Mestre Dicá, o mestre das bolas paradas!

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Em julho de 1947, nascia em Campinas, aquele que seria a referência quando se trata do melhor jogador na história da Associação Atlética Ponte Preta​. O melhor batedor de faltas em sua época, um verdadeiro mestre, o jogador que mais marcou gols com a camisa da gloriosa macaca campineira... Enfim nascia o ídolo da nação pontepretana, Oscar Sales Bueno Filho, o Mestre Dicá.

O garoto, que se destacou jogando no time amador do seu bairro, a Vila Santa Odila, em chão de terra batida, e chamava a atenção com suas habilidades e desenvoltura fácil com a bola, tinha um futebol com lindos e desconcertantes dribles.

Com o passar dos anos, Dicá chamou atenção de admiradores que iam ao campo do Santa Odila para prestigiar o garoto que, aos 14 anos, também chamou a atenção simultânea dos dois clubes de Campinas, mas o técnico do time do Santa Odila e pai de Dicá, Seu Oscar, torcedor apaixonado da gloriosa Ponte Preta, optou em levar o garoto para o estádio Moisés Lucarelli, que foi, por sinal uma excelente escolha.

No ano de 1966, Dicá iniciou na Ponte e jogou apenas sete jogos pelo juvenil. O até então técnico Cilinho, levou o garoto de bons dribles para o time profissional, fazendo assim Dicá iniciar sua linda trajetória no time mais antigo do Brasil.

Em 1968 um fato memorável. Dicá foi à cidade de Rio Preto, em um amistoso para a inauguração do estádio Anísio Haddad, que na época foi batizado com o nome de Riopretão. Lá, o primeiro gol marcado no estádio foi o do Mestre Dicá, de falta, no canto esquerdo do goleiro Acosta, até então goleiro do time do Rio Preto.

No ano de 1969 foi campeão da segunda divisão, ajudando a levar a macaca para série A do Paulistão do ano seguinte. Em 1970, o meia conquistou o vice-campeonato paulista. Nesse ano, ele foi considerado a grande revelação do campeonato. Em 1971 o meia teve uma discreta passagem pelo Santos, e ao final do período de empréstimo, retornou à Campinas.

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Em 1972, com o valor do seu passe em $370 mil cruzeiros, Dicá foi para a Portuguesa, onde no ano de 1973, sagrou-se campeão paulista. Em 1975 foi peça importantíssima na conquista do vice paulista, e em 1976 retornou ao estádio Moisés Lucarelli. Experiente e figura carimbada, ele fez parte do timaço da Ponte de 1977, que ficou com o vice do Paulistão, naquela polêmica final contra o Corinthians.

Em 1979 e 1981, Dicá adicionou à sua história mais dois vice-campeonatos. No ano de 1979, um fato inusitado em sua história. Em partida válida pelo Paulistão, no famoso dérbi campineiro, ele e Juninho Fonseca contundiram-se, mas o técnico da Ponte Preta só poderia substituir um deles. O médico não teve dúvidas: "Você joga até o fim, Dicá, pois só o fato de você estar em campo assusta o inimigo e acalma seus companheiros. Ele ficou em campo, e a Ponte venceu o jogo por 1 a 0, em cima do seu maior rival.

Dicá ficou na Ponte até 1986, onde marcou 154 gols com a camisa da Macaca querida. O meia, que até hoje é considerado o maior jogador da história da macaca, finalizou a sua carreira no time do Araçatuba, no ano de 1985, e depois de pendurar as chuteiras retornou ao Moisés Lucarelli como o responsável pelo departamento de futebol.

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Mestre Dicá foi eleito o melhor jogador da história da Ponte Preta, sendo o jogador que mais vezes vestiu a camisa da Macaca, além do maior artilheiro da história do clube.

Dicá tinha como principais características os lançamentos milimétricos, passes certeiros e um chute muito forte, além de ser um excelente cobrador de faltas, considerado o cérebro do time. Era um verdadeiro camisa 10!

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Thata Bajano