NOSSA QUERIDA VILA CAPANEMA!

 

 

“Tudo de ruim fica do lado de fora. Quando adentramos os portões da Vila do Povo, nossa alma se engrandece, o futebol respira e o sentimento é de respeito ao esporte e de gratidão por poder assistir ao nosso grande amor em um estádio que mantém as mais belas tradições do futebol raiz”.

 

 

Assim começo a descrever a segunda casa do Torcedor Paranista, a nossa Vila Capanema, que na última terça-feira (23), completou 71 anos de muitas emoções!

 

 

Imagem da internet

 

 

HISTÓRIA

Em 23 de janeiro de 1947 foi inaugurado o estádio Durival Britto e Silva, para que o Clube Atlético Ferroviário, fundado em 1930 por funcionários da Rede Ferroviária, pudesse mandar seus jogos em um estádio moderno e com boa capacidade de público.

Em sua inauguração, foi considerado o terceiro maior estádio do país, ficando atrás apenas do Pacaembu e do São Januário.

O nome escolhido para o estádio foi uma homenagem ao militar e então diretor-superintendente da Rede de Viação Paraná-Santa Catarina (RVPSC), antecessora da Rede Ferroviária Federal (RFFSA).

O estádio foi projetado pelo arquiteto Rubens Maister, mas foi Reinaldo Thá quem correu atrás do dinheiro, do material e da mão-de-obra para que o projeto pudesse sair do papel.

Em uma quinta-feira à noite, com o propósito de testar a iluminação, uma partida amistosa entre Ferroviário e Fluminense marcou a inauguração da Vila Capanema, apelido carinhoso dado pelos torcedores e que fazia menção ao bairro em que o estádio está situado, hoje, Jardim Botânico. A partida foi vencida pelos visitantes com um placar de 5x1 e o primeiro gol do Durival Britto foi marcado por Joninho, do Tricolor carioca.

 

 

O PRIMEIRO ESTÁDIO DE CURITIBA A SEDIAR UMA COPA DO MUNDO

Em 1950, Durival Britto e Silva ficou conhecido mundialmente por ter dois jogos da Copa em suas modernas estruturas. A seleção da Espanha venceu os Estados Unidos pelo placar de 3x1, em 25 de junho daquele ano e Suécia e Paraguai ficaram no empate por 2x2, três dias depois.

 

 

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Imagem: Paraná Clube

 

 

Na Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, a Vila Capanema abriu seus portões para que turistas e apaixonados por futebol pudessem conhecer o estádio que foi palco de Mundial e o título de "primeiro estádio do Paraná a receber jogos da Copa do Mundo" foi relembrado pelo Tricolor com vendas de produtos oficiais do clube durante o período da Copa.

 

 

“A Vila Capanema é um orgulho dos Paranistas e a história do estádio merece ser preservada. Estamos em fase de estudos para a construção de um museu com a história do Paraná Clube e seus antecessores (os clubes Colorado e Pinheiros), com um acervo especial da Copa” - comentou na época, o vice-presidente Christian Knaut.

 

 

VILA CAPANEMA A CASA DE FERROVIÁRIO, COLORADO E PARANÁ CLUBE

 

 

Imagem: Paraná Clube

 

 

Também em 1950, o Ferroviário conquistou o Campeonato Paranaense em cima do rival Coritiba, na Vila Capanema. Em 1953 foi "Campeão do Centenário" e em 1965, novamente campeão Paranaense, mais uma vez sobre o Coxa.

Em 1971, o Colorado Esporte Clube, que veio da fusão do Britânia, do Palestra Itália e do Ferroviário, começou a jogar na Vila, mas o único título conquistado foi o estadual de 1980 com o Cascavel, em um jogo com muitas peculiaridades, onde o juiz acabou decretando ambas as equipes campeãs.

Em 1989, da fusão de Colorado e Pinheiros, nasceu o Paraná Clube, que voltou a trazer decisões e conquista de títulos para o estádio. Em 1993, mais de 16 mil Paranistas foram a Vila Capanema ver o Tricolor conquistar o seu segundo título estadual, contra o Matsubara.

Em 2003, com a criação do Estatuto do Torcedor, o Paraná se viu obrigado a mandar seus jogos no Pinheirão.

