Marcos - O coração tricolor dentro e fora do campo.

 

Desde as categorias de base, Marcos traçou uma bela trajetória dentro do Paraná Clube. Passou pelas piores fases, ajudou o time a se reerguer e não pretende parar enquanto não atingir seu maior sonho. Não apenas profissionalmente, mas um sonho particular de ver novamente o clube na elite do futebol brasileiro. Pois seu coração é tricolor dentro e fora dos gramados.

 

O coração na palma das mãos!

.foto: fonte (site oficial Paraná Clube)

 

Último ídolo remanescente da "época de ouro", em atividade, o veterano Marcos é mais que um integrante da equipe, é torcedor de carteirinha, sempre presente nos eventos realizados pela Torcida "Fúria Independente", juntamente com sua família. Hoje é o garoto-propaganda nas campanhas de marketing do clube e dá a cara à tapa para defender nossa camisa.

Eleito o melhor goleiro do Campeonato Paranaense de 2016, com 40 anos de idade e quase metade dedicados ao time da Vila, Marcos tem muito trabalho ainda pela frente.

Um jogador, um torcedor, um exemplo de amor incondicional, um ídolo que merece com toda certeza, esta pequena homenagem.

 

Do começo em Siqueira Campos ao nascimento do Paraná Clube

 

Nascido em Siqueira Campos, cidade localizada no norte pioneiro do Estado do Paraná, há 313km de Curitiba.

Mudou-se com a família para a capital aos 12 anos, em busca de uma vida melhor. Viviam com muita dificuldade e Marcos dividia um único quarto com seus pais e os 5 irmãos. Assim que surgiu a ideia da mudança, o garoto só queria saber se no novo endereço existia um campo para ele "brincar de ser goleiro".

A casa ficava no bairro Boqueirão, próximo ao Clube Pinheiros na época, onde sua trajetória no futebol teve início.

Com poucos recursos financeiros, o siqueirense ganhou seu primeiro par de luvas do irmão mais velho, que já trabalhava na ocasião e queria incentivá-lo a buscar seu sonho.

O tricolor é fruto de várias fusões (ver Curiosidades do Clube), a última foi entre o Pinheiros e o Colorado. Marcos havia realizado teste para a escolinha do Pinheiros, passou e em 1989 presenciou o início do time que transformaria sua vida: nascia então o Paraná Clube.

 

. Desde sempre defendendo o Tricolor

Foto: arquivo pessoal do goleiro

 

Defendeu o time e chegou à equipe profissional, permanecendo até o ano de 2003, quando aceitou a proposta de jogar no exterior. Além do sonho de conhecer outros países, disputar grandes campeonatos como a "Liga dos Campeões", e ser reconhecido mundialmente, Marcos também precisava pensar no futuro da família e o Paraná Clube começava a enfrentar uma grave crise financeira nesse período.


 

A volta ao Brasil pelo Renascimento do Paraná

 

Passou 10 anos fora, entre Portugal e Itália, e apesar de todos os fatores negativos que enfrentaria, resolveu voltar ao Brasil para ajudar o time de sua juventude a se reerguer.

Não foi uma decisão fácil. Era preciso pesar os prós e contras, mas em 2013 o amor falou mais alto e o goleiro retornou às origens, onde está atualmente, para a alegria dos torcedores.

Mesmo longe, nunca deixou de acompanhar o clube, juntamente com a esposa e as filhas, também paranistas de coração. Isso foi fator decisivo para não desistirem após o retorno à Curitiba. Não era uma época favorável ao clube, que outra vez enfrentava problemas de caixa e chegou a ficar 10 meses sem pagar os salários dos jogadores e funcionários.

 

Família paranista! Marcos, sua esposa Keli e as duas filhas.

.Foto: arquivo pessoal do goleiro

 

Fase difícil, onde só permaneceu quem realmente amava a camisa e acreditava numa luz no fim do túnel. Foi expressando esse sentimento, que Marcos disse: "Não voltei para ficar empurrando com a barriga, eu queria conquistar, poder ver o choro do torcedor, marcar uma nova história."

Em Agosto de 2015, o goleiro conseguiu essa marca histórica completando 300 jogos com a camisa tricolor e, em entrevista na época para a repórter Monique Silva, relatou: "Hoje é mais complicado e difícil de atingir essa marca. Os clubes muitas vezes acabam vendendo os atletas. Fico muito feliz e me sinto uma pessoa privilegiada por poder iniciar a carreira em um clube, voltar depois de muito tempo e poder completar essa marca."

 

. Com a camisa comemorativa pelas 300 partidas.

foto: Marcelo Andrade


 

Orgulho e Respeito pela camisa

 

No último 21/06, Marcos evitou festejar seus 40 anos, pois o time enfrentava uma fase ruim no Campeonato Brasileiro pela série B. Isso mostra o respeito pelo torcedor: "Enquanto eu tiver forças para lutar e dar o meu melhor para honrar essa camisa dentro de campo, eu vou!

