MENO MALE!

O Palmeiras mais uma vez não consegue impor o seu jogo, mas arranca o empate em Chapecó.

FOTO: Site oficial do Palmeiras

Poderia ser pior.

O empate com a Chapecoense ontem, pela décima oitava rodada do Brasileirão, foi melhor que a encomenda. A verdade é que o time de Cuca, ainda não conseguiu voltar ao excelente rendimento que o colocou na liderança absoluta.

É certo que ninguém imaginava que o Palmeiras ficaria intacto no topo da tabela, quem conhece as características de um campeonato de pontos corridos e com o dinamismo do campeonato brasileiro, sabe muito bem que isso é impossível. Mas a forma como o time perdeu, preocupou.

Temos observado com olhos atentos o trabalho proposto pelo técnico Cuca desde que foi contratado para assumir o time. Todos já sabiam de sua capacidade enquanto treinador, mas ele conseguiu superar todas as expectativas. A "química" com o elenco e a rapidez com que consertou alguns erros recorrentes, foi impressionante.

Cuca fez com que as peças se encaixassem muito bem e de fato não foi à toa que os resultados positivos chegaram para o Palmeiras. Números são fatos. E fatos não mentem. O Alviverde é considerado um dos grandes favoritos ao título.

Justamente pela análise dessa estrutura, que há tempo não se via na equipe, é que as duas derrotas consecutivas e repito, da forma como ocorreram, fez torcida, analistas e mídia se perguntarem o óbvio: o trabalho de Cuca tem solidez, ou é apenas maquiagem que qualquer chuva pode desmanchar?

E mais: o tão poderoso Palmeiras tem de fato um elenco forte, ou é um time comum, que depende de estrelas cadentes para se manter vivo na competição?

São perguntas que não querem calar.

Ontem o que se viu em campo não aliviou o barulho.

O Verdão teve uma apresentação apenas razoável e mostrou, de novo, um futebol muito abaixo daquilo que vinha fazendo em campo. Nos trinta primeiros minutos, conseguiu ir para cima do adversário e impor algum respeito, com lances como o cruzamento de Zé Roberto para a cabeça de Thiago Santos, que quase marcou, aos treze minutos. A cabeçada de Moisés, que saiu pela linha de fundo, aos vinte e quando novamente o profeta aproveitou o bom lançamento de Leandro Pereira e mandou uma bomba na direção do gol, para a boa defesa de Danilo, aos vinte e oito minutos.

Mas na sequência, o time de Chapecó começou a crescer e conseguia anular todas as saídas de bola, chegando à área palestrina com perigo. E aí, não deu outra. Os donos da casa abriram o placar aos vinte e nove minutos. Após cobrança de falta, Vagner defendeu, mas soltou a bola, que sobrou nos pés do oportunista Kemp. Uma falha grave e inaceitável para quem defende aquelas traves.

Depois do gol, como geralmente acontece, a Chapecoense cresceu mais ainda e o que estava equilibrado, deu lugar a um Palmeiras recuado e sufocado pelo adversário, que estava muito bem posicionado, marcando e aproveitando todos os lances a seu favor.

No segundo tempo, Cuca foi para as cabeças. Reforçou o ataque. Característica dele, que muitas vezes dá certo. Deu. Pelo menos para igualar o placar. Cleiton Xavier entrou no lugar de Tiago Santos. O Palmeiras melhorou um pouco, conseguindo chegar, aos onze minutos, na cabeçada de Erik para fora, após lançamento certeiro de CX10.

Mas ainda parecia inoperante e o valente comandante do Verdão, mandou Lucas Barrios para o jogo no lugar de Erik. Aos dezessete minutos, o time conseguiu um dos lances mais perigosos da partida, que só não acabou em gol, porque o goleiro de Chapecó vivia uma noite inspirada. Jean disparou um chute de fora da área. Seria um belíssimo gol, mas acabou como uma belíssima defesa.

O adversário não recuou e seguiu aproveitando os contra-ataques.

O professor deu a sua cartada final: tornou o time ainda mais ofensivo! A essa altura, com o jogo aberto, tinha torcedor rezando para o Palmeiras não tomar outro gol. Mas quem já conhece "o jeito Cuca de ser" sabe que recuar não é uma opção.

A entrada de Allione no lugar de Dudu, apagado pela boa marcação adversária, trouxe o gás que ele queria! Aquele momento em que o rival tem que saber que você está ali.

O Palmeiras ainda contou com mais um atacante: o próprio Cuca! Ele, que havia passado o jogo inteiro dando instruções, agora estava quase dentro de campo, esbravejando e "cantando" as jogadas. Empurrando o seu time.

Aos trinta e seis minutos, Cleiton Xavier invadiu a área e foi derrubado. Pênalti claro, que só a torcida da Chapecoense não viu. Jean bateu que nem gente grande, no cantinho do goleiro Danilo. Indefensável. Um gol sofrido. O gol de empate.

Jogar na Arena Condá é tarefa árdua e já virou até tabu. Fala-se de jogo duro e de um adversário difícil de bater em seu território, mas nem isso consolou quem queria a vitória para voltar à liderança e voltar a acreditar no potencial do time.

Mas para quem não queria amargar o gosto de mais uma derrota...

Menos mal!

Por Alê Moitas

Curta Blog Mulheres em Campo