O dia em que a América se tornou Preta e Branca

24 de Julho de 2013.

2 horas de jogo mais disputa de pênaltis.

Sorte daqueles que viveram de perto esse dia. Sorte daqueles que compartilharam as diversas sensações que acometeu os alvinegros nesse curto espaço de tempo que mais pareceu uma eternidade. Sorte de quem não desistiu, de quem acreditou até o final. Recompensa para os que batalharam e escreveram mais uma parte da história do nosso time imortal.

Diante de quase 60 mil enlouquecidos entravam em campo aqueles que se tornariam heróis dentro de poucas horas. O caminho até ali não havia sido fácil, mas que atleticano não aprendeu ainda a conviver com fortes emoçõesO Clube Atlético Mineiro precisava reverter o resultado de 2 a 0 aplicado pelo tricampeão da Libertadores, Olímpia, no primeiro jogo da decisão. Mas até os deuses do futebol sabiam, aquele título não poderia ser de mais ninguém.

Antes da bola rolar, era possível sentir dentro de campo o olhar de garra dos jogadores, que sabiam exatamente qual o papel a ser cumprido. Cuca a beira do gramado mantinha sua fé, sabia também que todo aquele trabalho precisava ser honrado ao final. Da arquibancada, os torcedores exalavam tensão com um misto de crença que só mesmo um bom alvinegro sabe carregar. O que nenhum de nós sabíamos é que seria assim...

FOTO: Imagem retirada da Internet

O apito soa. Logo aos dois minutos Tardelli viu seu cruzamento atravessar a área sem que ninguém interceptasse a bola. Aos nove, Martín Silva fazia a primeira de suas grandes defesas na partida em chute de Ronaldinho de fora da área. O Galo tinha pressa, mas não conseguia encontrar o caminho do gol. Enquanto isso, o Olímpia esperava uma oportunidade para dificultar ainda mais o jogo e em um contra-ataque quase abriu o placar. Já próximo a metade da primeira etapa, Ronaldinho de cabeça mandou muito perto da trave, mas a bola foi para fora. Tardelli tentou também e bateu por cima do gol. O tempo passava e o 0 a 0 no placar estava longe de ser o resultado que o Galo precisava. Sem conseguir balançar as redes, o time foi para o intervalo precisando mostrar mais.

A tarefa se complicava. Restavam 45 minutos para fazer ao menos 2 gols para que a partida fosse para a prorrogação. Cuca sabia disso e tornou o time um pouco mais ofensivo substituindo Pierre por Rosinei na entrada para a segunda etapa. Foi preciso menos de um minuto para que após cruzamento do próprio Rosinei e falha da defesa do time paraguaio, o artilheiro da competição abrisse o placar para o Galo. Jô, de perna direita, fazia 1 a 0 para o Galo.

O ritmo era outro. O Galo pressionava fortemente o adversário em busca do segundo gol. Aos cinco minutos Tardelli tentou mais uma vez e aos dez Jô recebeu dentro da área, girou sobre a marcação e bateu para mais uma defesa do arqueiro do Olímpia. Em batida de falta Leonardo Silva tentou de cabeça e parou no goleiro adversário, bem como Ronaldinho minutos depois em chute de fora da área. A bola não queria entrar...

E foi então que aos 37 minutos o coração de cada atleticano parou por alguns segundos. Ferreyra recebeu um lançamento do campo de defesa, Victor saiu do gol para interceptar a bola, mas não conseguiu e o jogador do Olímpia se viu frente a frente com um gol aberto. Um chute apenas e o sonho de milhões terminaria ali. Mas ninguém até hoje sabe explicar o que se sucedeu naquele pequeno instante de tempo em que o universo conspirou a nosso favor e as forças superiores lembraram de cada alma alvinegra que sofria aqui na terra. Ferreyra escorregou, sozinho, e mais uma vez a sorte de campeão se apresentava para nós.

Os minutos se passavam e o Galo corria contra o relógio para tentar marcar o gol que precisávamos, era preciso fé e isso jamais nos faltou. Aos 42 minutos, quando parecia chegar o apagar das luzes, apareceu o salvador... Leonardo Silva cabeceou a bola em um grande arco e a viu morrer na lateral do gol de Martin Silva, que dessa vez nada pode fazer. Um texto como esse jamais será capaz de retratar o que uma multidão de apaixonados vivenciou nesse momento.

FOTO: globoesporte.com

Agora tínhamos mais trinta minutos para tentar o título sem disputa de pênaltis e com um jogador a mais em campo, já que havia sido expulso um jogador adversário, isso parecia possível. Mas não foi. Tentamos, batalhamos, vimos Réver cabecear duas vezes e em uma delas acertar o travessão, mas a bola teimava em não entrar. A prorrogação terminou e precisávamos que São Victor operasse seus milagres novamente. Era preciso que nossos jogadores não falhassem nas batidas que viriam a seguir. Tinha que ser ali, ninguém aguentava esperar mais.

O Olímpia começou batendo e Miranda viu o pé esquerdo salvador de Victor defender o primeiro pênalti. Alecsandro foi para a bola e cumpriu seu papel, reverenciou a torcida em um ato de agradecimento por tanto apoio dado. Ferreyra dessa vez marcou, mas Guilherme botou o Galo novamente na frente em uma cobrança perfeita. Candía acertou também e Jô se redimiu da disputa de pênaltis da fase anterior e dessa vez assinalou o seu. Aranda manteve a esperança dos paraguaios e converteu.

Foi então que Leonardo Silva se dirigiu para a marca de cal e mal sabia que seria mais uma vez o seu gol a sacramentar o triunfo atleticano. O zagueiro chutou forte e estufou a rede adversária. 4 a 3 no placar, se Giménez errasse a Libertadores era do Galo. Não poderia ter sido diferente, aquela bola que explodiu no travessão fez explodir também o coração de cada atleticano ensandecido pelo título continental. A AMÉRICA SE TORNOU PRETA E BRANCA.

FOTO: espn.uol.com.br

Roberto Drummond, sem ao menos imaginar que um dia esse jogo épico aconteceria, soube colocar em palavras exatamente o espírito atleticano que se fez presente nesta partida:

“Mas quando o lado heroico do Atlético prevalece, ele sempre sai de campo glorificado”

 

Por Júlia Campos – Por você e com você até o final, Galo!