Eu sei que falho e erro, e não agrado a todos, mas o que eu faço é de todo coração, é pensando neles, em poder dar alegria a eles, vê-los voltarem para a casa contentes (...) É por eles que eu luto ainda e tenho vontade de colocar o clube em uma situação melhor. Estou aqui é por eles. SOU MAIS UM DELES."

São mais de 340 jogos vestindo a camisa e defendendo o gol não só com as mãos, mas com o coração. O mito paranista hoje presencia uma situação financeira mais equilibrada do clube e a torcida que canta: "eu te apoio não importa a maneira", tem sido imprescindível para que o ídolo não se aposente antes de atingir seu objetivo.

 

Marcos deixou deixou de comemorar seu aniversário em respeito a fase do Paraná.

Foto Esportes UOL

 

Ainda que ele pendure suas luvas com o Paraná na segunda divisão, ele pretende continuar atuando como técnico ou preparador de goleiros. Mas isso é um plano para o futuro, já que sua disposição física e mental é a mesma daquele garoto que brincava nos campinhos do antigo bairro curitibano.

Com essa trajetória tão marcante e entrelaçada com a história do Paraná Clube, só podemos desejar que ele continue brilhando e honrando nossa segunda pele.

Ao descobrir seu passado e prestigiar o grande momento não só do goleiro, mas do nosso clube, não pude deixar de escolher uma trilha sonora e fazer uma pequena adaptação à letra original. Espero que gostem:

 

Música: Moleque Atrevido por Jorge Aragão

Adaptação minha:

 

'Quem foi que falou

Que eu não sou um moleque atrevido

Ganhei minha fama de (bom nos gramados a fora)

Fico feliz em saber o que fiz pelo (clube), faça o favor

Respeite quem pôde chegar onde a gente chegou  

Também somos linha de frente de toda essa história

Nós somos do tempo do (Paraná Clube) sem grana, sem glória  

Não se discute talento

Mas seu argumento, me faça o favor

Respeite quem pôde chegar onde a gente chegou  

E a gente chegou muito bem

Sem a desmerecer a ninguém

Enfrentando no peito um certo preconceito e muito desdém  

Hoje em dia é fácil dizer

Esse (clube) é nossa raiz

Tá chovendo de gente que fala de (futebol) e não sabe o que diz   

Por isso vê lá onde pisa

Respeite a camisa que a gente suou

Respeite quem pôde chegar onde a gente chegou  

E quando pisar no (gramado) procure primeiro saber quem eu sou

Respeite quem pôde chegar onde a gente chegou.'

 

Raio X:

Nome: Sebastião Marcos Barbosa Oliveira.

Data de nascimento: 21/06/1976 - 40 anos de idade.

Local de nascimento: Siqueira Campos / PR.

Altura: 1,87m. Peso: 88kg.

Apelidos: Marcos ou Marcão.

Clube de juventude: 1989 - 1998 ➡ Paraná Clube.

Clubes Profissionais: 1998 - 2003 ➡ Paraná Clube.

2003 - 2009 ➡ Marítimo (Portugal).

2009 - 2010 ➡ Renate (Itália).

2010 - 2012 ➡ Braga (Portugal)

2012 ➡ Feirense (Portugal)

2013 - atualmente ➡ Paraná Clube.

Títulos Profissionais pelo Paraná Clube: Campeonato Paranaense: 1993, 1994, 1995, 1996 e 1997.

Copa João Havelange: 2000.

 

Curiosidades: 1a partida profissional como titular: 27/02/1997 Londrina x Paraná Clube.

Número de partidas pelo Paraná Clube atualmente: 342.

Vitórias: 136.

Derrotas: 118.

Empates: 88.

Partidas sem tomar gol: 108.

Ídolo profissional: Goleiro Taffarel.

No início da carreira chegou a enfrentar seu ídolo, que na época defendia o Atlético-MG.

Curiosidade sobre o time:

O Paraná Clube é o time brasileiro com o maior número de fusões:

1914: Leão FC + Tigre FC = Britânia.

1920: Savoia + Água Verde = Palestra Itália.

1930: Nasce o Ferroviário.

No mesmo ano: Palestra Itália muda o nome para Paranaense, depois Comercial e finalmente Palmeiras, devido a 2a Guerra Mundial.

1942: Savoia muda o nome para Brasil.

Com o fim da guerra, Palmeiras volta a ser Palestra Itália.

Brasil muda o nome para Água Verde.

1971: Britânia + Palestra Itália + Ferroviário = Colorado.

No mesmo ano Água Verde muda o nome para Pinheiros.

19/12/1989: Colorado + Pinheiros = Paraná Clube.



Por Carla Eloiza Aguiar.