Nem sempre o time que joga melhor, sai com a vitória. Porque o futebol, também é feito de contradições.

A frustração desses momentos precisa ser transformada em fúria e colocada na chuteira... Afinal, também é fora de casa, que se faz história na Libertadores!
 
Foto: Sociedade Esportiva Palmeiras
 
Casa lotada. Festa alviverde por todos os lados. Uma torcida linda que não parou de cantar. Expectativa e ansiedade. Era mais uma noite de Libertadores.
 
Foi nesse clima que o Palmeiras entrou em campo, para o seu terceiro duelo na competição. Os trinta e sete mil torcedores, que cantaram o hino nacional, com aquele jeito peculiar e a paixão que só os palmeirenses conhecem, fez o adversário uruguaio parecer sufocado, mesmo antes que o juiz pudesse apitar o início da partida.
 
O Verdão correspondeu imediatamente às expectativas do seu torcedor. Entrou em campo mostrando um futebol consistente, com jogadas bem construídas, chegando ofensivamente para tentar abrir o placar.
Logo aos cinco minutos, Dudu assustou o goleiro adversário com um chute forte e rasteiro. Em seguida, foi a vez de Robinho cobrar uma falta num chute cruzado, que exigiu que o goleiro Conde se esticasse inteiro para espalmar.
 
O time de Parque Antártica, não parava de pressionar. E o Nacional, pouco conseguia criar, limitando-se a se defender e tentar marcar as saídas de bola.
 
Num lance que merecia ter terminado em gol, Dudu arrancou e lançou Cristaldo. O centroavante chutou perigosamente e a bola defendida, voltou em rebote. O dono da camisa sete tentou a batida, mas a bola subiu muito. O Palmeiras quase fez aos vinte e dois minutos.
 
Gabriel Jesus protagonizou outro bom lance na cara do gol, mas o zagueiro adversário estava muito atento e o chute não ganhou a força necessária para estourar a rede.
 
Se tem uma coisa que o futebol não é, é justo. Aliás, ele pode ser bem injusto, premiando o time que no momento não exibe o melhor desempenho.
 
E foi assim que aos trinta e sete minutos, os uruguaios, que até aqui, não tinham mostrado nada e tentavam apenas se livrar do sufoco palmeirense, abriram o placar. Depois de conseguirem dominar uma bola mal tirada por Thiago Martins, Nico sai da marcação de Vitor Hugo e chuta, sem chance para Prass. 
Festa tímida da pequena torcida visitante.
 
O que já tinha sido um balde de água fria virou uma verdadeira enxurrada, de água gelada. Três minutos depois, sim, eu disse três minutos, o jogador Barcia, fica praticamente sozinho com Fernando Prass e empurra outra bola para dentro da rede.
 
Ainda sem entender direito o que tinha acontecido, a torcida alviverde, vê uma confusão armada para cima do juiz, imediatamente após o gol. 
 
Os jogadores do Palmeiras estavam indignados! Isso porque, o lance anterior dava conta de uma falta acintosa em cima do jogador Cristaldo e cometida na cara de Enrique Osses, que decidiu fazer vista grossa e deixar o lance correr. Com a defesa do Palmeiras ainda desarrumada, foi muito fácil fazer o segundo gol.
 
Um erro grotesco. Porque não se tratou de um lance duvidoso. Três jogadores adversários imprensaram Cristaldo, sim, eu disse três, novamente. O atacante que ainda tentou se desvencilhar, foi agarrado por trás por um deles, o velho conhecido e não saudoso ex-jogador do Palmeiras, Vitorino.
 
Um absurdo que prejudicou o time de forma irrevogável. O placar de 2x0 para o Nacional, com gols que mais pareceram sustos, não representava o que tinha sido a partida até ali, e definitivamente, não era justo para o Verdão que dominava o jogo.
 
