"O Grito de 6 milhões de Apaixonados"

"Do Inferno a Glória, enfim o pesadelo acabou."

 

Qual TRICOLOR nesses últimos anos nunca ouviu aquelas típicas "piadas": Porque você se importa tanto? É só um time; teu time está falido, vai fechar as portas e blá blá blá. É meu amigo (a), não foi nada fácil, milhões de corações machucados e maltratados pelos piores anos da história do Clube, esperavam por esse dia, dia que demorou 10, isso mesmo, 10 anos para chegar. As Lágrimas já não existiam mais, o grito estava entalado, tantas emoções, coisas que só quem ama o Futebol e quem ama esse Clube foi capaz de sentir, mas sabe! Existia uma coisa dentro de nós que nunca mudou, uma chama acesa que nunca se apagou, tínhamos a ESPERANÇA de um dia dar a volta por cima, e como uma montanha russa esse dia chegou.

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Me lembro bem de um jogo que ficou pra história, em um jogo da Série D do brasileiro contra o Alecrim-RN no estádio Almeidão na Paraíba onde mais de 16 mil TRICOLORES se deslocaram de Pernambuco para ver o SANTA CRUZ jogar , geograficamente falando, nem parece ser uma coisa tão surpreendente, mas quando analisamos as circunstancias meus queridos, vemos que só verdadeiros apaixonados teriam a capacidade de se submeter a tal "Sacrifício". Em um domingo chuvoso, os torcedores tiveram grandes dificuldades de deixar o Recife, devido à forte Chuva, vários trechos das BRs estavam interditados, a ponte principal que dava acesso a Paraíba estava submersa, filas de Carros se formavam no percurso, a hora ia se passando e os torcedores decidiram continuar a jornada andando, isso mesmo, andando, ouvia nas rádios anunciarem que havia uma grande peregrinação de torcedores na BR e pensava comigo mesma, - Meu Deus, o que é isso? São um bando de Loucos, e ali, naquele momento, tive meu primeiro lapso de Amor, meus olhos lacrimejavam e tinha a certeza que escolhera o Time certo para torcer, me via apaixonada por aquele clube que arrastava essa massa, uma torcida como essa, que se desloca em dia chuvoso e calamidade pública, ultrapassa todos os limites de análise e faz jus aquela conhecida frase "Clichê" - O Coração tem Razões, que a própria Razão desconhece.

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Amargamos 3 longos anos no fundo do Poço, sem calendário de jogos demos um jeitinho TRICOLOR de alguma forma ou de outra estar ali pertinho do Clube, loucos apaixonados saiam de suas casas para acompanhar a reforma do arruda, contando assim chega até ser engraçado. Enfim 2011 chegou e demos o ponta pé inicial para a alavancada do Clube, ganhamos por 3 anos consecutivos o Estadual em cima de nosso maior rival, conquistamos os tão sonhados acessos e em 2013 nosso primeiro título Nacional, o campeonato da série C, para muitos não é muita coisa, mas para nossa torcida foi espetacular, um time que estava afundado em dividas e que aos poucos ressurgia, merecia por todo esforço e dedicação esse feito.

Ídolos tais como o folclórico e carismático Caça-Rato que teve participação em gols importantíssimos, "craques" como Landu, André Dias, Dennis Marques entre outros que foram idolatrados pela torcida, sem muita técnica, mas com coisas que faltam em muitos jogadores pelo mundo, amor à camisa, dedicação, força de vontade. A como seria bom se todo clube tivesse ídolos como esses, que mesmo sem ter um currículo invejável, dão o sangue, que coloca seu coração na ponta da chuteira, que correm para o abraço, aquele Jogador que é a cara do Clube e sua torcida. Acredito que de alguma forma o Brasil criou um carinho e uma admiração por nós, alguns até nos adotaram como time do coração, o Brasil precisava disso, desse UP no seu futebol, e olhando as redes sociais por esses dias vejo como muitos levam a história do nosso "SANTINHA", como história de superação pessoal.

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Eita ano ''Bão da Peste" ano para não ser esquecido, aquele grito engasgado hoje se pode ouvir em cada esquina, em cada Beco, em cada Morro e em cada Favela, as ruas estão estampadas em Preto, Branco e Vermelho, o time do Povo voltou, o time das crianças que correm descalças na rua, dos velhos que "arreganham" seus sorrisos banguelos, do Pobre e do Rico, do Negro e do Branco, o time da favela, aqui não tem preconceito, aqui não te distinção, aqui somos um só, somos Filhos de Deus, somos um só coração, juntos em prol de um Amor em comum, unidos pelo SANTA CRUZ FUTEBOL CLUBE.

 

Entramos para história do Futebol Brasileiro, descemos degrau por degrau e da mesma forma voltamos, sem ajuda de ninguém, a não ser de nossa apaixonante torcida, que nunca nos abandou e sempre nos colocou no colo, e com suas forças nos ergueu, hoje não somos um clube com uma imensa torcida, hoje o clube é sua própria torcida. Dá gosto de ver o "Mundão" do ARRUDA lotado, lotado de pessoas com suas camisas piratas que cruzam o campo de joelho, aqueles que sabem transformar pequenas alegrias em felicidade plena, sem estádio de mármore, sem telão, sem selfies, sem camarotes e sem pulseiras VIPs, pessoas que ficam felizes em ir ali ver seu time do coração e não para ver um evento corporativo. Dá orgulho de ver a alegria desse povo em uma tarde de sábado debaixo de um sol de "rachar", sentados em suas arquibancadas de cimento ao som de suas baterias, cobertas por seus bandeirões e entoando seu hino.

O futebol moderno aqui não tem vez, aqui se ouve a narração em seus modestos radinhos de pilha, aqui se abraça quem não se conhece, aqui o futebol resisti.

 

Termino aqui com o trecho de uma música que é muito a nossa cara "Às vezes a felicidade demora a chegar (demorou 10 anos) aí é que a gente não pode deixar de sonhar (sempre acreditamos) Guerreiro não foge da luta e não pode correr (Se um dia corremos, foi junto com o Clube) Ninguém vai poder Atrasar quem nasceu pra vencer (Nosso time de GUERREIROS) " - Tá Escrito - Grupo Revelação.

 

Por: Larissa Katyanne