Apesar de não ter problemas em jogar no Pinheirão, o torcedor Paranista sempre teve um carinho especial pela Vila Capanema e em 2005, a pedidos da torcida e comandado pelo diretor de marketing Neto Gayer, foi lançada a campanha “Vila, tá na hora!”, que visava a ampliação da Vila Capanema, conforme as exigências do novo estatuto.

Sem nenhuma ajuda do governo, a campanha de grande sucesso arrecadou R$ 1.820.000,00 de Paranistas e contribuiu com os R$ 2.500.000,00 investidos na construção de 72 camarotes, revitalização dos setores existentes e criação da Curva Norte, onde a capacidade foi aumentada para 20.083 torcedores.

Com o “Vila, tá na hora!”, que foi uma das maiores provas de amor que o torcedor deu ao Paraná Clube, o estádio foi reinaugurado em 20 de setembro de 2006, pelo Campeonato Brasileiro, quando com gols marcados por Leonardo e Peter, o Paraná ganhou de 2x0 do Fortaleza.

 

 

“Foi um dia muito especial, abrimos com um evento e o torcedor teve uma participação muito ativa. Foi um momento muito especial do time, a energia estava muito boa e é um dia que está na memória de todos os Paranistas” - contou o vice-presidente de planejamento e presidente do “Vila, tá na hora!”, Márcio Vilela.

 

 

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Em 2007, o Tricolor mandou 5 jogos pela Copa Libertadores da América, contra Flamengo, Real Potosí, Union Maracaibo, Cobreloa e Libertad, colocando novamente a Vila Capanema nos holofotes do futebol mundial.

 

 

RECORDE DE PÚBLICO

O recorde de público do Durival Britto se deu em uma partida entre Atlético-PR 3 x 2 Santos, que aconteceu há quase 50 anos, em 08 de setembro de 1968, quando a capacidade era maior e o público foi de 24.303 pessoas.

Com o passar do tempo, a capacidade foi reduzida e desde que o Paraná Clube nasceu, não teve a oportunidade de quebrar o recorde batido antigamente. Atualmente o estádio comporta 20.083 torcedores, mas por questões de segurança as autoridades só liberam aproximadamente 17 mil lugares. Em 2007 o Paraná Clube levou 17.214 torcedores, capacidade máxima do estádio, para prestigiar a final entre o time da casa e o Paranavaí, onde o visitante sagrou-se campeão.

No entanto, sabe-se que a diretoria Paranista corre atrás de ampliar a capacidade do estádio com uma arquibancada móvel e um investimento estimado em 5 milhões de reais, para fim exclusivamente de possibilitar à sua torcida a quebra do recorde que nunca lhes foi oportunizado. A ideia é montar uma arquibancada tubular para, no mínimo, 7 mil pessoas e aumentar a capacidade para mais de 25 mil torcedores.

 

 

“Eu não sei se vai ser por um jogo ou para o ano todo, mas nós vamos fazer. Já temos alguns estudos e é viável aumentar a capacidade. É uma questão de honra ter o recorde do nosso próprio estádio” - afirmou o Presidente Leonardo Oliveira.

 

 

A torcida Paranista em 2017 quebrou o recorde da Arena da Baixada com 39.414 pagantes para assistir ao jogo contra o Internacional e lotou o estádio Couto Pereira no último jogo do Campeonato Brasileiro da Série B, com 37.714 Paranistas que comemoravam a volta à elite do futebol nacional e a quebra de recorde da capacidade atual do estádio (mesmo que “milagrosamente” os donos da casa tenham informado um número superior a este, na partida do dia seguinte). Mas tal feitos não satisfazem a nação Tricolor, que espera ansiosamente pela oportunidade de bater o recorde em sua casa. O presidente Leonardo de Oliveira também falou a respeito disso:

 

 

“Pouco importa os números nos estádios dos nossos rivais. O nosso estádio tem que ficar marcado com o nosso nome porque a nossa torcida merece. A ideia é tentar fazer essa ampliação em um jogo que tivermos só a nossa torcida, como foi no Couto Pereira”

 

 

Além disso, com o retorno à Série A, o aumento da capacidade da Vila Capanema passa a ser muito importante para que o torcedor esteja junto com o time e também para que a renda dos jogos seja uma boa fonte de receita aos cofres do clube.