Quando se é surpreendido dessa forma, um milhão de pensamentos passam pela cabeça. O cenário, tão inesperado, evoca, da pior forma possível, aquele "tudo pode acontecer" do futebol. O que viria pela frente? Terá o time, brios para reagir, ou será um jogo embaraçoso, com goleada adversária dentro de casa? 
 
Quando o último pensamento, ainda terminava de torturar a cabeça quente do torcedor alviverde, Gabriel Jesus sai com a bola dominada e recebe uma falta dura do jogador Fucile, que por já ter amarelo, recebe vermelho. Expulsão bem aplicada.
 
A sorte começava a mudar. O Palmeiras mostrou o que todos queriam ver: não se intimidou com a placar desfavorável e aproveitou a vantagem numérica, para ir inteiro ao ataque. Foi acompanhado dos gritos de guerra da torcida, que a essas alturas, suava e pulava ensandecida... "Sigo o meu Palmeiras por toda a vida. Vamos jogar com a alma, jogadores! Para ganhar a taça Libertadores..."
 
Já nos acréscimos, Robinho fez uma boa jogada pelo meio e lançou Cristaldo. A bola mal tirada pela defesa uruguaia sobrou bonita nos pés daquele menino abençoado. Jesus, com uma tranquilidade, que só os craques têm, dribla o goleiro e faz um belíssimo gol. A comemoração eufórica do garoto expressou exatamente o sentimento que aquele gol representava: a garra e a capacidade de superação.
 
O segundo tempo carregou essa sensação de luta e raça. O time de Marcelo Oliveira era, não só superior, como muito mais ofensivo. E a cada bola que “quase” entrava a esperança do empate e da virada, aumentavam.
 
A torcida começou a gritar o nome de Allione. A primeira substituição, no lugar do volante Jean. Egídio e Alecsandro também entraram no lugar de Thiago Martins e Cristaldo, ambos com dores musculares.
 
A partir dos quinze minutos, o que se via em campo, era vergonhoso. O time do Uruguai, muito pressionado, optou por fazer faltas desleais e uma cera tão descarada, que os jogadores, quase conseguiam cochilar no gramado a cada queda. E o pior, tinham a conivência do juiz, que não conseguia coibir esse comportamento.
 
O Palmeiras não desanimou e continuou partindo para cima com boas e perigosas jogadas. Foram mais de seis chances concretas de gol. Um desempenho realmente excelente.
 
A pressão do jogo, também afetou os ânimos em campo e cada vez mais perdido, o juiz começou a "amarelar" todo mundo e expulsou mais um uruguaio. Dessa vez, quem foi para o vestiário mais cedo, foi Leo Gamalho, depois da entrada dura em Egídio.
 
No último lance do jogo, a melhor chance. Allione caprichou numa cobrança de falta, colocando a bola na área, que encontrou Lucas bem posicionado, ele bateu decidido. Na trave. Inacreditável. Aquela era a bola do jogo.
Infelizmente, no futebol, tem aquele dia, em que a bola não entra. Por mais que haja todo o esforço do mundo, ela simplesmente não entra. É frustrante. Contrações do futebol.
 
Que atire a primeira pedra, quem numa teve a sensação de fazer tudo, absolutamente tudo que está ao alcance e mesmo assim, sair derrotado.
 
De Pelé a Maradona. De Messi a Ronaldo. De Divino a Jesus. Todos, já amargaram um dia em que tudo está dando certo, mas a bola temperamental decide por não entrar. De tão perto que chega, irrita. É... A redonda também tem seus caprichos. Que não são explicados pela lógica e parecem estar no campo místico da sorte e do azar. 
 
E por falar em campo... O próximo jogo do Palmeiras será em campos uruguaios, quando ele enfrentará o rival de ontem em Montevidéu. 
 
Em meio a tantas contradições, os jogadores esperam que lá, consigam a proeza de contradizer o futebol e mostrar que ganhar fora de casa, pode ter um gosto muito saboroso.
 
Alessandra Moitas