NA LIBERTADORES, REDENÇÃO!

Após passar às oitavas de final da Libertadores desacreditado, o São Paulo de Bauza recebeu o Toluca (MEX) no Morumbi, na noite dessa quinta-feira (28). A equipe mexicana terminou a fase de grupos como líder do Grupo 6, com 13 pontos e apenas 5 gols sofridos, e todos o apontavam como favorito para o confronto com o Tricolor.

Mas como é sabido por quem é fã de esporte, no futebol há a mística do peso da camisa, e para os são-paulinos, além da camisa que “entorta varal”, há também a magia que envolve o Sacrossanto Morumbi, ainda mais em noites de Libertadores.

Mesmo com a noite fria, o São Paulo parecia disposto a conquistar a vitória e fazer um belo espetáculo para as 53.241 pessoas que se faziam presentes no estádio. A equipe paulista bateu seu próprio recorde de público, superando os 51.432 que acompanharam a partida contra o River Plate, no penúltimo jogo da fase de grupos.

Sem poder contar com Calleri, uma das principais peças do elenco, e Denis, Patón achou por bem ir a campo com Renan Ribeiro; Bruno, Maicon, Rodrigo Caio e Mena; Hudson e Thiago Mendes; Kelvin, Paulo Henrique Ganso e Michel Bastos; e Centurión.

O camisa 20, após alguns jogos sem ser relacionado, jogou apenas porque Alan Kardec, que era o mais indicado para a posição, sofreu uma infecção intestinal dias antes da partida. Sendo assim, Edgardo Bauza preferiu deixar o centroavante no banco de reservas e dar uma chance a Ricardo, que executou com louvor suas obrigações em campo.

Os mexicanos, “El diablos rojos”, sentiram o caldeirão ferver desde os primeiros lances de jogo, e a tensão pairava sob os céus do Sacrossanto, assim como a fumaça dos sinalizadores utilizados pela torcida para deixar a festa mais bonita.

(Imagem: Fernando Dantas / Gazeta Press)

O Tricolor, mesmo com o domínio do jogo, perdeu algumas (Muitas!) chances de abrir o placar. Mas aos 27 minutos, após receber arremesso de Bruno (Sim, foi isso mesmo que você leu... Bruno!), Michel Bastos, que por tantas vezes foi criticado por N motivos, mandou de primeira no ângulo. Festa no estádio, festa na torcida, e uma comemoração que há muito não se via. O camisa 7 correu, vibrou, fez gestos, foi até o símbolo, comemorou e se emocionou...

O clima no Morumbi era de festa, e o São Paulo continuava dominando o jogo. Jogadores e torcedores sabiam que apenas um gol poderia mudar a história da partida no segundo tempo. O clamor era para que saísse mais um, dois, três, quantos pudessem sair!

E foi tanta gente pedindo a mesma coisa que aos 44 Rodrigo Caio deu um passe certeiro para Centurión, que estava próximo da grande área. O argentino ajeitou com categoria e chutou. Um golaaaaaaaço! Centurión tanto se ligou que até dançou...

Intervalo do jogo. 2x0 para o Tricolor e a torcida agitada comemorava animada. Mas, apesar do resultado, muitos são-paulinos estavam receosos com o que viria pela frente, pois em outros jogos, o São Paulo mesmo com a vantagem acabou cedendo amargos empates, o que não seria aconselhável em noite de Libertadores.

Na etapa complementar, logo os comandados de Bauza responderam em campo ao receio da torcida. Aos 7 minutos, Michel Bastos recebeu na lateral e entregou para Thiago Mendes (Que também vinha deixando a desejar nos últimos jogos, mas que nunca desistiu de tentar!), que tabelou com Ganso dentro da área, olhou e chutou. São Paulo 3x0.

(Imagem: Fernando Dantas / Gazeta Press)

O menino Thiago é tão esforçado, e de fato mereceu o gol. Se ajoelhou e agradeceu aos céus, a Deus ou aos deuses do futebol, que lhe deram a oportunidade de tentar voltar a ser aquele camisa 23 que tanto fez a diferença em 2015.

A noite ainda guardava fortes emoções, que explodiram com a torcida num grito de gol aos 16, novamente com Centurión, após Michel Bastos (Ele de novo!) cruzar para dentro da área, e o argentino receber e chutar no meio de dois zagueiros e mais o goleiro, a bola sobrar e ele novamente chutar, mesmo caído. No fundo da rede é gol! Gol de Centurión!

(Imagem: Ronny Santos / Folhapress)

Aos 24 minutos, Alan Kardec entrou no lugar de Kelvin. Wesley substituiu Centurión aos 31, e aos 38 Ganso deu a vez para Lucas Fernandes.

O árbitro distribuiu dois cartões amarelos, um para Bruno e outro para Galindo; e um vermelho, para Vega, após entrada brusca em Rodrigo Caio.

São Paulo 4x0, fora o baile. Em noite de redenções, resultado muito melhor do que se imaginava, tanto para os jogadores quanto para os torcedores, e até mesmo para aqueles que tanto fazem questão de menosprezar a grandeza do Tricolor do Morumbi, do São Paulo Futebol Clube.

Com a vitória, Bauza e seus comandados irão à Toluca com uma larga vantagem, podendo perder até por 3x0. Caso faça um gol, os mexicanos precisarão de 6 para conseguirem a classificação. 4x0 para o Toluca leva a disputa para os pênaltis.

O que vale é o apito final. No jogo de 180 minutos, ainda faltam 90. Que o São Paulo possa, apesar da distância e novamente da altitude, fazer uma boa partida no México, e que traga na bagagem a classificação que já está bem encaminhada. Que em Toluca seja como foi no Morumbi, e que os jogadores do Tricolor façam os mexicanos perderem o fôlego, e lembrem da mística do Sacrossanto, que em noite de Libertadores é pura magia e encanto!

Renata Chagas