 

 

PALCO DE GRANDES SHOWS E EVENTOS

A Vila Capanema já foi palco de grandes shows, como o do Pearl Jam em 2012, que levou mais de 23 mil pessoas ao estádio e o show do Guns N’Roses em 2014, com público de mais de 16 mil pessoas.

Em 2016, o Paraná Clube inovou e com o intuito de mudar a história do clube, o Tricolor lançou novos uniformes, planos de associação para os torcedores, novo site e canal no YouTube, mostrando que também poderia usar o seu estádio como palco para realizações de eventos dedicados a torcida Paranista.

 

 

PRECIOSIDADES

O estádio Durival Britto e Silva possui estacionamento, food truck, loja e atendimento para sócios na área externa, além de boas acomodações internas, distribuídos em uma área de 58 mil m².

O belo estádio, visto por fora mostra o carinho com que foi adaptado: as paredes são ladrilhadas nas três cores do Tricolor, enquanto o muro da parte externa possui desenhos com lances de futebol. 

 

 

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Além do seu alambrado e das arquibancadas de concreto, o que mantém suas origens, é o conhecido relógio histórico, que precisa que deem corda a cada 8 dias, indica o placar das partidas e fica localizado no setor Força da Reta, entre os camarotes.

 

 

Imagem: Alexandre Alliatti

 

 

Em 2017, em uma pequena cerimônia antes da partida contra o ASA pela Copa do Brasil, o Paraná Clube inaugurou a Sala de imprensa Caio Junior, em homenagem a um dos maiores ídolos da história do Tricolor e que veio a falecer no trágico acidente de avião envolvendo a equipe da Chapecoense.

 

 

Imagem: Geraldo Bubniak

 

 

“Agradeço muito a atitude do presidente e isso foi de vontade do clube. A gente fica feliz por esse reconhecimento e estamos orgulhosos que ele será lembrado para sempre. Ele sonhava e planejava retornar ao Paraná muitas vezes, e a gente conversou sobre um retorno. Não é novidade que o clube de coração do meu pai é o Paraná” - disse Matheus Saroli, ao receber a homenagem e revelar que a vontade de Caio Junior em treinar o Paraná no futuro, de graça.

 

 

DE QUEM É A VILA CAPANEMA?

Em 2016 o Paraná Clube perdeu a disputa judicial envolvendo o terreno da Vila Capanema, mas o Tricolor está mais perto do que nunca de concluir um acordo político que colocará um fim nesta história.

A solução seria ofertar patrimônios na forma de permuta e finalizar o imbróglio que vem se arrastando há muitos anos. O clube ofereceu duas parcelas de dois patrimônios diferentes em troca do estádio: a frente da Vila Olímpica do Boqueirão, onde ficam as piscinas, e uma parte da sede social da Kennedy, ainda não especificada.

A compensação de benfeitorias feitas pelo clube na praça esportiva não agrada a União e faz com que a negociação seja cada vez mais viável.

Em caso de negativa, o Paraná ainda poderá entrar com recurso especial no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, não resolvendo, buscar um recurso extraordinário no Supremo Tribunal Federal (STF), o que arrastaria ainda mais a batalha jurídica e seu desfecho.

O fato é que a Vila do Povo é um patrimônio histórico do futebol e o Paraná Clube não irá abrir mão de sua casa facilmente.

 

 

O DIFERENCIAL

 

 

Imagem: Paraná Clube

 

 

Em 2017, o Paraná Clube perdeu apenas dois jogos em toda a temporada dentro de sua casa. Jogar na Vila transmitiu ao time a força que vinha da arquibancada para que pudesse retornar a elite do futebol brasileiro e para que o estádio voltasse a ser palco de disputas da primeira divisão.

A energia que a Vila Capanema possui deixa qualquer apaixonado por futebol arrepiado. No estádio mais raiz da cidade, temos a honra de nos deleitarmos com memórias que nos remetem aos bons tempos do futebol ingênuo e de fácil acesso, onde era possível trocar ingressos por latas de leite, em ações sociais.

São tantas as histórias de títulos e jogos inesquecíveis que podemos afirmar que o Paraná Clube é muito mais Paraná Clube quando está em sua tão querida casa, ao lado de sua apaixonada torcida!

 


 

Fontes: Paraná Clube, Wikipédia, Paranautas, Gazeta do Povo, Portal Terra, Banda B, Click RBS e Globo Esporte.

 

SemPRe Tricolor, Itauana Morgenstern.