NO MORUMBI, CALLERIGOL!

O São Paulo entrou em campo na noite dessa terça-feira (05), às 21h45 (Brasília), pela 4ª rodada da fase de grupos da Copa Libertadores da América.

Vindo de um empate com o Trujillanos, e em situação complicada na tabela de classificação, o Tricolor precisava de uma vitória contra o time da Venezuela para continuar vivo na competição.

O resultado?! Foi muito melhor do que aquele que até o torcedor rival poderia imaginar... E a volta ao Morumbi, pela Libertadores, entrou para a história com goleada que ficará na memória!

(Imagem: Marcos Ribolli)

Sem poder contar com alguns de seus comandados, por conta de lesões ou algum outro motivo, Edgardo Bauza relacionou 18 jogadores, e o São Paulo foi a campo com Denis; Bruno, Maicon, Rodrigo Caio e Mena; Hudson e João Schmidt; Kelvin, Paulo Henrique Ganso e Michel Bastos; e Calleri.

Bem diferente da equipe que o torcedor tem visto nos últimos jogos, o Tricolor fez uma excelente partida e soube aproveitar a vantagem técnica e tática para dominar o Trujillanos, principalmente pelo lado esquerdo, onde Granados não conseguia fazer a marcação, deixando o caminho livre para as investidas dos brasileiros.

O espaço era tanto que logo aos 12 minutos Michel Bastos carregou a bola pela esquerda, parou, olhou e cruzou para Calleri, que abriu o placar no Morumbi.

Aos 17, Héctor Pérez defendeu uma cabeçada de Kelvin, após cruzamento de Mena. No rebote, o próprio camisa 30 mandou a bola pra rede e José Páez, mesmo tentando, não conseguiu evitar o gol. Foi o primeiro jogo do atacante como titular.

A equipe venezuelana não conseguia travar o lado esquerdo, e os jogadores do São Paulo continuavam atacando e insistindo.

E tudo parecia realmente estar dando certo! Aos 24 minutos, numa bela jogada, o estreante da Libertadores, João Schimdt, recebeu livre na área, após Mena deixar a bola passar e Ganso chutar de primeira. O volante chutou e marcou seu primeiro gol pelo Tricolor do Morumbi, numa carreira que está apenas começando e tem tudo para durar muitos anos.

(Imagem: Marcos Ribolli)

Intervalo de jogo, e dessa vez o “quem não faz, leva” passou longe dos portões do Cícero Pompeu de Toledo. Mas quem achou que ficaria por isso mesmo, muito se enganou. O “quem não faz, leva” virou “três vira, seis acaba”, para completar a festa tricolor.

Na etapa complementar o São Paulo não perdeu o fio da meada, e como no primeiro tempo, continuou atacando, já que o Trujillanos parecia estar perdido em campo, e com a defesa frágil, colaborava ainda mais para a insistência dos brasileiros, que não desistiam das investidas.

Aos 4 minutos, Jonathan Calleri sofreu um pênalti, que ele mesmo bateu, após o árbitro autorizar a cobrança. Nessa hora, o torcedor não sabia se comemorava ou clamava aos deuses do futebol para que a bola entrasse de um jeito ou de outro. Mas o atacante converteu, dando fim a uma sequência de pênaltis desperdiçados na temporada. São Paulo 4x0. Aos 14, Bauza sacou Rodrigo Caio para a entrada de Lucão.

Os venezuelanos, perdidos em campo, tiveram uma chance aos 20 minutos, mas Denis defendeu o chute de Cova.

Com a vantagem no placar, o técnico argentino fez suas duas substituições restantes aos 22 minutos. Promoveu Thiago Mendes no lugar de Hudson, e Kelvin saiu para a entrada de Lucas Fernandes.

O Tricolor continuava atacando, até que mais um pênalti foi marcado, após Calleri aproveitar uma saída mal elaborada da defesa do Trujillanos e sofrer a penalidade por meio do goleiro venezuelano.

Novamente o camisa 12 bateu, mas diferente do primeiro, Héctor Pérez defendeu. Porém, no rebote o próprio Calleri mandou pro fundo do gol, aos 34.

(Imagem: Marcos Ribolli)

Aos 41, o zagueiro Lucão, de cabeça, fez um lançamento para o argentino, que marcou seu quarto gol na partida, chegando ao total de 8 com a camisa tricolor, e assumindo a artilharia dessa edição da competição. Também foi a primeira vez que Calleri marcou 4 gols num jogo em sua carreira, e o camisa 12 foi o primeiro jogador a marcar esse número de gols com a camisa do São Paulo em participações do clube na Libertadores.

Durante o jogo o árbitro distribuiu, ao todo, 5 cartões amarelos. Erazo, Héctor Pérez e José Páez receberam pelo Trujillanos; e Mena e Maicon, pelo São Paulo.

Além de Jonathan Calleri, que foi o principal nome da noite, há de se destacar também as ótimas atuações de Paulo Henrique Ganso, que mais uma vez mostrou que é essencial para o time, sempre criando as jogadas com genialidade; e Michel Bastos, que respondeu em campo às tantas cobranças recebidas nos últimos meses, por conta de suas atitudes dentro e fora de campo.

Na saída para o intervalo, o camisa 7 falou sobre a sua situação no clube.

“Sempre procurei dar o meu melhor para mostrar que sou importante. A torcida me cobrou por isso, então tento sempre dar o meu melhor. É continuar trabalhando”.

Após o término da partida, o maestro Paulo Henrique Ganso, falou a respeito da forma que o trabalho foi conduzido em campo.

"Tem que manter o padrão de jogo que mostramos no primeiro tempo. O importante não foi só vencer, mas também a forma como nós jogamos", disse o meia.

A vitória não trouxe ao São Paulo apenas os três preciosos pontos. Com a mesma pontuação do River Plate (ARG), o Tricolor assumiu, momentaneamente, a segunda colocação do Grupo 1, pela vantagem no saldo de gols. Caso o time argentino perca para o The Strongest (BOL) no início da noite desta quarta-feira (06), os brasileiros continuarão ocupando o segundo lugar na tabela de classificação, apesar de aumentar a distância em relação aos bolivianos.

Quanto à partida, há quem diga que o Trujillanos é uma equipe fraca, e realmente é. Mas o torcedor são-paulino sabe bem como tem sido uma luta jogar com times considerados mais fracos, técnica e taticamente. A exemplo, o próprio Trujillanos, na Venezuela, e completando a lista, São Bernardo, Linense, Oeste, entre outros. O São Paulo não está bem, e isso vem se refletindo em campo a cada jogo.

Uma vitória como a de ontem não convence, mas ilude. E mesmo sem convencer, faz o técnico, o elenco e a torcida respirar um pouco. Afinal, após uma goleada dessa, mesmo em cima de um time ‘frágil’, é quase impossível para o torcedor, jogador e treinador, ao apito final do árbitro, não fechar os olhos e agradecer aos deuses do futebol pela graça concedida. Uma vitória que se fosse um empate, seria uma derrota e tanto.

 

Renata Chagas