O Grêmio precisava de “um Edílson”

 

O Gre-nal 410 que aconteceu no último domingo (03/07) no Estádio Beira-Rio ficará por muito tempo na memória de gremistas e, certamente, de colorados também. Se pararmos para listar os diversos fatores que formaram o duelo virão à tona o tão falado trator, o gol do Camisa 10 Tricolor, a garra da defesa azul para conter os arremates aéreos dos vermelhos, o canto da torcida visitante dominando o estádio adversário, entre tantos elementos que construíram o feito Tricolor no Beira-Rio. Entretanto, não hesito em afirmar que no momento no qual vi o lateral Edílson tomar posse da bandeirinha de escanteio, minha satisfação em vencer o Gre-nal se multiplicou em segundos.

Foi naquele mesmo objeto, aparentemente tão comum que pode até passar despercebido, que vimos há cerca de dois meses um certo atacante rival lembrar do nosso time, mesmo sem este ser seu adversário naquele momento. Não posso afirmar exatamente se, ao dançar com a bandeira, a intenção do atleta era agradar sua torcida ou simplesmente chamar algum holofote para sua própria direção. Talvez esse moço vislumbrou no ato de remeter ao período de escassez de títulos do time rival uma espécie de “vingança” a uma goleada histórica que havia tomado alguns meses antes. Independente dos motivos para a execução do ato tão repercutido pela mídia local, no momento daquela dança o jogador abriu caminhos para um dia receber uma resposta. Talvez o mesmo não imaginasse que essa reação chegaria já no próximo reencontro com o time que ele, mesmo de longe, desafiou.

Há quem diga que Douglas foi o personagem principal por ter anotado seu nome na vitória por 1 a 0 sobre o Inter no último Gre-nal. Entretanto, há quem afirma que Éverton se mostrou muito mais decisivo por ser o autor do chute que colocou Muriel em apuros a ponto de conceder o rebote para o gol. Luan também é lembrado por, a exemplo de tantas outras vezes, ser o autor de jogadas primorosas e bem trabalhadas. Para aqueles gremistas que se assustaram com a possibilidade de empate no segundo tempo, a segurança e firmeza da dupla de zaga Rafael Thyere e Fred podem ser consideradas como fatídicas para o clássico. Mas se algum torcedor deseja definir Edílson como o personagem do Gre-nal, este também tem suas razões. Foi Edílson quem deu a resposta ao engraçadinho atacante adversário citado anteriormente.

 

Fonte: Diego Guichard / GloboEsporte.com

 

A bandeira usada para uma dancinha análoga a um baile de debutante foi o objeto escolhido pelo lateral gremista para mostrar o que estava acontecendo ali. Era a primeira vitória Tricolor na casa adversária após sua reforma, eram mais três pontos muito importantes pra conta do Grêmio no Brasileirão, era mais uma derrota em sequência para o rival que tinha em seu técnico a promessa não cumprida de passar um trator. Mais do que tudo isso, Edílson representou uma massa de torcedores ao tremular a bandeirinha ao final da partida. Ao ser interceptado por um segurança do estádio no seu gesto espontâneo jogou a bandeira longe, o que lhe rendeu um cartão amarelo e uma carta de repúdio escrita pela torcida adversária (confesso que ainda estou tentando compreender como pode haver torcedores mais preocupados com a bandeira de escanteio do que com os problemas e a fase ruim do seu time...).

Ao observar o instinto reativo e a entrega visceral de Edílson para satisfazer a torcida Tricolor foi impossível segurar o pensamento de: Como teria sido a Libertadores de 2016 se Edílson já estivesse no Grêmio? Ao ser anunciado logo após nossa eliminação no continental, grande parte da torcida rejeitou a chegada do jogador, muito provavelmente baseada nas passagens anteriores dele pelo clube. Em 2010 e 2012, temporadas nas quais Edílson jogou pelo Grêmio, algumas atitudes extracampo marcaram de forma negativa a imagem do lateral para a torcida. Atualmente, o atleta afirma estar em um momento completamente distinto da época, tanto pessoal quanto profissionalmente.

O fato é que podemos afirmar que ele representou um alívio na lateral-direita gremista já nas primeiras atuações da passagem atual. O setor, que foi uma verdadeira mazela desde o início da temporada, foi dominado por Edílson, o qual se encaixou muito bem na forma tática gremista de jogar. Outro fator que agrega ainda mais valor à vinda do lateral para essa equipe é a postura em momentos complicados. Não estou dizendo que Edílson é um “catimbeiro” ou brigador. Mas, felizmente, ele já está mostrando ser um quando necessário. Se já havia infernizado a vida do Lucas Lima na partida contra o Santos, não teve dificuldade em fazer o mesmo com o perdido setor de transição colorado, principalmente no primeiro tempo do Gre-nal. Ficar imaginando como teria sido se tivéssemos ele nas partidas contra o Rosário Central não adianta nada, por mais insistente que essa hipótese seja nas nossas mentes.

Por vezes, Edílson já afirmou em entrevistas que voltou para o Grêmio com o objetivo definido de ser campeão aqui. Pode parecer um discurso natural e manjado de novos integrantes de qualquer equipe, mas a veemência usada pelo jogador é animadora. O espírito desafiador, cobrador e também descontraído trazido pelo jogador talvez seja uma das coisas que faltava ao nosso time. Não seria exagero dizer que ao arrancar a bandeirinha da discórdia e exibi-la para seu torcedor ele sacramentou um compromisso com a nação Tricolor. Como seguidora fiel do meu time, só me resta torcer por Edílson, por mais domingos felizes como o último e, como sempre, pela volta das nossas conquistas.

Fonte: Grêmio Avalanche

Cintia Menzomo