O Grêmio empatou, enquanto o bom futebol perdeu.

Na meta estipulada por Roger Machado para o Campeonato Brasileiro no que diz respeito aos confrontos a serem disputados fora de casa, os empates estão longe de serem considerados maus resultados. Entretanto, duvido muito que algum gremista tenha se sentido plenamente satisfeito após o apito final da partida contra o Fluminense em Volta Redonda.

O público não era grande, estava longe de ser representativo. Mas, mesmo pequeno, os pouco mais de 3.000 espectadores tinham no início do jogo a promessa de uma boa partida de futebol, porque, de fato, era futebol o que os dois tricolores estavam dispostos a propor. O Fluminense, em seu papel de mandante, mostrou vontade de sair na frente logo no início. O Grêmio, mesmo fortemente desfalcado, mostrava-se seguro nas jogadas trabalhadas e chegadas ao ataque. Infelizmente, a parte do “bom futebol” ficou para trás a certa altura do jogo. E o responsável por tal perda tem nome: o árbitro André Luiz de Freitas.

Aos 25 minutos do primeiro tempo, os jogadores gremistas reclamaram em relação a um pênalti não marcado no lance no qual o zagueiro Henrique intercepta o chute de Edilson com o braço direito. Ali começava a bronca dos gaúchos para cima do árbitro. A explosão gremista se deu em um lance aos 33 minutos. Após a reclamação de uma falta não marcada em Edilson, que avançava claramente ao ataque, o juiz não admitiu a indignação do volante Ramiro, expulsando-o diretamente por reclamação. Mesmo sem saber exatamente os termos usados pelo atleta gremista, entendeu-se que o árbitro estava disposto a ouvir somente gentilezas.

O prejuízo estava feito. Não apenas ao Grêmio, mas ao bom futebol que se desenhava no início da partida. Talvez movidos pela indignação dos relapsos custosos da arbitragem, aos 41 minutos, em uma jogada rápida, os tricolores gaúchos abriram o placar após Giuliano e Bobô lançarem para Marcelo Hermes que, com uma cavadinha, cobriu o goleiro Diego Cavalieiri, surpreendentemente abrindo o placar com vantagem para os visitantes.

(Foto: Nelson Perez)

Mesmo antes da volta para o segundo tempo, já se sabia o que ocorreria em Volta Redonda. Os mandantes se veriam na obrigação de buscar um resultado melhor e viriam para cima do Grêmio. E foi exatamente isso que aconteceu. Sem praticamente chegar ao ataque, os gaúchos se posicionaram bem na marcação e seguraram as pontas com o resultado favorável até meados do segundo tempo. Mesmo com um jogador a mais, o Fluminense parecia não se entender nas finalizações das jogadas que construía.

Porém, o empate veio, em mais um lance extremamente polêmico. Aos 29 minutos da etapa complementar, Marcos Júnior chutou e finalmente ultrapassou a defesa gremista após receber lançamento de Gustavo Scarpa. A reclamação dos visitantes nesse caso consistiu na forma como o atacante dominou a bola no momento do recebimento da mesma, os gremistas alegaram que Marcos teria ajeitado a bola com o braço. Apenas mais uma polêmica para a partida.

A partir do empate, outras chances dos cariocas foram criadas, mas sem sucesso. Em relação à arbitragem, essa continuou confusa ao marcar ou negligenciar situações para os dois lados. Com o placar de 1 a 1, o Grêmio volta para Porto totalizando 14 pontos na sétima rodada do Brasileirão. O prejuízo maior dos gaúchos se encontra no setor de meio campo, já que Walace ainda está com a seleção brasileira, Ramiro fica fora do próximo jogo em função do cartão vermelho e Maicon também está fora, já que levou o terceiro amarelo. Mesmo sem ter certeza, especula-se que Roger deslocará Giuliano para a função de volante para atuar ao lado de Kaio. O próximo desafio gremista será contra a Chapecoense, na próxima quarta-feira (15/06), na casa dos catarinenses.

Como gremista, lamento o resultado de empate que poderia ter sido vitória. Como uma admiradora do futebol, lamento o fato de mais uma vez vermos um possível bom jogo se transformar em um cenário de muitas polêmicas, excesso de reclamações e pouco futebol. Infelizmente, percebemos que, cada vez mais, os protagonistas de um jogo podem não ser aqueles que desenvolvem seu trabalho ao longo de dias de treinamento e preparação. Pelo visto, por vezes, ainda teremos que admitir que o protagonismo será daquele que deveria mediar, e não decidir uma partida.

Cíntia Menzono