O dia em que lavei a alma, literalmente

 

unnamed (1).jpg

Foto: Interior Forte

 

 

Chego aqui para falar do famigerado acesso à elite do Gauchão 2015, aquele duelo na longínqua Frederico Westphalen, aquele 25 de maio que jamais terá fim no coração dos alviverdes, e que iniciou lá em 06 de janeiro, no dia em que o clube completou seus 70 anos de história e se apresentou para a pré temporada.

 

Sou jovem, eu sei. Mas tenho de arquibancada e estrada percorrida com o Avenida, o que muitos cinquentões não tem com seus times. 2014 foi um ano das mais diversas emoções, além de muito surreal para mim, e todos os alviverdes da Terra do Fumo. A pré-temporada, os amistosos e as primeiras rodadas não passaram de uma grande incógnita ao torcedor, um time cheio de altos e baixos e que passou para a segunda fase, dependendo de resultados alheios. Mas eles vieram, e traziam ali uma amostra de que algo grandioso estava por vir. E realmente estava. Não vou citar aqui o quanto foi difícil chegar na final à qual escreverei no restante deste texto, quem esteve lá, como eu, ou quem acompanhou, lembra de todas as classificações, mais improváveis o possível. Mas vamos ao que interessa, aquele chuvoso 25 de maio de 2014!

 

Estava frio, chovendo, aquela noite mais do que agradável para dormir aconchegada em todas as cobertas possíveis. Mas dormir não era um verbo a ser conjugado e posto em prática para mim naquela oportunidade. A noite demorou séculos para passar, e eu nunca quis tanto acordar às 5h30. Aquele dia eu quis, estava ansiosa para percorrer as seis horas de viagem que nos levariam até a ponta do estado. Trazíamos na bagagem o 1 x 0 da primeira partida em casa, mas queríamos mais, essa vantagem não nos soava suficiente. São Pedro colaborou conosco, nos deu um dia frio, chuvoso e tapado de neblina, um dia propício para o espetáculo ser completo, e ficar cravado em nossas memórias e corações pela eternidade.

 

Foram cerca de seis horas até Frederico Westphalen, atrás do TIME DE GUERREIROS, como a torcida inflamou nos estádios desde a última partida da fase classificatória, mais de cem alviverdes encararam o frio e a estrada para ver de perto, a peleia mais importante do ano.

 

 

unnamed (2).jpg

Foto: Interior Forte

 

 

Fabrício Neves Corrêa autorizou e a redonda rolou, assim como logo aos 21 SEGUNDOS de jogo, o primeiro susto chegou. Fazendo com que o arqueiro operasse mais um de seus milagres. O APAVORO tomava conta na arquibancada, e antes mesmo dos 15 minutos de jogo, Altair tirou uma bola de Paulinho Macaíba EM CIMA DA LINHA. A neblina começou a baixar no estádio que, sem possuir iluminação, começava a preocupar a todos, será que a partida iria até o final se continuasse assim? Será que teríamos que adiar a partida e aumentar o sofrimento?

 

Eis que aos 32 minutos, o canhotinho mágico cruzou na cabeça de Dinei e GOL DO AVENIDA! O gol que trazia uma certa tranquilidade aos alviverdes, mas apenas na teoria. A partir dali, a neblina que sumiu como num passe de mágica, deu espaço ao pensamento "ACABA LOGO JUIZÃO!", o tremor na arquibancada não era mais apenas da arquibancada que estava quebrando, agora ela trazia torcedores mais inquietos do que nunca, clamando pelo fim da partida.

 

A segunda etapa foi ainda mais massacrante, a pressão era quase que total dos donos da casa, afinal quem precisava dos gols eram eles, o alviverde estava disposto a apenas segurar o placar. A máxima do "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura" se concretizou. O União chegou ao empate aos 22. O nervosismo tomava conta do estádio, o Leão de FW pressionava acreditando nos dois gols (?) e o Nida só se defendia. Quatro minutos de acréscimo, o tempo que insistia em não passar e eis que o tio do apito ergue o braço.

 

Ali começou, talvez, o maior choro da minha vida. Retornávamos à elite do futebol gaúcho, na campanha mais absurda que eu já havia presenciado em um estádio de futebol. Não houve alambrado o suficiente no Vermelhão, não houve quem não caiu em lágrimas, quem não deu aquele abraço apertado em quem estivesse do lado, sabendo que acreditou até o fim, na confiança da equipe que entrou em campo. No gramado, uma taça envolta de lágrimas de alegria e superação. Um time que superou as críticas diversas e conseguiu o que a grande maioria desacreditava.

 

 

unnamed (3).jpg

Foto: Folha do Noroeste

 

 

Não, essa não foi a maior conquista do Avenida durante sua existência até aqui. Mas para mim, certamente será a mais lembrada e que emocionará pela eternidade. Foram cinco meses acompanhando o clube, cinco meses acreditando que o time traria sim alegrias ao torcedor no ano de seu 70° aniversário, viajando por todos os cantos do estado, seja qual fosse o dia e a distância.

 

 

unnamed.jpg

Foto: Folha do Noroeste

 

 

E no fim poder dizer orgulhosamente que aqui se tem camisa, tem garra, um hino que não é por nada que diz "entra em campo Avenida, e vai mostrar a tua raça (...) vem demonstrar claramente a garra da tua gente", e que eu trago na pele.

 

 

Com um cisco no olho, após escrever sobre este dia memorável,

 

Sabrina Heming