O Eterno Craque, artilheiro da Camisa 8 - Sicupira

 

Barcimio Sicupira Junior, esse é o nome do maior artilheiro da história do Atlético Paranaense. Detentor da marca de 158 gols marcados com a camisa rubro negra entre os anos 1968 até o ano de 1975, sendo emprestado ao Corinthians em 1972, o hoje comentarista de rádio Sicupira, como prefere ser chamado, é o “craque da camisa 8” do Furacão, pois este era o numero usado por ele e como é o artilheiro do clube até os tempos de hoje, essa camisa virou um símbolo!

Sicupira começou a jogar bola profissionalmente quando tinha 18 anos, pelo time do Ferroviária. Sua estreia foi contra o time do Operário de Ponta Grossa e já neste jogo fez 3 gols. Sicupira gosta de ressaltar que em todos os seus jogos de estreia sempre fez gol “não é pra qualquer um”, como ele mesmo diz.

Sicupira ainda jogou pelo time do Botafogo (RJ) e naquela época tinha nada mais nada menos que, Nilton Santos, Rildo, Didi, Garrincha, Jairzinho e Zagalo no elenco. Jogadores pertencentes a seleção canarinho, um verdadeiro escrete de peso para um jovem recém-chegado ao elenco!

Sempre foi um Centroavante, mas com o time do Botafogo acabou jogando mais recuado como um terceiro homem de meio de campo, o que acabou consagrando-o na posição.

Chegou ao Furacão com 24 anos, e foi por muito pouco que esse craque não vestiu a camisa do nosso eterno rival, o Coritiba. Antes de acertar com o Atlético, Sicupira voltou a cidade de Curitiba para conversar com Munir Calluf, que trabalhava no Coritiba na época, porém ele não atendeu o craque, aquela famosa “esnobada”. Ledo engano do diretor alvi-verde. Então um diretor do Atlético, Airton Araujo, soube que Sicupira estava na cidade e chamou ele para uma conversa, e depois de acertar com mais alguns empresários comprou seu passe e deu ele ao Atlético.

Foi então que começou a história do “Craque da Camisa 8” no Furacão.

 

Sicupira (Imagem de internet)

Em sua estreia pelo rubro-negro paranaense, como manda sua tradição pessoal, marcou um gol. Contra o São Paulo, na Vila Capanema. Uma bicicleta que craque algum jamais botará defeito. Plasticidade e agilidade pouco à frente da marca da cal. Este seria o primeiro gol dos 158 gols que compõem sua história.

Sicupira tinha várias jogadas que chamavam a atenção da torcida. Sua habilidade fazia com que lances épicos parecessem fáceis. Gols de voleio, peixinho, calcanhar, bicicleta, sem pulo realizados com a maestria que poucos possuem dentro do esporte bretão.

Em uma entrevista para o Paraná Online, Sicupira relembra o que ele considera o gol mais bonito de sua carreira, em 1963:

“Foi contra o Primavera. Me lembro até hoje. Eu peguei a bola, dei um chapéu no primeiro zagueiro. Veio outro, levou outro chapéu. O terceiro jogador apareceu e também levou um chapéu. Peguei no outro lado. Não deixei a bola cair e mandei um petardo na forquilha. Um golaço. A torcida toda aplaudiu. Foi uma coisa de louco. Nunca me esqueço, por que um amigo, que era zagueiro do Primavera, se casou neste dia e não pode jogar. Ele dizia que eu só fiz aquele gol porque ele não estava lá. Porque, se estivesse, ele fazia falta, mas não deixava eu passar”.

Outro gol que ele lembra com exatidão foi o gol que fez pelo Corinthians pelo Campeonato Brasileiro de 1972. O time Paulista precisava ganhar do Ceará para continuar no Brasileiro, foi aí que surgiu o decisivo Sicupira. Jogo quase no fim, a bola foi cruzada na área e Sicupira concluiu de primeira para o gol, o goleiro do Ceara que estava se destacando na partida se atrapalhou com a bola e ela cruzou a linha do gol e os 68.961 torcedores no Pacaembu puderam comemorar a classificação do time Paulista.

Não havia um jogador no futebol brasileiro que marcou tantos gols de bicicleta como ele, Sicupira gostava desse estilo e ele mesmo ressalta tal marca:

“Eu não conheço outro jogador que marcou mais gols de bicicleta como eu. O Zico marcou um. O Pelé fez, mas não foram muitos. Eu marquei seis ou sete gols de bicicleta. Não conheço outro caso”

 

(Encontra Curutiba)

Mesmo com tantos gols marcados pelo Furacão, Sicupira conquistou apenas um título pelo clube, o Paranaense de 1970, quando marcou 20 gols e foi o artilheiro da competição.

Foi apenas um título, mas só aqueles jogadores que disputaram aquele campeonato sabiam o valor daquele título e Sicupira foi essencial para a conquista.

O favorito para o título era o time rival, o Coritiba, a crise rondava o Atlético, jejum de títulos e a  crise financeira era estrondosa e o time persistia nos resultados inexpressivos, sem bons atacantes e com uma defesa falha.

