Muito além da Titebilidade

 

Adenor Leonardo Bachi, o técnico mais vitorioso da história Corinthiana

 

 

Em 2012 durante a disputa da Copa Libertadores, Adenor Leonardo Bachi, ou simplesmente Tite, mostrou a Nação Corinthiana o seu diferencial. Ao ser expulso por reclamar da arbitragem, no jogo contra o Vasco, ao invés de ir para as tribunas de honras do velho Pacaembu, Tite foi parar nos braços da Fiel.

foto:globoesporte

Ali no alambrado, Tite sentiu de perto a vibração e o amor da Nação, sentiu-se como mais um do bando de loucos. Os jogadores dirigiam-se até o alambrado para receber os comandos de Tite e de toda a Fiel torcida. Os torcedores que tentavam dar pitacos, no trabalho do comandante, eram repreendidos pelos demais. Este jogo marcado para sempre na memória alvinegra, garantiu nosso passaporte para final e marca a apoteose de Tite!

"Para mim isso é inesquecível. Tá louco! Teve um cara que gritou ‘tira fulano’, mas quando ele estava chegando na metade, voaram nele, falando ‘cala a boca’, ‘torce aí’, e outros 300 adjetivos que você pode imaginar. ‘Ajuda o time’!"

 técnico Tite

 

Tite viveu um dia de torcedor...aquele placar que insistia no 0x0, aumentando nossa angustia ou a sensação do coração gelar, no momento em que Diego Souza partiu sozinho, após vacilo de Alessandro. Lembro-me de toda a agonia, aqueles instantes que pareciam uma eternidade, toda nossa trajetória passando em um segundo, até a defesa do gigante Cássio. Ufaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Naquele momento, a Fiel enlouquecida, não parava de cantar, Tite ali no meio, inquieto, regia o time ao som da torcida. Até que aos 42 minutos do segundo tempo, Paulinho abriu o placar. A vitória suada, as condições do jogo, eram a consolidação do maestro.

 

O Começo do menino Ade, que por engano virou Tite

Nascido em 25 de maio de 1961, filho do meio de dona Ivone e seu Genor Bachi, Tite desde menino, mostrava sua paixão ao futebol. Estudante do Colégio de freiras, Madre Imilda, o garoto não fazia a menor cerimônia, para pular os muros do fundo da escola e correr para futebol, uma vez que no colégio, não havia espaço para pratica do esporte.

Chamado de Ade pela família, Adenor ganhou o apelido de Tite, por engano do técnico Felipão, que naquela época dirigia o Cristóvão Mendonza, equipe de Caxias do Sul. Jogando como amador, Tite era o clássico camisa 10 e representava seu colégio em torneios entre escolas. No ataque da equipe, Adenor, tinha como companheiro, um garoto, conhecido como Tite. Ao enfrentar a equipe de Felipão, o técnico, gostou do camisa 10 e confundiu os nomes, passando a chamar Adenor, de Tite.

Assim, Tite foi apresentado aos dirigentes do Caxias e começou sua carreira, como volante, em 1978. Como jogador, o fim da sua jornada foi prematuro, logo aos 28 anos, Tite teve de se aposentar devido as lesões, mas antes foi vice-campeão Brasileiro em 1986, da copa da União em 1987 e do Paulista em 1988, pelo Guarani.

foto: forum.lolesporte.com

Formado em educação física, pela PUC de Campinas, seu primeiro trabalho como treinador foi no Guarany de Garibaldi, em 1990. Tite comandou outras equipes menores, até chamar a atenção do Grêmio, após ser campeão Gaúcho em cima do próprio Tricolor, como comandante do Caxias. No Grêmio, sagrou-se campeão Gaúcho e campeão da Copa do Brasil em 2001.

