O desastre do esquema 3-6-1 de Abel Braga

Mudança no time mostrou ineficiência e colaborou para a derrota de 2 x 0 para o Flamengo

 

As invenções de Abel no esquema tático do Fluminense definitivamente não estão agradando grande parte da torcida e isso pôde ser comprovado pelos comentários publicados por Tricolores nas redes sociais, durante e depois do clássico, na noite da última quinta (7).

Ao invés de fazer o feijão com arroz e optar por Pablo Dyego no lugar de Pedro e Matheus Alessandro na vaga de Marcos Júnior, o técnico investiu todas as fichas do ataque nos pés de João Carlos, um atacante limitado com dificuldades no posicionamento. Resumindo, um zero à esquerda.  Cabe um comentário sobre o atleta que veio da Cabofriense. Ele tem como empresário um dos filhos de Abel e, sem querer ser leviana, existem boatos de que poderia ser beneficiado por isso.

 

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João Carlos fez péssima partida

(Foto: Lucas Merçon)

 

O comandante também pecou nas substituições. Tirou Renato Chaves, que até esteve bem na partida, e ficou com dois zagueiros. Com os três defensores, os laterais ficariam liberados para apoiar. Só que ao voltar para dois na zaga ele matou os laterais e deixou três cabeças de área, Douglas, Richard e Jadson, que com atuações pífias ainda prejudicaram Sornoza, o homem do meio.

Podia ter sido pior se Júlio César não tivesse feito defesas emergenciais e evitado que o ataque rival ampliasse o placar. Se o arqueiro mostrou-se firme, não posso dizer o mesmo de Marlon que não conseguiu acertar passes, cruzamentos e, muito menos, a marcação. Fez uma partida ordinária e cometeu um pênalti que nem aqueles que jogam pelada no Aterro do Flamengo conseguiriam. No entanto, o querido lateral-esquerdo teve a audácia de dar a seguinte declaração:

“É Campeonato Brasileiro, muito equilibrado. A gente tentou o máximo possível, mas está dentro do normal. Estávamos com desgaste físico também, o que causou a queda de rendimento”, disse ele.

Normal? Faz-me rir.

As atuações medonhas não param por aí. Robinho também faz parte da lista dos improdutivos. Ele não é e nunca será um profissional com habilidade e talento para envergar o manto tricolor. Uma lástima Pablo Dyego ter se machucado e sair de campo tão rápido. Sua agilidade poderia ter feito a diferença. Assim como a velocidade de Matheus Alessandro que fez o ataque tricolor ressuscitar, pena que não teve um meia para apoiar suas investidas.

 

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Gilberto foi um dos poucos destaques do time Tricolor

(Foto: Lucas Merçon)

 

Quem se destacou? Na verdade poucos o fizeram. Livro a cara de Gilberto, que teve a melhor chance de marcar e deu trabalho para a zaga rival, e de Jádson, que tentou construir jogadas e soube explorar as brechas do adversário com toques rápidos. Assim como Matheus Alessandro, não teve com quem jogar.

Foi com esse esquema retrancado que o Fluminense viu o rubro-negro vencer por 2 x 0, gols de Henrique Dourado, em pênalti cobrado aos 28 minutos da primeira etapa, e  Felipe Vizeu, aos 33 do segundo tempo.

No final do jogo, Abel conversou com a imprensa e fez sua análise da partida.

“Nosso primeiro tempo foi muito ruim, não podemos tomar um gol da maneira que tomamos. No segundo tempo o Flamengo foi lá uma vez. Nossa ideia era segurar 0 x 0 no primeiro tempo para, no segundo, a gente fazer exatamente o que fez. Mas eles saíram ganhando. Nós usamos o critério que iríamos usar, mas só chegamos na entrada da área e ali era muito bate-rebate, nem as bolas aéreas nós conseguimos colocar. A vitória deles foi justa”, admitiu.

Sobre a falta de Pedro e Marcos Júnior e a atuação de João Carlos ele comentou:

“Todo time sofre com a ausência de titulares. Se eu te disser que fez falta, vai ficar parecendo que é desculpa. Nós entramos em campo com aquilo que nós temos, damos confiança a todos. A bola acabou não chegando boa lá para o João. Mas dizer que não correu bem por causa deles, eu não vou dizer”.

O próximo desafio do Fluminense é contra o Atlético-MG no próximo domingo (10), no Independência. Abel disse que vai ter que analisar como será a formação do elenco e acenou para possíveis mudanças.

“A ideia era terminar o primeiro tempo empatado e fazer o que fizemos no segundo tempo. Poderia ser diferente, de repente sair o Gilberto, mas o Renato sentiu o adutor da coxa. Depois o Pablo levou uma pancada e voltou na questão do critério de cartões do árbitro. Lesões acontecem. O Marlon levou o terceiro amarelo, vamos ver como vamos fazer, se joga o João Vitor, tem também o Luan que joga por ali. Não sei ainda, vou pensar”, divagou.

Recomendo o uso de ansiolíticos para o próximo duelo.

Vamos agora ilustrar dois momentos de descontração. O primeiro foi proporcionado por Henrique Dourado. Antes do início da partida, Ceifador cumprimentou os jogadores do seu antigo clube. Até aí tudo bem. No entanto, depois de apertar a mão de todos, ele esqueceu a mudança da camisa e foi de encontro ao elenco que se preparava para a foto de praxe. Ele só se deu conta tarde demais. A cena ganhou as redes sociais.

O segundo foi o diálogo entre nosso zagueiro com um repórter, no intervalo do jogo:

Repórter para Gum: “O time entrou em campo um pouco assustado?”

Gum franziu a testa e, com um ar de irritação olhou para a cara do rapaz e perguntou: “Eu tenho cara de assustado?

Repórter insistiu: “Não entrou assustado?”

Gum: “Claro que não! Futebol é onze contra onze. Quantos jogos nós ganhamos do Flamengo esse ano?”

Moral das histórias: Dourado não esquece as três cores que traduzem tradição enquanto Gum as representa com muita fidalguia. Segue o baile.

 

Por Carla Andrade