Meça suas declarações, parça

  Emerson Sheik, de 37 anos é conhecido pela disposição que apresenta dentro de campo. Mesmo não sendo mais tão jovem, o atacante do Flamengo ainda demonstra que pode jogar em alto nível e fez isso pelos clubes por onde passou. Habilidoso, Emerson tem no currículo os Brasileiros de 2009, pelo Flamengo, o de 2010, pelo Fluminense, e o de 2011, pelo Corinthians, além de ter sido campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes pelo time paulista. Mas Sheik também é conhecido por ser o tipo de jogador malandro, “zuero” e que não tem papas na língua para falar o que pensa e essa falta de filtro rendeu-lhe mais uma punição. Sheik pegou gancho de uma partida por ter proferido ofensas ao árbitro Wilton Pereira Sampaio após o empate entre Vasco e Flamengo, pela Copa do Brasil.   

 No intervalo da partida, visivelmente chateado, ele deu uma entrevista à rede Globo. “Primeiro, tem que arrumar esse juiz, que é uma merda. É uma merda!”. Pelo comentário, ele foi enquadrado no Art. 243- F do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Mas não é a primeira vez que isso acontece com o jogador. Em 2014, quando jogava pelo Botafogo, Sheik declarou que a CBF era uma “vergonha”. O resultado: gancho de quatro jogos. Fora as declarações polêmicas, vira e mexe, ele é alvo de piadas na internet. Há umas semanas atrás, em uma entrevista ao Esporte Interativo ele ironizou o respeito que o Vasco, maior rival do Flamengo, tanto fala. 

 Em tempos de internet, de notícias que se espalham rápido e do politicamente correto, Sheik mantém um certo ar provocador muito visto na década de 90. Quem não se lembra do marrento Romário? De Edmundo? Vampeta? Isso para citar alguns exemplos. Mas hoje os tempos são outros. Prega-se muito o respeito, qualquer fala mais provocativa e às vezes até uma brincadeira é vista como ofensa e cabendo até processos e punições. 

 Sheik fala o que pensa? É sincero? Sim, ele é, mas ele também não é mais um jogador novo, ingênuo. Não pode agir no calor do momento. Ainda mais sendo tão importante dentro de campo. Nos dois casos em que foi punido, não recebeu os ganchos por falar mentiras. Na ocasião da CBF, ele exprimiu a opinião de toda uma nação apaixonada por futebol que ver o seu futebol ruir pela incompetência e ganância de cartolas que se perpetuam no poder. No episódio do jogo contra Vasco, ele incorporou o típico torcedor que vê que o time não está bem e reclama da arbitragem. Mas o jogador não é torcedor e tem que tomar cuidado com o que fala. O que para ele foi um desabafo, para o Tribunal foi uma ofensa que não foi apagada nem com o pedido de desculpas na rodada seguinte. Olha que ele ainda saiu no lucro, já que a punição para esse tipo de infração pode chegar a seis jogos e isso se agrava pelo atleta ser reincidente. 

 Tenho um ditado comigo que diz “Às vezes, não é o que você fala, mas como você fala”. Não acho legal querer colocar um cabresto no jogador e que todos engulam goela abaixo alguns tipos de situações, mas penso que um atleta deve medir suas palavras e ser mais sutil nas suas declarações. A irreverência do Sheik já chegou a arrancar risadas , algumas coisas que ele disse eu concordei, em outras nem tanto. Mas um jogador tem que pensar que faz parte de uma equipe e uma frase mal interpretada pode trazer dores de cabeça para um grupo. Neste caso, a dor de cabeça maior será para Oswaldo de Oliveira, técnico do Flamengo, que terá que lidar com mais um desfalque para o jogo contra o Cruzeiro nesta quinta-feira (10).

 

Camila Leonel