NUNCA DUVIDE DO SPORT

Quartas de final da Copa do Nordeste 2017.

Sport  x Campinense.

29 de março, quinta-feira. Jogo de ida, em Campina Grande. Campinense 3 x 1 Sport.

 

A derrota deixou os rubro-negros da Ilha com os nervos à flor da pele. A todo momento o cérebro insistia em relembrar o ocorrido  e surgia o questionamento “Como é que a gente vai reverter esse placar?”

Havia três dias de intervalo entre o jogo de ida e o jogo de volta e ao pensar nisso o coração era inundado por um misto de medo e esperança, por não saber como o time iria se portar diante desse obstáculo. Técnico novo, jogadores lesionados e um mau futebol sendo apresentado na temporada.

Os passos para a vitória deveriam ser traçados por partes. E começou por Rithely. Quando o volante abriu o coração e reconheceu os erros da equipe, após a derrota no primeiro jogo. “Quer a realidade? Foi um jogo de bosta. Não jogamos nada e quando isso acontece, merece perder. Esse é meu ponto de vista. Mas não tem nada acabado. A gente conseguiu fazer um gol aqui e em casa, vamos inverter o placar. Fazer o 2 a 0, se classificar e calar a boca de muita gente.”

Ao ver a entrevista do jogador, a torcida já conseguiu perceber que a equipe iria entrar em campo com sangue nos olhos. E todos sabem que quando um leão vai à caça com fome, ninguém consegue segurá-lo.

O segundo passo para a vitória tem o dedo do técnico recém-contratado, Ney Franco. Menos de uma semana no comando do Sport, Ney fez a leitura do que precisava ser melhorado, mostrou conhecimento sobre o elenco, efetuou as mudanças necessárias e deu uma nova cara ao time. Efetuou apostas na escalação e acertou em todas.  Para defini-lo, eu utilizo a palavra ousadia.

Enfim, chegou às 16h00 do dia 02 de abril. Um domingo chuvoso trás boas lembranças a torcida leonina.

O Sport iniciou a partida em 100 km/h. Equipe não deu espaço ao adversário e aos 17 minutos da primeira etapa já estava 2 a 0 para o time da casa, com gols de Rogério e Diego Souza. Era o resultado necessário para os pernambucanos avançarem de fase.

Mas tudo parecia estar muito fácil e como todos nós já conhecemos a historia, se não for sofrido, não é Sport, não é?

Aos três minutos do segundo tempo, Fernando Pires diminuiu para o Campinense. O resultado de 2 a 1 traria a vaga de volta para os paraibanos. A essa altura do campeonato, o Sport teria que marcar mais um gol para levar a decisão para os pênaltis ou dois para voltar para a disputa. E não demorou muito para que, com muito estilo, Diego Souza marcasse seu segundo gol na partida, de bicicleta. O empate no placar geral levou a decisão para os pênaltis.

 

A classificação veio dos pés de Ronaldo Alves, Everton Felipe, Lenis e Fabrício e das mãos do ídolo Magrão, que defendeu a sua 26º cobrança. Das quatro chances, o Sport soube aproveitar todas. Enquanto isso, Joécio e Tiago Orobó não conseguiram realizar o mesmo feito para o Campinense. Fim de papo! Sport 3 (4x2) 1 Campinense.

Foto: Williams Aguiar / Sport Club do Recife

Depois de todo o sofrimento, o torcedor pôde abrir os olhos e perceber que diante de todo investimento e estrutura, estamos comemorando uma classificação que o Sport tinha obrigação de fazer não ser dramática. Mas deixando a corneta de lado, pudemos assistir a melhor apresentação da equipe em 2017. Suada, com uma mistura de choro e riso, na base da raça, como o Sport Club do Recife.

Teremos Sport x Santa Cruz na semifinal da Copa do Nordeste. Replay de 2014. Naquele ano, o Sport eliminou o Tricolor e venceu o Ceará na final. Será que veremos a historia se repetir? Logo saberemos.

Agora, a única certeza que temos é que o espírito vencedor de Guilherme de Aquino continua ao nosso lado, mostrando a gente que o Sport é tudo que a vida tem de belo a oferecer. E que passe o tempo que passar aquela velha frase que as gargantas rubro-negras ecoam aos quatro cantos, jamais deixará de fazer sentido. NUNCA DUVIDE DO SPORT!

Beatriz Cunha, rubro-negra da Ilha do Retiro