O Bugre de 2016

O ano de 2016 está indo embora, e como de praxe, os anos do Guarani, o glorioso alviverde de Campinas, tem sido de altos e baixos. Durante esse ano disputamos três campeonatos: a Copa São Paulo de Futebol Júnior, o Campeonato Paulista da Série A2 e o Campeonato Brasileiro da Série C, respectivamente.

Copa São Paulo de Futebol Júnior

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Fonte: Globo Esporte

Esta foi 47ª edição da saudosa “Copinha”, a maior competição de futebol júnior do Brasil, disputada por clubes de todo o país. Organizada pela Federação Paulista de Futebol, ocorreu de 2 a 25 de janeiro, data do aniversário da cidade de São Paulo. Foram 112 times, divididos em 28 grupos.

O Guarani, ficou no Grupo 12, com sede em Águas de Lindóia, jogando no Estádio Leonardo Barbieri, ao lado de três equipes, sendo elas: Paysandu, Mogi Mirim e Náutico. O Bugre classificou-se em primeiro do grupo com 5 pontos, seguido pelo Papão da Curuzu, com 4 pontos. Avançando para a fase do mata-mata, enfrentamos o Botafogo da Paraíba e vencemos por um placar apertado de 1x0, também na cidade de Águas de Lindóia. Para a próxima fase, tivemos que nos deslocar da nossa cidade sede e irmos para Limeira enfrentar o Corinthians. O resultado não foi dos melhores, perdemos o jogo por 2x1 e fomos eliminados do torneio. Porém é importante ressaltar a campanha guerreira dos meninos do Guarani. Fica a torcida para que o Bugre volte a ter uma das melhores bases do Brasil, formando grandes atletas para o futebol nacional e internacional como nos tempos passados de glórias.

Campeonato Paulista Série A2

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Fonte: Arquivo pessoal

Diferentemente do campeonato do ano anterior, a edição de 2016 garantiu o acesso à Série A1 apenas aos dois primeiros colocados. Na primeira fase, as vinte equipes se enfrentaram em dezenove rodadas e os seis últimos colocados caíram para a Série A3, enquanto os oito primeiros avançaram para as quartas-de-final, em que o primeiro colocado enfrentou o oitavo, o segundo enfrentou o sétimo e assim por diante. Em esquema de mata-mata, os finalistas garantiram o acesso à Primeira Divisão do Paulista de 2017. Além disso, o campeão do torneio ocupou uma das vagas do estado de São Paulo na Copa do Brasil de 2017.

O Guarani fez um campeonato irregular, com bons jogos fora de casa, mas deixávamos a desejar dentro do Brinco e isso pesou muito no final do campeonato. Na última rodada, dependendo apenas de nós mesmos, na nossa casa, com um sol escaldante, no dia em que completávamos 105 anos, enfrentamos o Barretos. Uma vitória magra nos dava a classificação, pressionamos durante todo o jogo. O Barretos, gostava da partida que lhes dava a classificação e jogavam no contra-ataque. Já o Guarani, pressionado pela torcida que cobrava reação do time. E o que nós, bugrinos, temíamos aconteceu aos 37’ do segundo tempo. Norton cobrou falta para dentro da área, ninguém desviou e a bola entrou no ângulo de Pegorari. Mas o balde de água fria veio aos 46’, o mesmo Norton chutou na trave e, no rebote, finalizou no canto do goleiro, liquidando a partida e tirando totalmente a nossa chance de classificação.

Campeonato Brasileiro Série C.

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Fonte: Globo Esporte

A edição de 2016 manteve o formato em vigor desde 2012,  foi disputada por 20 clubes, divididas em dois grupos: Grupo A e Grupo B. Em cada grupo, os times se enfrentaram duas vezes (jogos de ida e volta), totalizando 18 rodadas. Os quatro melhores de cada grupo avançaram para a fase eliminatória. As duas piores equipes de cada grupo foram rebaixadas para a Série D. Os quatro semifinalistas já estavam automaticamente garantidos na Série B de 2017.

Os números mostraram a superioridade do Guarani durante a fase de grupo da competição nos deixando em primeiro lugar com 38 pontos. A nossa classificação para as quartas de finais só croncretizava o trabalho sério realizado até aquele momento. Queríamos mais. Precisávamos do acesso.

Nosso primeiro jogo das quartas foi no agreste alagoano, mais precisamente na cidade de Arapiraca. Iniciamos a partida bem, marcando o primeiro gol com Ferreira, mas não seguramos a pressão do time da casa, que virou e ampliou a partida em 3x1 no Estádio Coaracy da Mata. Íamos ficar mais um ano na terrível Série C? Não merecíamos isso! O dia 8 de Outubro era um tanto quanto empolgante, o clima era bom, a torcida compareceu e os jogadores entraram no nosso ritmo. Quando se vê jogador chorando ao filmar a torcida na chegada do ônibus no estádio deve-se esperar que vem coisa boa por aí. E veio. Enfim, o grito preso na garganta desde 2013 pôde ser dado: tchau, Série C, isso não nos pertence mais! E o grito saiu em grande estilo: incontestáveis 3x0 no ASA e em toda a sua arrogância e prepotência.

 

Porque se o Bugre tinha muitos motivos para ganhar esse jogo, o adversário só deu mais um. Ou vários: fez gracinha durante o jogo de ida lá em Alagoas segundo relato de jogadores bugrinos e teve até jogador com barba descolorida antevendo a possível festa aqui em Campinas. Mas esse é o preço que paga quem se junta com o outro time de Campinas. Treinaram no CT deles, ficaram no hotel que eles ficam e acabaram ficando como eles ficam todo ano: chupando o dedo.

