O desencanto da Fúria Espanhola

Espanha perde na cobrança de pênaltis para a Rússia e se despede da Copa do Mundo

 

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Foto: Francisco Leong - AFP

 

Assim que Iago Aspas perdeu a cobrança da quinta penalidade máxima, os jogadores espanhóis não conseguiram segurar as lágrimas. A expressão da tristeza estava estampada em seus rostos diante da realidade que nem imaginavam que pudesse acontecer, a desclassificação no Mundial. Apontada como uma das favoritas, a La Roja teve como principal inimiga ela mesma.

 

No decorrer da partida, a Espanha trocou 1029 passes, cerca de 75%, e foi incapaz de usar a vantagem a seu favor e criar jogadas perigosas para chegar ao gol. A bola foi tocada de um lado para o outro, para frente e para trás sem a objetividade necessária. E olha que os russos nem apresentaram perigo, preferiram adotar aquele esquema chato de defender e chamar o adversário. Esse tipo de esquema tático, inclusive, deixa o jogo chato. É um futebol burocrático e sem brilho. A torcida não gostou e depois dos trinta minutos do primeiro tempo começou a fazer a “ola” para ver se os times se empolgavam dentro de campo.

 

Os dois gols da partida viera no primeiro tempo. Aos 11 minutos, Nacho sofreu falta de Yuri Zhirkov, pela lateral direita. Asensio bateu e a bola sobrou para Sérgio Ramos que numa disputa com o zagueiro russo caiu no chão e a bola acabou entrando já que nessa embolada bateu no calcanhar de um dos dois e entrou. A Fifa levou dois minutos para creditar o gol a Ignashevich.

 

O gol da Rússia veio através de um pênalti marcado porque Piqué achou que o jogo era de handball e “sem querer” levantou o braço na pequena área o que fez a bola resvalar. Levou até cartão pela brincadeira que não se faz numa Copa do Mundo. Dzyuba cobrou e converteu. Partida empatada.

 

No segundo tempo, Hierro resolveu fazer substituições, acho que já ciente que a prorrogação seria inevitável. No entanto, o fez tarde demais. Aos 22, colocou Iniesta no lugar de David Silva e Carvajal na vaga de Nacho. Pouco depois, sacou Diego Costa para a entrada de Iago Aspas. O time até ficou mais veloz, só que aquela formação russa, com uma linha de cinco defensores mais quatro meio-campistas a frente da área, falou mais alto.

 

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Isco foi um melhores em campo (Foto: Getty Images)

 

Com o empate, a partida seguiu para ser decidida na prorrogação. O jogo continuou do mesmo jeito, o ataque contra defesa, e já mostrava boas chances de acabar em pênaltis.  Uma boa oportunidade surgiu com Asensio, que finalizou da entrada da área e exigiu uma defesa do goleiro russo. Rodrigo fez outra jogada oportunista. Depois de um drible de corpo, entrou na área, chutou forte e obrigou o arqueiro Akinfeev a trabalhar. No rebote, Carvajal chutou de primeira, mas a bola passou por cima do gol.

 

Como penalidade máxima é loteria, tudo podia acontecer. Frio na barriga. Iniesta, Piqué, Koke, Sérgio Ramos e Iago Aspas foram os nomes escolhidos por Hierro. Todos contavam também com alguma defesa espetacular de De Gea, o que não houve. Todos os cobradores russos converteram, enquanto Koke e Iago Aspas foram infelizes em suas cobranças. Acabou-se o que era doce e mais uma seleção campeã do mundo disse adeus.

 

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A tristeza do capitão Sérgio Ramos (Foto: Juan Mabromata - AFP)

 

Uma estatística interessante. A Espanha nunca venceu uma equipe anfitriã na Copa do Mundo, em quatro tentativas. Eles foram derrotados por 1 x 0 em um replay contra a Itália depois de um empate em 1 x 1 na prorrogação de 1934; derrotados por 6 x 1 pelo Brasil na rodada final de 1950 e perderam nos pênaltis para a Coreia do Sul depois de um empate após prorrogação nas quartas-de-final de 2002. O atual técnico da Espanha, Fernando Hierro, foi o capitão da Espanha nesse jogo em 2002.

 

Carla Andrade

Rosileide Ribeiro