O Grêmio e seu talento em transformar o fácil em difícil

Para o torcedor gremista que aguardava ansiosamente o final de domingo para ver seu time novamente em campo na busca da pontuação de ponta de tabela, o cenário que se desenhou em território mineiro foi, entre tantas outras coisas, decepcionante. O fato de o Grêmio encarar o lanterna da competição, mesmo que fora de casa, soava como um indício de que o final da rodada poderia ser bom para o Tricolor. Mas não foi.

Após o apito final, o empate em 0 a 0 com o América-MG foi motivo de alívio para aquele que acompanhava o resultado que se desenhava cada vez mais trágico para a equipe gaúcha. Ainda no início da partida, os mandantes desse domingo (31/07) já surpreenderam pela postura de marcação intensa diante dos adversários, algo que naturalmente atrapalhou o Grêmio em suas tentativas de desenvolver as triangulações de costume. Mas o desempenho do Coelho foi além da simples marcação, pois este conseguia encontrar espaços que lhe renderam um surpreendente índice de criação no jogo. Em suma, o Grêmio só não foi para o intervalo com a desvantagem no placar graças ao goleiro Marcelo Grohe, que foi decisivo em dois lances. No primeiro, defendeu uma investida de Michael de dentro da pequena área após uma cobrança de falta. Já no segundo lance, alcançou a bola originada no chute de fora da área que partiu de Pablo.

FOTO: Site GloboEsporte.com

Na volta para o segundo tempo, a equipe gaúcha conseguiu reter um pouco mais a posse bola. As jogadas mais trabalhadas começaram a aparecer com mais intensidade após a primeira substituição feita por Roger, colocando Guilherme no lugar de Pedro Rocha. Foi a partir dessa crescente gremista que aconteceu a melhor chance do time no jogo, quando Miller Bolaños acertou o travessão após se livrar da defesa do América. Mesmo assim, em nenhum momento o Grêmio se encontrou plenamente em campo. A sensação era de que os setores, sempre tão competentes em suas transições, não conseguiam se entender como deveriam no Horto.

Talvez tenha sido a frustração pela má atuação um dos motivos que fez o lateral direito Edílson perder a cabeça e acertar um carrinho muito violento em Osman, o que resultou em sua justa expulsão aos 30 minutos do segundo tempo. Com um jogador a menos, o técnico Roger teve que abrir mão de uma de suas substituições e, ao mesmo tempo, comprometer ainda mais o meio campo Tricolor. Douglas saiu para que Ramiro pudesse recompor a ala direita da equipe. Mesmo com a desvantagem numérica em campo, o Grêmio conseguiu segurar o empate no Independência. Sim, segurou o empate, porque muito pouco se viu de criatividade ofensiva após isso.

A equipe gremista como um todo deixou a desejar nessa 17ª rodada do Brasileirão. A possibilidade de alcançar a pontuação de líder se transformou novamente na frustração de perder pontos diante de times que estão na parte de baixo da tabela. Entretanto, não é errado afirmar que a preocupação pelos pontos desperdiçados não é maior do que a surpresa com a queda de rendimento e atuação do time. Negueba, que foi um dos destaques na vitória contra o São Paulo, não acrescentou ofensivamente, ao mesmo tempo em que, por vezes, comprometeu na marcação. Marcelo Oliveira voltou ao setor esquerdo com um rendimento que mais uma vez o leva a ser o centro de vários questionamentos sobre sua titularidade.

O América-MG teve muito mérito por conseguir atrapalhar taticamente o organizado time do Grêmio, mas não é errado afirmar que o Tricolor deixou de ganhar muito por sua própria culpa. Seja pela pressão pelos bons resultados dos concorrentes diretos do G4, seja pela incapacidade de reagir e responder às dificuldades impostas ou pela falta de concentração que não permitiu executar aquilo que tanto se planejou, esse empate ainda vai custar muito ao Grêmio, a exemplo de tantos outros pontos já deixados para trás nesse Brasileirão.

Por Cintia Menzomo

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