O CAMPEÃO MORAL DE 1995.

Se você, torcedor, tem mais de 20 anos, provavelmente deve ter acompanhado essas partidas e consegue compreender o porque escolhi o título “O campeão moral de 1995” para esta crônica. Agora, se você for como eu, e ter nascido após essa época, sem dúvida alguma, já deve ter escutado falar dessa história através de seu avô, pai, tios, amigos. E por ter me cativado tanto, além de toda a superação que essa história nos traz, ainda deixa claro duas coisas: Que o futebol é uma caixinha de surpresas e que erros de arbitragem podem mudar totalmente a história de uma partida.

No mês de dezembro completará 20 anos daquelas partidas inesquecíveis do Brasileirão de 1995: a semifinal contra o Fluminense e a final contra o Botafogo.

A primeira partida da semifinal foi realizada no Maracanã, no dia 7 de dezembro de 1995. A equipe do Fluminense aplicou uma goleada de virada na equipe santista por 4x1 com gols feitos por: Renato Gaúcho, Ronald, Leonardo e Cadu, no lado do Fluminense; e de Giovanni para a equipe santista. Neste jogo, o Santos perdeu dois jogadores decisivos para a segunda partida da decisão, Jamelli e Robert, que acabaram sendo expulsos. No final da partida, mesmo com o resultado ruim, os jogadores santistas se mostravam confiantes, principalmente ele,  Giovanni, nosso Messias.

O segundo jogo da semifinal, seria realizado três dias depois, onde a equipe santista precisava ganhar por 3 gols de diferença para garantir uma vaga para a final, algo que nenhum outro time naquela época havia conseguido fazer contra o Fluminense durante aquele campeonato. O Santos precisaria de um milagre, de uma tarde completamente inspirada de Giovanni e companhia, algo que muitos não acreditavam que aconteceria, levando em conta que a equipe tricolor era um time que estava embalado.

Enfim, 10 de dezembro de 1995, no estádio do Pacaembu, ocorreu a segunda partida válida pela semifinal do Brasileirão daquele ano. A torcida santista encheu o estádio para incentivar aqueles 11 jogadores vestidos de branco carregando o escudo do Santos no peito. Existia algo diferente no ar, e mesmo se passando 20 anos, essa impressão ainda continua.

Precisávamos que aquela equipe tivesse um dia “como nos tempos de Pelé”, e tivemos.

O Santos começou a partida pressionando e não dando espaço pra equipe tricolor. Aos 25 minutos de jogo, Camanducaia foi derrubado na área e o juiz marcou pênalti; Giovanni cobrou, bateu no cantinho, abrindo o placar para a equipe alvinegra. Faltavam mais dois. Aos 29 minutos, Carlinhos tocou para Giovanni que fez um golaço que levantou todo o Pacaembu,  diminuindo o número de gols que a equipe precisava fazer...Faltava apenas mais um. A equipe tricolor foi pra cima, tentando diminuir o resultado e as chances de uma classificação santista, mas, o primeiro tempo acabou em 2x0.

No intervalo de jogo, quebrando o protocolo, a equipe santista não quis descer para o vestiário e permaneceu ali, no gramado, para sentir ainda mais o calor da torcida que não parava de apoiar em nenhum momento. Algo que emociona até hoje os torcedores que acompanharam esse momento, seja no estádio ou pela televisão.

Segundo tempo iniciado, o Santos manteve seu ritmo de jogo e Giovanni – que estava em um dia abençoado – aos 5 minutos, deixou Macedo na cara do gol que marcou, finalmente, o 3º gol da equipe santista. O Fluminense partiu pra cima, e aos 7 minutos, diminui o placar com Rogerinho, 3x1, e a vantagem voltava a ser tricolor. Porém, a equipe santista não se abateu, e 10 minutos depois, Camanducaia marcou o 4º gol santista de rebote após o goleiro tricolor defender um chute de Giovanni. 4x1, voltávamos a ter vantagem. Aos 37 minutos, Giovanni mesmo marcado por três jogadores, deu um passe perfeito para Marcelo Passos que soube aproveitar a oportunidade e marcou, 5x1, para delírio da nação alvinegra presente no Pacaembu, estávamos na final. Aos 39 minutos o Fluminense diminuiu o placar com Rogerinho novamente, mas não adiantaria muita coisa.

Final de jogo, Santos 5x2 Fluminense, após 12 anos o Santos voltaria a disputar uma final de campeonato brasileiro. Um belo espetáculo! Jogo no qual o impossível se tornou possível, que Giovanni se consagrou com a camisa alvinegra protagonizando a partida, com uma das suas melhores atuações (se não a melhor). Após aquela partida, que conquistou muitos e fez com que o Santos se tornasse uma equipe “querida” e favorita ao título. Mas nada estava ganho, e as partidas contra o Botafogo seriam difíceis.

Chegou então o dia da primeira partida da decisão contra o Botafogo no Maracanã em 14 de dezembro de 1995. Um duelo de alvinegros, no qual o alvinegro carioca saiu na frente aos 18 minutos do primeiro tempo com Wilson Gottardo. O Santos foi pra cima empatando a partida com Giovanni aos 38 minutos, e aos 44 minutos Túlio Maravilha voltou a deixar a equipe botafoguense na frente. Segunda etapa sem gols. Fim de jogo, 2x1.

Apesar do resultado ruim, o Santos precisava apenas de uma vitória por um gol de diferença para conquistar o título, algo que para aquele equipe que ganhou de 5x2 do Fluminense superando todas as expectativas, não seria tão difícil. Porém, para a alegria de uns, e tristeza de outros, o destaque do jogo de volta no Pacaembu foi a arbitragem.

Em 17 de dezembro de 1995, no Pacaembu, foi a grande decisão. Um jogo pegado, difícil, marcado pela atuação ruim do árbitro Márcio Rezende de Freitas, que mudou totalmente a história do jogo. O jogo acabou empatado, 1x1, com gols de Túlio Maravilha, pelo Botafogo, e de Marcelo Passos para o Santos; ambos os gols foram marcados de forma irregular, porém, o árbitro não marcou impedimento. O único gol legítimo da partida foi marcado por Camanducaia, quando a partida estava empatada, mas, o árbitro marcou irregularidade. Irregularidade essa que o bandeira não viu. A partida terminou em 1x1, e assim, o título acabou indo para a equipe carioca.

O título pode ter ido para o Rio de Janeiro, mas a equipe que tinha o espírito vencedor, sem dúvidas, era a equipe santista, que se superou ao longo de todo o Brasileirão daquele ano, sendo protagonista de duas grandes partidas que ficarão sempre marcadas na história do futebol nacional. O Campeão moral de 1995, é o Santos Futebol Clube, pela garra e entrega dos jogadores dentro de campo que emocionou e continuará emocionando gerações mesmo 20 anos depois.

"É UM ORGULHO QUE NEM TODOS PODEM TER."

Carolina Ribeiro