MERECEDORES

 

(Foto: Diego Vara/REUTERS)

 

A definição

 

Merecer (dic. Michaelis)
Verbo

  1. Obter algo por seus méritos; 2. Fazer jus a; 3.Ser credor de, ter direito a; 4. Mostrar os atributos necessários para; 5. Estar em condições de receber; 6. Ser digno de reconhecimento; 7. Ter direito à gratidão por serviços importantes prestados.

 

O Club Athletico Paranaense é o Campeão da Copa do Brasil de 2019 por MERECIMENTO.

Obtivemos os louros da vitória por nossos méritos. Fizemos jus ao levantamento da taça. Temos direito à medalha do primeiro lugar. Mostramos todos os atributos necessários em campo para que pudéssemos ostentar a faixa de campeão. Estávamos em condições de receber e ser dignos de reconhecimento. Tivemos, uns com os outros, torcida, equipe, comissão técnica e diretoria, gratidão pelo serviço prestado por cada um.

Somos merecedores de poder gritar: É CAMPEÃO!!! 

 

O enredo

 

A história do Athletico nesta Copa do Brasil poderia ser o script de um verdadeiro filme de superação, no maior estilo de “À procura da Felicidade”. Desacreditado toda vez que lhe era exigido algo tido, até então, como impossível, o Furacão foi buscando forças dentro de si.

A caminhada não foi fácil. O Athletico estreou na Copa no dia 16 de maio, já nas oitavas de final do Campeonato, contra o Fortaleza, e, no agregado, bateu o Leão do Pici pelo placar de 1 a 0, em jogo heroico de Marco Rúben, autor do único gol do Furacão. Classificado, foi a vez de encarar o perigoso e superestimado Flamengo nas quartas de final.

O rubro-negro preferido da mídia, que por óbvio não é o Furacão, já tinha certeza da classificação em cima dos paranaenses, quando arrancou o empate no primeiro jogo na Arena da Baixada. Naquele jogo o gol de Léo Pereira nos colocou na frente, mas mesmo superior na maior parte do jogo, o Athletico não segurou o Flamengo.

No jogo de volta, em um Maracanã lotado, o Furacão fez aquilo que sabe de melhor: surpreendeu. Nem Jesus salvou o Mengo, e outro empate em 1 a 1 levou a disputa por pênaltis. Santos foi o nome do jogo, defendendo duas das cobranças dos cariocas. Estávamos na semi!

A primeira peleja contra o Grêmio, na Arena dos gaúchos, um revés: 2 a 0, fora o baile, fora a má atuação de Jonathan, fora a substituição equivocada de Tiago Nunes, fora a nossa frustração.

Aí foi a vez do psicológico entrar em campo. Tiago Nunes declarou que era possível reverter o péssimo resultado em casa, mas que teríamos que fazer o jogo perfeito para isso. Diferentemente das outras vezes, mesmo que parecesse impossível, muitos estavam otimistas. Um otimismo ousado, daqueles que chega a arrepiar só de pensar em realmente acontecer.

E o impossível aconteceu! O Athletico fez o jogo perfeito, e devolveu o placar de 2 a 0 com gols de Nikão e de Marco Rúben. Novamente, Santos foi o nome do jogo e, numa defesa incrível, e porquê não milagrosa, pegou a última cobrança do Grêmio.

 

 

(Foto: Site Oficial do CAP)

 

O Furacão estava na final da Copa do Brasil. Naquele momento, torcedores já se agilizaram para acompanhar a disputa contra o Internacional, e que poderia trazer o título inédito para os lados da Baixada. As Atleticaníssimas, grupo de torcedoras do Athletico, tiveram a ideia de fretar um avião e fizeram acontecer. Foi só esperar o sorteio de mando de campo, para tudo se concretizar.

Mas, ainda tinha o primeiro jogo, na Arena da Baixada, e cabia ao Furacão fazer a lição de casa. Foi um jogo sofrido, pegado, com o Colorado fechado e sem dar espaços. Coube à ele, o Bruxo Guimarães brilhar naquela noite, e marcar o gol da vitória. 1 a 0 para o Furacão, e a vantagem, ainda que modesta.

 

O desfecho

 

18 de setembro, Beira-Rio lotado. 2.500 torcedores atleticanos se deslocaram à capital Gaúcha, em plena semana Farroupilha. O time, confiante, porém respeitoso com o adversário entrou em campo. E tomou MUITA pressão, pelo menos até os 20 minutos do primeiro tempo. Foi defesa à queima-roupa de Santos, chutão para isolar a bola, escanteios seguidos para o Inter, e o torcedor atleticano começou a passar mal.

Mas a história estava escrita. Jogando no contra-ataque, uma foi o suficiente para o Furacão abrir o placar e calar o Beira-Rio. Marco Rúben serviu Cittadini, que fez a torcida atleticana presente e quem ficou em Curitiba explodir de alegria. Minutos depois veio o balde de água fria com um gol de sobra de Nico López depois de bate e rebate e até bola no travessão.

Não se sabe o que aconteceu, mas a apreensão logo se transformou em esperança quando o time retornou para o segundo tempo com outra postura. Aguerrido, organizado, calmo e paciente. Que preleção deve ter feito Tiago Nunes com seus comandados. Estava mais perto do Athletico fazer o segundo do que o Inter, mas mesmo assim não deixamos de sofrer principalmente quando eles perderam um gol praticamente feito, com uma cabeçada, que foi pra fora.

Mas a história já estava escrita. Dizem que a sorte é o encontro da preparação com a oportunidade e, devidamente preparado, o Athletico, devidamente incorporado em Marcelo Cirino, fez uma pintura, deixou dois pra trás com uma caneta em Edílson e um rolinho. Entortou o ex-coxa Parede e tocou para o meio da área, para Rony marcar o segundo do Furacão e selar a vitória e o título, aos 52 minutos do segundo tempo.

Lucho González levantou mais uma taça, embora o capitão dessa campanha tenha sido Wellington. Também não se devem poupar os elogios para atuação de Nikão, Bruno Guimarães, Cirino e até Márcio Azevedo, que foi impecável. Santos, Rony e Marco Rúben também dispensam comentários, pois foram decisivos nesta partida.

 

A comemoração

 

O elenco atleticano chegou no Aeroporto Afonso Pena próximo às 11 horas da manhã e seguiu em carreata até a Arena da Baixada. Centenas de torcedores acompanharam o trio elétrico que literalmente parou uma Curitiba chuvosa. Outras centenas de torcedores aguardam a chegada do time na Baixada, para a comemoração.

 

(Foto: Weslei Fernando/Paraná Portal)

 

É CAMPEÃOOOOO!!!

 

Por Daiane Lodista