A família foi a base de tudo e o amor ao futebol, Tite herdou do pai, que o incentivava a ser jogador. Nos tempos mais difíceis, a mãe de Tite trabalhava dobrado como costureira para manter o sonho do filho. Diante da cobrança do pai, Tite pensou em abandonar a carreira, mas dona Ivone, muito religiosa, tinha fé no sucesso do filho.

 

"O pai teve uma época que fez a cobrança. Estava na hora de trabalhar. Mas a mãe disse que trabalhava mais pra deixar ele tentar ser jogador"

lembra  Miro, o irmão

A religiosidade é marca registrada e lembrada pelos admiradores de Tite. Sempre em jogos do Timão é possível ver o técnico, fazendo suas orações e a cada gol, Tite ergue os braços ao céu e agradece. Outro ritual, herdado da mãe é o uso das cores do clube em dias de jogos, sempre uma cor predominante. No Corinthians, Tite adotou o preto. A iniciativa, começou, após ganhar de presente um terço grená, cor do Caxias, em comemoração ao título Gaucho de 1999.

 

"Eu rezo para o santo do dia. Mas tenho o São Jorge como o principal. E foi só outro dia que eu descobri que ele era o padroeiro do Corinthians. Combinou."

Foto:foxsports

Em 2004, Tite assumiu o São Caetano e deu forma a equipe, que seria campeã Paulista com Muricy. Ainda naquele ano, Tite começaria a escrever sua história no Corinthians.

Tite do Corinthians ou Corinthians de Tite?

O Corinthians estava à beira do rebaixamento. Com um bom trabalho a equipe arrancou e chegou à quinta colocação do Brasileirão. Em 51 jogos, foram 24 vitórias, 15 empates e 12 derrotas. Mesmo assim, durante a disputa do Campeonato Paulista de 2005, o treinador pediu demissão após desentendimento com o mandatário Kia Joorabchian.

Kia era desafeto declarado do treinador. Desde sua chegada ao Timão, não escondia o interesse em contratar Luxemburgo, que treinava o Santos. Tite chegou a declarar, que se a parceria com a MSI fosse concretizada, não ficaria na equipe. Sem acordo com Luxa e por falta de opção no mercado, Kia manteve Tite, mas após o treinador se recusar a deixar Tevez cobrar um pênalti, contra o São Paulo e Coelho desperdiçar a cobrança, o treinador, saiu da equipe.

Em sua despedida, Tite afirmou "um dia volto para terminar o que não deixaram", e assim foi.

A volta Gloriosa

No final de 2010, Tite voltava ao Corinthians, deixando a equipe do Al-Wahda, que disputaria o Mundial de Clubes. Logo no começo de seu trabalho, Tite passou um momento de crise, com a eliminação para o Tolima pela pré libertadores.

No dia seguinte à eliminação, o presidente Andrés, confirmou: o Tite, fica. Lembro-me de ficar indignada, pois como um cara com Ronaldo em campo, conseguiu ser eliminado para um desconhecido? Eu estava errada. Mal, nós corintianos sabíamos de que depois deste tropeço, viriam glórias e mais glórias, sob o comando de Tite.

Com a famosa, Titebilidade, Tite impôs em campo, um forte esquema de marcação. Todos os jogadores deveriam voltar para marcar, quando a bola estivesse com o adversário. O trabalho começou a dar sinal, de que estava no caminho certo, com o vice-campeonato Paulista, contra o Santos.

Naquele ano, Tite conquistou seu primeiro campeonato nacional: o Brasileiro. O título, não acalmou os torcedores e Tite, ainda era visto com desconfiança por muitos. Mas o ano seguinte seria o ano mais importante da carreira do treinador e da historia Corinthiana.

Em 2012, o Corinthians conquistou de forma invicta a Libertadores da America. Tite, realizava o sonho da Fiel de colorir o continente de preto e branco. A conquista do Mundial, foi a cereja do bolo alvinegro, a afirmação de Tite e de seu esquema tático.

