O DESESPERO DE UM EMPATE

 

O Fluminense e sua mania de complicar jogos que poderiam resultar em vitória e tudo por conta de erros gritantes nas finalizações. Foram 16 na primeira etapa, nove de Yony, e o time foi incapaz de colocar a bola no gol, além de ver a Chapecoense abrir o placar, com gol de Everaldo, aos 26. O empate poderia ter colocado o Tricolor na zona de rebaixamento, mas o mesmo resultado na partida entre Cruzeiro e Fortaleza manteve o time na 16ª posição, com 30 pontos. 

 

Foto: Lucas Merçon

 

Vão errar passes finais assim na casa da Mãe Joana. Como pode um time ainda ter dificuldade num quesito de tamanha relevância quase na reta final do Brasileirão? Falta treino? Falta de vergonha na cara? Falta de que?

 

As chances foram muitas e o maior garçom do jogo foi Caio Henrique, em outra partida redondinha, que serviu o ataque com suas entradas pelas laterais pelo flanco esquerdo. Assim como Daniel e Allan pelo meio de campo e a bola não entrou de jeito nenhum até o final dos primeiros 45 minutos. Nenê e Yony perderam gols feitos por falta de capricho na hora de finalizar. Wellington Nem só deu chutões e isso gerou impaciência na torcida que vaiou o time. 

 

O Fluminense voltou para o segundo tempo com mais sorte e o menino Marcos Paulo empatou logo no início. Em bela jogada pela direita entre Daniel e Yony, o atacante se infiltrou entre os zagueiros e com um toque certeiro estufou as redes. Minutos depois, Yony chutou no cantinho do gol adversário, mas João Ricardo fez defesa milagrosa. 

 

Foto: Lucas Merçon

 

O jogo esquentou e ambas as equipes, em situação crítica na tabela, buscaram com todas as forças o gol. O empate era um resultado negativo para ambas e a partida tornou-se dramática, sem exagero. 

 

Caio Henrique continuou a ofertar a bola e o ataque a errar o passe final. Com o relógio a correr, o time catarinense apertou a marcação, se fechou e tentou dificultar ao máximo a subida de bola do Tricolor. Conseguiu.  A partir dos trinta da etapa final, certo desespero estampado no rosto de cada jogador dentro das quatro linhas.

 

O Fluminense perdeu o ritmo, cedeu espaços e organização visível até então transformou-se em tentativas confusas de uma possível virada. Tudo fruto do nervosismo causado pela dificuldade imposta pela marcação adversária. A partida ganhou tons dramáticos e assim que o juiz deu o apito final, a torcida Tricolor, inconformada, passou a gritar nas arquibancadas: "time sem vergonha". 

 

Na coletiva de imprensa concedida no final do duelo, Marcão disse que "é hora de levantar a cabeça" e lamentou novo tropeço.

 

"O Marcão está muito chateado, queria sair daqui com um resultado positivo, mas não aconteceu. Todo mundo ficou muito chateado, apesar de todo o esforço, jogaram 90 minutos no campo do adversário, arriscaram ao máximo, tentaram de tudo, mas o resultado positivo não aconteceu. É um momento delicado, mas acho que a gente sai cada vez mais forte. Temos muito tempo de clube, sei como funciona aqui dentro, cobrança da torcida o tempo todo. Sei que isso nos dá forças para que no próximo jogo a gente consiga o resultado que queremos", afirmou.

 

Sobre as mudanças no elenco, inclusive o Ganso no banco, ele disse ter optado por colocar mais um homem de área para fazer um pivô nas laterais e, assim, furar o bloqueio do adversário.

 

"Sabíamos que a equipe da Chapecoense viria em uma linha muito baixa. Nos preparamos para isso, criar situações de gol. E criamos, finalizamos, mas o mais importante, que é o gol, não aconteceu. Sabíamos que era um jogo muito difícil, nossos jogadores nos esforçaram, criaram muitas chances, mas infelizmente essa última bola não entrou e a gente perdeu dois pontos importantes", analisou.

 

O Fluminense enfrentará o Ceará, no meio da semana, e a torcida quer vitória e os três pontos. O torcedor sofre ao ver seu time viver um momento tão delicado e quer a todo custo reação do elenco. Marcão sabe disso:

 

"Em relação ao nosso torcedor, a gente queria sair daqui com a vitória, não conseguimos mas vamos continuar trabalhando. Na quarta temos mais uma final, vamos fortes, com a cabeça boa, e a gente conta com a energia boa e o pensamento positivo do nosso torcedor", garantiu.

 

Que João de Deus nos proteja de todo o mal. 

 

Meu coração Tricolor sangra.

 

Carla Andrade