NO INFERNO, PINTOU O 7!

Na noite dessa quarta-feira (11), o torcedor tricolor compareceu em peso ao Morumbi (que segundo as lendas, em noite de Libertadores vira um inferno!) para acompanhar o primeiro jogo das quartas de final contra o Atlético Mineiro, às 21h45 (BSB).

(Imagem: Nelson Almeida / AFP) 

Batendo seu próprio recorde de público, com 61.297 presentes, o São Paulo precisava tentar resolver em casa, mesmo que fosse por um placar “magro”, e se possível, sem tomar gols.

Antes da partida, a dúvida pairava no ar. Mena e Michel Bastos não estavam confirmados, deixando os são-paulinos apreensivos. Mas logo saiu a escalação oficial, e o Tricolor foi a campo com Denis; Mena, Rodrigo Caio, Maicon e Bruno; Thiago Mendes e Hudson; Paulo Henrique Ganso; Kelvin e Wesley; e Calleri.

O camisa 7 aparecia no banco de reservas, assim como o zagueiro Diego Lugano, que voltou a ficar à disposição de Patón, após passar umas semanas em recuperação no Reffis.

O jogo começou bastante pegado, e logo no início já houve desentendimentos entre os atletas, com o árbitro distribuindo 3, dos 10 cartões que ele ainda mostraria durante toda a partida. Era visível que a disputa seria até o fim, pois as duas equipes demonstravam muita vontade. Porém, a vontade de abrir o placar não significava boas e claras chances de gol.

Logo a partida ficou truncada, e o São Paulo teve apenas uma oportunidade de sair na frente. Aos 8 minutos, Ganso cabeceou com perigo, após Kelvin cruzar da direita e a bola desviar na cabeça de Douglas Santos.

O Galo marcava bastante e forte, dificultando as investidas do Tricolor, chegando ao gol aos 34 com Lucas Pratto, que mandou pra rede de carrinho, após Patric chutar cruzado. Mas, depois de uns vacilos durante o jogo, a arbitragem marcou corretamente um impedimento do argentino, invalidando o lance.

Quase no final do primeiro tempo, Robinho precisou ser substituído por conta de uma lesão muscular, e deu lugar a Hyuri.

(Imagem: Friedemann Vogel / Freelancer)

As equipes foram para o vestiário com a igualdade no placar, mas o São Paulo sabia que precisava fazer pelo menos um gol, ou se não fosse possível, tentar não tomar nenhum.

Na etapa complementar, os atleticanos acharam por bem se aventurar no campo de ataque, mas o Tricolor mantinha o toque de bola e ainda criava boas chances.

Logo aos 14, Maicon desviou de cabeça, após Ganso cobrar escanteio, e Rodrigo Caio quase tocou na bola, mas não deu! Dois minutos depois, o Maestro cobrou falta na área, e Calleri cabeceou com perigo. Mesmo assim, nada de gol.

Sem conseguir balançar as redes pelo alto, Bauza sacou o garoto Kelvin para a entrada de Michel Bastos, aos 18. Minutos antes, a torcida já entoava o coro no Morumbi, pedindo o camisa 7. Aos 21, quase o meia abre o placar, após chutar forte, num contra-ataque, mas a bola foi por cima.

O camisa 23, Thiago Mendes, deu lugar ao colombiano Wilder Guisao, dois minutos depois, e a torcida se perguntava o motivo da substituição. Não precisávamos entender, se Patón sabia o que estava fazendo. Tudo fazia parte do seu plano.

Mas, uma baixa inesperada aconteceu. O zagueiro Maicon, tão querido da torcida, que conquistou o coração tricolor por toda garra e vontade que demonstra em campo, sentiu um incômodo e precisou deixar o campo, evitando maiores complicações e se resguardando para a próxima partida contra o Galo. Assim, Diego Lugano foi para o jogo.

O Tricolor ficou mais ofensivo, e aproveitando as bolas aéreas, abriu o placar aos 33 minutos, com Michel Bastos (Sim! O mesmo que passou dias sem treinar, se recuperando no Reffis, e que não estava confirmado para entrar no jogo!), que cabeceou com categoria no canto esquerdo do goleiro Victor, após Wesley cobrar falta pela esquerda. O camisa 7 saiu do banco de reservas para ser a estrela da noite e o jogador da partida!

(Imagem: Gazeta Press) 

A torcida foi à loucura, explodindo de alegria, e os jogadores sentiam o clima de festa!

Mas um episódio lamentável ofuscou o momento de felicidade. Na hora da comemoração, a grade de um dos camarotes despencou, e alguns torcedores caíram no vão, entre o gramado e a arquibancada, mas logo foram socorridos, recebendo atendimento médico e sendo encaminhados a hospitais.

Passado o susto, a partida reiniciou, e os visitantes tentaram buscar o empate, atacando o São Paulo, que conseguia conter a pressão dos atleticanos e a “boa” vantagem para o jogo da volta, que será na próxima quarta-feira (18), no Independência, em Belo Horizonte-MG.

Eleito o jogador da partida, Michel Bastos falou sobre o momento que vive no Tricolor.

“Tudo em paz. O que passou, já passou. Daqui em diante é só alegria”.

Edgardo Bauza deu sua opinião a respeito do camisa 7.

“A torcida grita e diz o que sente. Naquele momento, o insultaram. Mas quando está jogando bem, o aplaudem. Se fizer mais um gol, vai ser ídolo".

Com a vitória em casa, os comandados de Bauza poderão jogar por um empate. Se fizer gol, qualquer derrota por 1 gol de diferença também dá a classificação para a equipe paulista. Caso seja 1x0 para o Atlético, a decisão irá para os pênaltis.

Afirmando que no jogo contra o Botafogo pelo Campeonato Brasileiro será uma equipe reserva, Patón analisou o confronto com o time de Aguirre.

“Já esperava esse jogo. Conheço seu técnico, é um grande treinador. Suas equipes têm essa identidade de sair no contra-ataque, com gente rápida. Creio que eles terão uma postura semelhante na volta, mas vão sair um pouco mais para o jogo”.

O técnico tricolor também falou sobre a vantagem contra os atleticanos.

“Mas a diferença é mínima. Ganhamos por 1 a 0. É uma partida equilibrada, ganhou quem encontrou o gol. Claro que isso não garante nada. Teremos um trabalho duro, mas isso não quer dizer que temos um plantel defensivo. O Atlético Mineiro veio aqui para atacar. E vamos ter que nos planejar para a volta. Adotaremos uma parte defensiva como fizemos em Toluca, jogando no contra-ataque para encontrar um gol. Teremos uma semana para trabalhar e veremos quem são os melhores atletas”.

Os primeiros 90 minutos dos 180 já foram. Os próximos estão por vir, e o São Paulo buscará forças para se manter firme e seguir vivo na competição. Não será fácil, mas enquanto houver 1% de chance, todo são-paulino terá 99% de esperança.

Que o grupo continue unido, e que todos os jogadores possam lembrar da noite de festa no Morumbi, onde os mais de 61 mil torcedores entoavam em uma só voz: SÃO PAULO, SÃO PAULO! Que esse coro fique no subconsciente de cada um, e que todos possam lembrar que dentro do peito de todo e qualquer torcedor tricolor, bate um coração repleto de amor...

 

Renata Chagas