Mostrando um futebol feio e desarticulado, o Palmeiras perde para o Audax, numa das piores partidas do ano!

 

O técnico Cuca já percebeu que terá mais trabalho do que imaginava...

Créditos: midiaPalmeiras
 
O placar de 2x1 para o Audax, pela décima rodada do Paulistão, em Osasco, não é a pior parte da história para o Palmeiras! Pior do que perder, é perder mostrando um futebol pobre e sem identidade. O time conseguiu se superar nos erros e fez, com certeza, uma das piores partidas do ano. 
Desarticulado e sem alma em campo, o Verdão preocupou muito o técnico Cuca, que disse ao final da partida que essa postura "tem que mudar".
Ele foi enfático em dizer também, que levará tempo para encontrar nesse elenco, uma equipe. Evidenciando que sabe muito bem a diferença entre as duas coisas. O elenco alviverde é considerado um dos melhores do Brasil, contudo isso não garante um comportamento de equipe. Uma identidade de grupo que se expresse dentro de campo.
É aí que está o grande nó da questão! O relógio do futebol corre mais que o próprio tempo e é impiedoso com os prazos. Ao mesmo tempo em que o próprio futebol, precisa de tranquilidade para formar bons times e trazer resultado.
Como sair dessa sinuca de bico? Pergunta difícil de responder.
Ontem, essa análise do tempo, como questão essencial na formação do time ideal, que foi colocada por Cuca, podia ser claramente vista no time de Osasco. O Audax deu uma aula de tática para cima do Palmeiras. Por ser um time muito jovem, que teve poucas mudanças em sua história e que joga com a mesma articulação desde 2014, mostrou um futebol consistente, com toque de bola e muita movimentação.
O alviverde não conseguiu marcar nenhuma saída de bola e os nossos laterais, especialmente João Pedro, não acompanharam a rapidez do time de vermelho. Foi feio de ver.
Dessa forma, não foi difícil para os adversários, chegarem à área palmeirense e armar jogadas. Como a do jogador Juninho, que depois de ganhar uma bola, chutou forte para o gol. A redonda bateu certeira na trave, assustando Prass.
O Audax seguiu pressionando o Palmeiras. Não seria difícil também, abrir o placar. E abriram. Aos dez minutos. Numa jogada ofensiva, Velicka disputou a bola com Zé Roberto e quando os dois se chocaram na área, o juiz marcou pênalti. O próprio jogador bateu muito bem, fazendo o primeiro gol do time da casa.
É bem verdade, que a arbitragem não foi lá muito justa e prejudicou o Verdão no lance seguinte, quando Dudu saiu em contra-ataque e lançou Alecsandro, que de cabeça jogou para Robinho. Na hora da batida, o jogador André Castro, entrou de forma dura, chocando-se com o meia palmeirense. Um pênalti que, foi interpretado como um lance normal.
Mas o Palmeiras jogou tão mal, que não dá para atribuir o resultado, às falhas do juiz Vinícius Furlan. 
Aos trinta e dois minutos, o Audax, que continuava fazendo boa marcação e impondo o seu jogo dentro de campo, fez o segundo gol, para desespero da torcida alviverde, que a essas alturas, já estava irritada e impaciente com o time. O jogador Camacho driblou Arouca, tabelou com Ytalo e recebeu dentro da área, tocando na saída de Fernando Prass. Um belíssimo gol, feito de pé em pé. 
No final do primeiro tempo, mais um lance em que juiz prejudicou o Palmeiras, marcando um impedimento que não existia. Digo, prejudicaria, se Dudu não tivesse perdido um gol feito, cara a cara com o goleiro. A indignação com o erro de Dudu foi tão grande, que ninguém teve vontade de entoar aquela musiquinha carinhosa para o juiz.
A segunda etapa foi iniciada já com as substituições de Lucas Barrios, no lugar de Alecsandro e Rafa Marques, no lugar de Gabriel. A cara que todo mundo esperava ver em campo, era de um time mais ofensivo e criativo e de fato no primeiro bom lance do jogo, Jesus arrancou pela esquerda e cruzou na cabeça de Rafa Marques, mas ele finalizou muito mal.
Mas foi praticamente só isso. O que se viu em campo na sequência, continuou sendo desarticulação e erros de passes inacreditáveis.
E o time da casa, continuava jogando com muita consciência e tinha liberdade de chegar ao ataque. O terceiro gol, quase saiu aos vinte e três minutos, numa jogada em que Ytalo disparou um forte chute, mas a bola subiu muito.
A última substituição foi a entrada de Erik no lugar de Jesus.
Mesmo com o futebol muito abaixo daquilo que se gostaria de ver, não dava pra dizer que o time não estava tentando. E a recompensa veio. Edu Dracena jogou uma bola na área e esta foi mal afastada pelo jogador Francis, o atacante Barrios, bem posicionado, ainda teve tempo de ajeitar para bater. Um bonito gol. O gol de honra. 
O Audax esfriou um pouco, como geralmente acontece depois de um gol. Era a chance que estava faltando para o Verdão. Mas assim como um bom momento tem a recompensa do gol, uma postura displicente, recebe o castigo merecido. Foi Dudu quem sentiu na pele essa verdade.
Após receber uma bola perfeita de Robinho e ficar na cara do gol, ele não teve a tranquilidade dos craques para chutar no ângulo certo ou tirar o goleiro, que estava sozinho no lance. O chute sem nenhum capricho selou o destino do jogo.
Apesar da contundente derrota, o Palmeiras segue como líder do grupo, em virtude dos resultados da rodada, mas nem isso serviu de consolo para a torcida que ficou indignada com o que viu. O gosto amargo dessa derrota tem mais que a própria derrota, carrega uma insegurança sobre o futuro do time nas competições do ano.
O que resta, é torcer muito para que Cuca consiga analisar o elenco e extrair dele, como só os bons técnicos conseguem fazer, o melhor de cada jogador. E a partir daí, imprimir uma dinâmica de jogo que encaixe como luva nesse time.
Forza Palestra!
 
por Alê Moitas