Tite foi eleito o melhor técnico do Mundial, superando Rafa Benítez. Sua equipe, chamou a atenção do mundo, ao vencer o Chelsea por 1x0, com gol de Paolo Guerrero. Parar o campeão da Champions e levar ao Japão, mais de 30 mil loucos, causou admiração de muitos jornalistas. O técnico que construiu sua jornada, com placares magros e muitas vezes sendo chamado de retranqueiro, mostrava que realmente, a defesa é o melhor ataque.

Foto:corintimão

Tite ainda garantiu mais dois títulos, o Paulista de 2013 e a Recopa de 2013. Fechava a conta com: Paulista, Brasileiro, Libertadores, Recopa e Mundial.

Um novo Tite

Com uma fraca campanha no Nacional e a eliminação na Copa do Brasil, a diretoria optou por não renovar o vínculo com Tite. Em novembro de 2013, Mario Gobbi e Tite, anunciaram o fim da era mais vitoriosa do Timão, era o “até breve”.

Nos últimos jogos do campeonato, o técnico recebeu milhares de homenagens da torcida. Seu nome ecoava pelos estádios durante os jogos.

foto:r7esportes

Mano Menezes assumiu a equipe e neste período, Tite se dedicou aos estudos. Passou a acompanhar os grandes comandantes do futebol mundial. Seu objetivo era a seleção brasileira. Com a contratação de Dunga, Tite, recusou diversas equipes do futebol nacional.

O trabalho de Mano, não vinha rendendo o esperado e no fim de 2014, a diretoria confirmava a terceira passagem de Tite, no comando do Corinthians.

“Vou sair da minha zona de conforto e colocar minha cara de novo para bater”-

Tite em entrevista coletiva, após confirmar o retorno ao Timão

 

Um novo capitulo, jamais um final

Como nada para o Corinthiano é fácil, o trabalho em 2015 começou com uma certa dificuldade. A equipe foi eliminada no Paulista e na Libertadores. Muitos jogadores, deixaram a equipe e o time passou a ser subestimado. Jornalistas, diziam que ao Corinthians, restaria se conformar com o não rebaixamento, mas Tite foi além.

O treinador fechou a equipe. Valorizou cada jogador e conseguiu recuperar o apagado, Jadson. A equipe, liderou isoladamente o Brasileirão, e sagrou-se campeã com 81 pontos e três rodadas de antecipação. Como melhor ataque e a melhor defesa, a equipe superou o Cruzeiro, como melhor campanha na era dos pontos corrido. A conquista, foi mérito do treinador, a coroação de sua inteligência e visão técnica e tática.

Foto: Alexandre Loureiro

Tempos se passaram desde que escrevi essas linhas( texto original de novembro de 2015), mas a imensa gratidão e admiração por Adenor, apenas crescem. Temos em mais uma temporada, o mestre a beira do gramado, impondo o “merecimento”, as vezes contestado em campo, mas sempre exaltado. Seria a sina de Adenor, ser o sir Alex Ferguson do Corinthians?

A história se repetiu, e novamente o time passou por um desmanche e por eliminações em mata a mata, e resta a Tite, remodelar a equipe. É uma unanimidade que Tite é o melhor treinador do Brasil e o comando da Seleção Brasileira é dado como destino certo.

Contar a história desse gigante, caiu-me como um presente... a forma de demonstrar a gratidão da Fiel torcida, a esse Mestre. O torcedor Corinthiano, carregará para sempre, o treinador no coração. Afirmo sem dúvida alguma: Tite é um ídolo.

Ter, Tite a beira do gramado é a segurança da equipe. Desde o roupeiro até o presidente, todos se rendem ao talento e a inteligência de Adenor. A Titebilidade, deu um nó tático nas maiores equipes do futebol nacional, mostrando que o futebol pode ser sim, construído com respeito. Obrigada Adenor, por ser o meu comandante, por ser o nosso professor.

Mariana Alves. Pelo Corinthians, com muito amor, até o Fim!