Monga, o Centroavante que Comia Grama.

 

 

Foto:www.flogao.com.br

Quem é Pontepretano sabe muito bem a importância que o jogador Monga tem na história do time mais antigo do Brasil. Um verdadeiro craque, um guerreiro, que não desistia de uma bola por mais impossível que parecesse.

Gilberto Manoel de Almeida, o Monga, casado e pai de dois filhos, nasceu em 14/03/1965, na cidade de Núbias Paulista e foi criado em Mauá-SP. O apelido veio para fazer referência à “monga – mulher gorila”, atração dos parques de diversão da época e assim passou a ser conhecido no futebol.

 

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Fonte: GazetaPress

 

Monga começou a carreira no Santo André, após ser visto atuando nos jogos regionais. Apesar de ser destro, jogava como lateral-esquerdo. Foi contratado pelo Palmeiras de São João da Boa Vista e emprestado para a Ponte Preta, já como centroavante, em 1988.

Pela Macaca, disputou 175 jogos, nos quais marcou 39 gols e foi o artilheiro do time, com 10 gols, na campanha do acesso à série A1 do Campeonato Paulista de 1989.  

A Ponte vivia um período turbulento, que estendeu-se desde o rebaixamento no Campeonato Paulista em 1987, até o retorno à elite do futebol Paulista, em 1989.

Em dois de Novembro de 1988, quando Monga chegou ao Moisés Lucarelli, a Ponte Preta enfrentava o Rio Branco Atlético Clube, no Espírito Santo, pela Divisão Especial do Campeonato Brasileiro, o que tornou sua chegada tão pouco receptiva, que ele precisou ligar avisando aos Diretores que já estava no Majestoso.

Alguns dias depois, fez sua estreia na derrota contra o Fluminense (BA) por 1x0. No jogo seguinte, enfrentou o Americano, de Campos e fez seu primeiro gol com a camisa da Macaca.

Atleta lutador, disposto a comer grama se fosse preciso, sabia honrar a camisa do clube e logo conquistou a torcida pela garra que demonstrava nos gramados.

Em 1989, conquistou definitivamente seu espaço no coração do torcedor alvinegro. Em partida válida pelo Campeonato Paulista da Segunda Divisão, o vencedor do confronto, com ida e volta, garantiria o acesso à Primeira Divisão.

“Foi uma bola espirrada da defesa para o ataque, ninguém esperava, corri, ganhei do zagueiro, encobri o goleiro e fiz o gol”, é assim que Monga descreve o gol histórico na 1ª semifinal contra a Taquaritinga.

Na segunda partida, no Moisés Lucarelli, Monga abriu o placar e deixou sua marca na vitória por 3x1, junto com João Brigatti, Vagner, Zé Carlos, Júnior, Ernani, Tonho, Tuca, Jorge Mendonça, Sílvio e Roberto Teixeira, garantindo o acesso e a festa no Majestoso com mais de 20.000 torcedores.

 

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Fonte: GazetaPress – Escalação: Em pé – Roberto Teixeira, Junior, Pedro Luis, Tuca, João Brigatti, Carlinhos; Agachados – Zé Carlos, Jorge Mendonça, Monga e Tonho.

 

“A bola parecia não querer entrar. Sobrou no meio de campo, chutei a primeira vez em cima do goleiro, ela voltou e precisei chutar mais duas vezes até que ela entrasse”, narra Monga, sorrindo.

Monga seguiu vestindo o manto alvinegro até 1996 quando foi transferido para Portugal. Voltou um ano depois, jogou ainda pela Ferroviária e encerrou a carreira no São José de Porto alegre em 2000.

Sem deixar o futebol de lado, trabalhou na comissão técnica das categorias de base da Ponte e revelou nomes como Roger, Tinga e Wanderlei.

Em 2012 iniciou na carreira política; se formou em Gestão Pública e trabalhou na Secretaria de Esportes, com o futebol amador de Campinas. Além disso, é criador do “Futebol Solidariedade” que reúne grandes craques para arrecadar doações para crianças carentes.

Os anos se passaram e o carinho da torcida não mudou. São 10 anos de história e quando se fala do Monga, sempre tem um sorriso no rosto. Qualquer Pontepretano é capaz de narrar seus lances, todo torcedor tem uma de suas jogadas na cabeça e algum de seus gols guardados na memória. Resultado de uma carreira respeitosa, marcada por entrega, afeto, gratidão e humildade. Monga foi o “Deus da Raça Pontepretana” e assim será reconhecido e para sempre, um grande ídolo da torcida.

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Fonte: Pintura por Deaciso Silva




Por Anna Leticia Beck