O jogador de 30 milhões de almas

Acompanhar o time, vibrar com os gols, tirar sarro dos rivais, vestir a camisa com amor: Essa é parte da rotina de qualquer um que se intitule torcedor de futebol. Torcer, em si já é algo maravilhoso e uma grande prova de generosidade. Dedicar seu tempo e sua vida a algo sem esperar em troca nada além de 90 minutos de tensão terminadas hora em alegrias, hora em tristeza é certamente uma dádiva divina.

Mas... E ser Corinthiano? Assim mesmo: Com “TH”, letra maiúscula e jeito de nome próprio. Ser Corinthiano, Toquinho já definia como “ir além de ser ou não ser o primeiro” e eu particularmente concordo. Seja na série B ou na final de um mundial, o que importa é ser.

E o pior é que é mesmo. Sofredores, loucos, maloqueiros, favelados, tudo isso graças a Deus porque Corinthiano não torce, Corinthiano se entrega. Acompanhar o time é pouco; ele quer estar perto, quer gritar, vibrar, sentir cada emoção de cada lance. A camisa não é apenas uma camisa, é segunda pele.

Em qualquer lugar que o Corinthians estiver, seja na Saudosa Maloca em que o Pacembu foi transformado ou na Arena de ultima geração em Itaquera. Dane-se o emprego, a família, os amigos, a sociedade... Corinthians joga? “Eu vou!”

E o que dizer dos 90 minutos mais aguardados da semana? Manto alvinegro no corpo (aquele que dá sorte e o Corinthians sempre ganha quando ele usa) e o grito de “Vai Corinthians” pronto na garganta. O apoio é sempre incondicional. Como entender uma torcida completamente apaixonada nos momentos de vitória e enlouquecida de amor nos momentos de derrota? Não se entende. Só quem é, sabe.

O “Jogai por nós” invocado pela Fiel torcida não é em vão. Quem entra em campo vestindo essa camisa e sente o peso dela, sabe que está ali representando outras tantas pessoas que tem aquilo como a própria vida. Corinthiano vive de Corinthians. Tendo como opção ser tornar a torcida de um time, preferiu fazer do Corinthians o time de uma torcida. Ambos se completam. O primeiro jogador do Corinthians é o seu torcedor.

Ser Corinthiano é sofrer, chorar, comemorar, bater no peito, se orgulhar e acima de tudo não abandonar. Não existe ex-Corinthiano. Uma vez louco, sempre louco. Uma vez Fiel, sempre Fiel.

Corinthians é característica daquelas de se orgulhar. Uns se orgulham dizendo que são inteligentes, simpáticos, bonitos. O Corinthiano é Corinthiano. E isso basta.

Corinthiano é alma, é raça, é amor, é tradição. Corinthiano não precisa de nada além de Corinthians pra se sentir completo.

Loucura, amor, paixão, entrega, fidelidade, alma, espírito, coração. Tudo isso e mais um pouco. Ser Corinthiano. Ponto final. Até que o último coração alvinegro pare de bater e sempre louco por ti.

 

Victória Monteiro