Mas os nossos motivos eram nobres. O Guarani atropelou esse tal de ASA, mostrando que o que aconteceu em Arapiraca foi um acidente de percurso. Era questão de honra para esses caras mostrar que o nosso time é muito mais do que o que jogou lá no Nordeste. E eles foram monstruosos.

O tão criticado Leandro Santos fechou o gol. Leandro Amaro, que teria falhado no primeiro gol no jogo de ida, abriu o caminho para a goleada. Chamusca tirou Zé Antônio e colocou Wesley que, ao lado de Auremir, foram dois monstros no meio campo. Fumagalli sempre foi Fumagalli.

Eliandro merece um parágrafo dele porque o jogo foi dele. As teorias conspiratórias diziam que o elenco não gostou de ter visto um jogador recém chegado tomar o lugar de titular. Tudo balela. Do oportunismo de um camisa 9 que procuramos nas últimas quatro temporadas de Série C (de Nena a Obregón, passando por Silas, Henan, Giancarlo, Macena e Anderson Cavalo) saíram dois gols de centroavante, justamente o que menos jogos jogou se comparado aos demais. Jogou na hora certa! Se lhe falta técnica, isso não importa. Eliandro virou talismã e para sempre será lembrado por nós!

E nós... bem, nós merecemos tudo isso! É gratificante ouvir as palavras dos jogadores referindo-se à nós. Eu nunca vi um recebimento de jogadores como eu vi naquele dia quando o ônibus manobrava para deixar os jogadores. Eu nunca ouvi um grito de gol como o do Leandro Amaro. E o quanto a gente gritou? Tirando Fumagalli, Lenon e mais alguns da base, esses jogadores são todos novos e não viram o que passamos nos últimos 4 anos. Só que eles atuaram como se tivessem saído das arquibancadas depois de ter visto tanto fracasso e desleixo e nos representaram da primeira até a última partida. Eles foram a gente em campo e temos orgulho de aplaudi-los!

Estávamos garantidos na Série B. Pela semifinal enfrentamos o ABC de Natal e perdemos o primeiro jogo no Estádio Frasqueirão por 4x0. Um resultado estranho depois da campanha vitoriosa da equipe, talvez por ser um jogo festivo. As esperanças acabariam? O Guarani conseguiria reverter o resultado? E no dia 23 de Outubro eu vi um milagre acontecer. Em noite de Fumagalli inspiradíssimo, o Bugre reverteu o placar. Um 6x0 avassalador, para não deixar dúvidas, para dar moral. Para ressurgir o Guarani.

Na final da Série C enfrentamos o Boa Esporte, da cidade de Varginha, interior mineiro. Na primeira partida, no Brinco de Ouro, com a volta do tobogã depois de um longo período interditado, o Guarani empatou em 1x1. A segunda partida foi realizada no Estádio do Melão e ao bugrinos se movimentaram para ir até o Sul de Minas. Fomos em busca do título. Só que ele não veio. Perdemos para o Boa Esporte por 3x0.

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Fonte: Globo Esporte

E, que me desculpem os mais exaltados, isso faz parte do futebol. Quem vive no meio do esporte sabe que perder ou ganhar faz parte. Você pode questionar como perdeu, mas perder faz parte.

Jogados 180 minutos de decisão, é justíssimo dizer que o Boa Esporte foi merecedor do título. Jogou melhor, seus jogadores sabiam o que fazer em campo, o técnico conhecia bem o time, tinha jogadas bem montadas e soube explorar nossas principais deficiências. Foi mais completo. E temos que entender isso.

O ponto negativo ficou por parte da polícia mineira, não generalizando, é claro. Claro que Varginha já recebeu públicos maiores que o da final entre Guarani e Boa Esporte. Claro que já recebeu final de campeonato também. Mas como Minas Gerais é um estado de dois times de futebol, todo e qualquer jogo que acontecer lá será de torcida única. Ninguém torce só para o Boa Esporte.

Mas aí é que está: o problema não foi a rivalidade entre torcidas. Não temos motivo para rivalizar com os moradores de Varginha (não existem torcedores do Boa Esporte). Elenque aí: Polícia Militar, CBF e arbitragem contribuíram para a praça de guerra em Varginha.

A arbitragem, coitada, estava perdida. Expulsou o Ferreira sem precisar expulsar e ajudou a inflamar a torcida. Parou o jogo corretamente quando viu sinalizadores acesos na torcida do Guarani, mas foi incapaz de parar o jogo quando o sistema de som do estádio inflamava os donos da casa. Foi caseira, claro.

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Fonte: Globo Esporte

A CBF também tem sua parcela. Estamos falando de uma final de campeonato e, tanto na ida quanto na volta, escalou árbitros de escalões inferiores. Tratou mal seu produto e ajudou, por que não, especialmente em Varginha, a inflamar a torcida bugrina. Mas a Polícia Militar de Minas Gerais subiu no alto do pódio da incompetência.

Finais de campeonato serão sempre jogos de risco. Sai quebra-quebra na Eurocopa ou no Campeonato Amador da cidade que você mora. Por isso, deve haver precaução. Mas em Varginha apostaram na mão invisível da paz. E ela não aparece assim tão facilmente.

Quando vi que o time da casa chegava ao estádio com um ônibus sem escolta, passando por cerca de 1500 bugrinos que estavam do lado de fora e com alguns vidros abertos, tive a certeza de que o sábado em Varginha seria problemático.

 

 

Esse foi um resumo do ano do time verde e branco de Campinas.

Esperamos um 2017 melhor para o Guarani.

Um Feliz Ano novo para toda a nação bugrina!

 

 

Por Fernanda Martins.