém nos vence em vibração! #BBMP

Por Thamires Barbosa

 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não representam, necessariamente, a opinião do Blog Mulheres em Campo.