Mas tinha uma coisa que o Atlético sempre teve e vai continuar tendo, uma torcida apaixonada, toda a imprensa paranaense enaltecia a única torcida que ia em massa ao campo: a do Atlético. E afirmavam os jornalistas da época:

“O campeonato sem o Atlético é o mesmo que carnaval na quarta-feira de cinzas ”

Foi então que o Furacão conseguiu acertar os 11 jogadores que trariam o título ao Rubro Negro, fortalecendo a equipe que já tinha um dos maiores goleadores da história do futebol paranaense, Sicupira, e que naquele ano ia ser o artilheiro do campeonato.

De um lado era o favoritismo do Coritiba, que estava muito bem no campeonato e de outro, o Atlético, que conservava muito dos velhos tempos de amadorismo, onde só a cor das camisas e o incentivo da torcida fazem os jogadores virarem feras, como se estivessem disputando um campeonato em cada clássico.

Furacão ganhou um Atletiba no “Caldeirão do Diabo” e depois perdeu outro e junto com ele a liderança, que logo foi recuperada na partida contra o Grêmio Oeste que venceu por 2x0.

Então veio o ultimo jogo, o Jogo que consagrou o Campeão de 1970, o Jogo que consagrou Sicupira.

Ele aterrorizava o time do Seleto com seus lançamentos em profundidade buscando a velocidade de Nelsinho pelo comando, e Liminha pela direita.

E foi nos minutos finais, a torcida ansiosa pelo grito de CAMPEÃO cantava cada vez mais alto, enquanto dentro de campo os jogadores eram tomados por uma expectativa fora do comum, à espera do apito final, foi então que aos 41 minutos, Toninho foi o autor do gol mais vibrante da partida, que após tabelar com Sicupira, Zezé lançou Toninho, que entrou na pequena párea e chutou forte para vencer o goleiro e liquidar de vez a partida. A emoção foi tanta que a torcida invadiu o gramado e parte da arquibancada caiu. Acabava o Jejum, Atlético de 1970 era CAMPEÃO.

 

Time campeão de 1970 (Furacão.com)

Naquele ano Sicupira foi artilheiro do campeonato com 20 gols que foram fundamentais para o título rubro negro. Em 1972, Sicupira repetiu a dose, marcando 29 gols e sagrou-se como o principal goleador do Estado novamente.

Como os times do Paraná se revezam em participar do Campeonato Brasileiro e em 1972 o Atlético não iria participar o Atlético então decidiu emprestar o Goleador Rubro Negro para Corinthians no Campeonato Nacional. E mais uma vez marcando com gol, fechando o ciclo de sempre estreando nas partidas com gol.

Sicupira voltou para o Furacão, onde encerrou a carreira em dezembro de 75. Decidiu então exercer a profissão de profissão de educação física e em 1978 retornou ao Atlético como treinador, mas decidiu seguir carreira de comentarista esportivo a qual se mantem até hoje.

Em razão da sua profissão, Sicupira preferiu adotar uma postura de imparcialidade como comentarista torcedor, mantendo uma relação um pouco distante do clube.

No ano de 1999, o antigo e Esquadrão da torcida Atléticana, famoso ETA, organizou um jantar social e cultural em um famoso Restaurante em Curitiba para homenagear os “Atleticanos do Século”. Sicupira então recebeu o título de Atleticano do Século, considerando os 158 gols marcados e por ser o maior artilheiro da história do Atlético.

No ano de 2003, Sicupira também foi homenageado pelo "Projeto Sicupira", que leva para diferentes regiões do Estado escolinhas de futebol para colher futuros craques atleticanos.

 

Projeto Sicupira (Nayara Bortolotti/Arquivo pessoal)

Se as estrelas lapidadas seguirem os passos do padrinho do programa, certamente o futuro do Atlético será reservado por belas jogadas e gols espetaculares, característica do “Craque da camisa 8!”

Quis o destino reservar a camisa 8 a este jogador. Número tido por muitas culturas como um símbolo de equilíbrio e até mesmo de ressureição. E foi o que Sicupira fez pelo Atlético, colocou em campo sua habilidade para comandar nossas ações ofensivas e recolocando o clube nos caminhos gloriosos dos títulos, honras e alegrias.

Mas ainda maior que esses feitos, é o que Barcimio fez com o coração atleticano. Escreveu seu nome no coração daqueles sortudos que tiveram a chance de ver suas jogadas ao vivo. Esses mesmo sortudos fazem com que seu legado seja passado de geração em geração. A cada novo torcedor que surge na terra das araucárias e pelo Brasil a fora, cada um desses 158 gols revive com uma memória regada a saudades e esperança no futuro Atleticano.

Obrigado por cada gol, cada momento, cada história. “A tradição vigor sem jaça”, respira mais forte com jogadores como você.

Essa é uma singela homenagem de uma pessoa que na arquibancada torce e vibra pelo Atlético com a mesma vontade e dedicação que Sicupira adentrava as quatro linhas.  

Obrigada Sicupira! O mais puro e singelo agradecimento dessa colunista!

 

por Nayara Bortolotti